A resposta está na lei. E ela é direta: esses materiais, dependendo do processo produtivo ao qual estiveram expostos, são classificados pela norma técnica brasileira como resíduo classe I — resíduos perigosos — com todas as obrigações legais, documentais e operacionais que essa classificação impõe ao gerador. Ignorar isso não é apenas um descuido técnico. É exposição real a multas que chegam a R$ 50 milhões, responsabilização penal de gestores e, em casos graves, paralisação das operações pela CETESB ou pelo IBAMA.
O que a lei chama de resíduo classe I
A referência técnica para a classificação de resíduos sólidos no Brasil é a ABNT NBR 10004, norma atualizada em novembro de 2024 após duas décadas sem revisão. Em sua versão vigente, a norma organiza os resíduos em duas grandes categorias: resíduo classe I, os perigosos, e Classe 2, os não perigosos.
Um resíduo é enquadrado como resíduo classe I quando apresenta ao menos uma das cinco propriedades que definem periculosidade: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. Não é preciso que o material seja puro ou concentrado. Basta que ele tenha entrado em contato com substâncias que carregam essas características.
É exatamente o que acontece com estopas, EPIs usados e o material de varrição de chão de fábrica.
Estopas impregnadas: o combustível que ninguém enxerga
Uma estopa limpa é um pano. Uma estopa encharcada com óleo mineral, fluido hidráulico, solvente ou graxa industrial é, para fins regulatórios, um resíduo classe I.
A inflamabilidade é a propriedade mais óbvia: fibras saturadas com hidrocarbonetos são capazes de entrar em combustão por fricção ou calor gerado em ambientes industriais. Mas a toxicidade também é real. Solventes orgânicos, por exemplo, têm alta volatilidade e podem contaminar o solo e lençóis freáticos quando descartados de maneira inadequada — em lixo comum, em caçambas de entulho ou em áreas abertas dentro do próprio estabelecimento.
O descarte errado de resíduo classe I na forma de estopas contaminadas não passa despercebido nas vistorias da CETESB. O artigo 54 da Lei 9.605/1998 — a Lei de Crimes Ambientais — prevê reclusão de um a cinco anos para quem lançar resíduos sólidos ou oleosos em desacordo com a legislação. A pena se aplica a pessoas físicas. A responsabilidade da empresa, na esfera civil e administrativa, vem separada e cumulativamente.
EPIs usados: quando o equipamento de proteção vira passivo ambiental
O Equipamento de Proteção Individual nasce para proteger o trabalhador. No momento em que é descartado após o uso em ambientes com risco químico, ele muda de natureza jurídica. Passa de EPI a resíduo classe I.
A lógica é simples. Uma luva que protegeu as mãos de um operador durante o manuseio de tinta, solvente, ácido ou agente de limpeza industrial absorveu parte dessas substâncias. Um avental que recebeu respingos de base corrosiva retém traços desse agente. Um respirador com filtro trocado carrega os particulados filtrados ao longo do seu uso. Após o descarte, cada um desses materiais continua carregando a periculosidade da substância com a qual teve contato.
A NBR 10004:2024 é explícita nesse ponto. Materiais contaminados com substâncias constantes nas listas normativas são, por definição, resíduo classe I, independentemente da aparência visual, do volume descartado ou da percepção subjetiva de quem os gerou. Não existe exceção para pequenas quantidades. Não existe exceção para EPIs que parecem “limpos por fora”.
Entre os materiais que se enquadram com mais frequência nessa categoria estão:
- Luvas de látex, nitrila ou couro contaminadas com óleos, graxas ou agentes químicos
- Aventais com respingos de ácidos, bases ou solventes
- Capacetes e protetores com poeira de lixamento de metais
- Calçados de segurança com resíduos de varrição industrial
- Filtros de respiradores com particulados tóxicos retidos
Cada um desses itens exige acondicionamento em embalagem adequada, identificação correta, armazenamento em área licenciada, transporte por empresa habilitada e destinação final comprovada — com emissão de MTR no SIGOR e recebimento de CDF do destinador. Jogar no lixo comum é descarte irregular de resíduo classe I.
Varrição de fábrica: o resíduo invisível com consequências visíveis
O material de varrição de chão de fábrica é, talvez, o resíduo classe I mais subestimado no ambiente industrial brasileiro. Parece poeira. É tratado como lixo comum. E frequentemente vai para caçambas de entulho ou sacos plásticos junto com resíduos domésticos da empresa.
O problema está na composição. Numa linha de produção metalúrgica, a varrição contém limalha de metal, partículas abrasivas e pó de usinagem. Numa fábrica de tintas, ela carrega pigmentos, resinas e compostos orgânicos voláteis. Numa linha de montagem automotiva, pode conter particulados de isolantes, fluidos e revestimentos. Em qualquer desses casos, o material de varrição reúne substâncias que conferem periculosidade ao resíduo — e o enquadram como resíduo classe I pela NBR 10004.
A mistura desse material com resíduos não perigosos agrava o problema. Quando um resíduo classe I é incorporado a um volume de Classe 2, ele contamina todo o conjunto. O volume passa a ser tratado como perigoso em sua totalidade, elevando os custos de destinação e amplificando a responsabilidade do gerador.
O que diz a lei para quem gera resíduo classe I
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305/2010, estabelece que o gerador de resíduo classe I é responsável pelo gerenciamento correto desde a geração até a destinação final. Essa responsabilidade não se transfere ao transportador nem ao destinador. Ela permanece com quem gerou o resíduo.
Na prática, isso significa que toda empresa que produz estopas contaminadas, EPIs usados em ambientes de risco químico ou material de varrição impregnado com substâncias industriais precisa:
Caracterizar e classificar o resíduo classe I gerado, com Laudo NBR 10004 emitido por responsável técnico habilitado. Acondicionar o material em embalagens homologadas, identificadas conforme os requisitos legais. Armazenar em área coberta, com piso impermeável e sistema de contenção. Contratar transportador com licença específica para resíduo classe I. Emitir o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) no SIGOR para cada coleta realizada. Manter o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) atualizado com base na NBR 10004:2024, cuja entrada em vigor plena ocorreu em janeiro de 2026, tornando as versões anteriores da norma inválidas para fins de licenciamento.
O descumprimento de qualquer dessas etapas configura infração ambiental. Sob o Decreto 6.514/2008, as multas administrativas para descarte irregular de resíduo classe I variam de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. A Lei 9.605/1998 prevê, adicionalmente, responsabilização penal de diretores e gestores que tenham concorrido para a infração — mesmo por omissão.
Resíduo classe I não é reciclagem: entenda a diferença
Um equívoco frequente entre gestores industriais é acreditar que resíduo classe I pode ser encaminhado para cooperativas de reciclagem ou coletado por empresas de resíduos comuns. Não pode.
A reciclagem convencional pressupõe que o material seja inerte ou apresente baixíssimo risco. O resíduo classe I carrega substâncias que, ao serem manuseadas por trabalhadores sem proteção específica ou dispostas em aterros comuns, podem contaminar solo, água e ar de forma irreversível. Cooperativas de reciclagem não possuem licença para receber, tratar ou destiná-lo. A contratação inadequada gera responsabilidade solidária para o gerador.
A gestão correta de resíduo classe I envolve rotas de destinação específicas, como coprocessamento em fornos de cimento, incineração em unidades licenciadas ou aterros industriais Classe I. Cada rota exige documentação própria e parceiro técnico habilitado para operá-la dentro da lei.
Seven Resíduos: especialista em soluções ambientais inteligentes, não em reciclagem
A Seven Resíduos não é uma empresa de reciclagem. Essa distinção não é apenas semântica — ela define o modelo de atuação, o portfólio de serviços e o nível de habilitação técnica e regulatória que a empresa carrega.
Fundada em 17 de julho de 2017 em São Paulo, a Seven Resíduos foi construída para resolver o problema que a maioria das empresas industriais, de saúde, laboratórios e construção civil enfrenta mas raramente nomeia corretamente: a gestão de resíduo classe I — resíduos perigosos que exigem rastreabilidade, documentação e destinação por vias licenciadas.
Com mais de 1.870 clientes atendidos e crescimento de 34,67% registrado em 2024, a Seven consolidou-se como referência em soluções ambientais inteligentes no Estado de São Paulo. O portfólio cobre toda a cadeia de gestão de resíduo classe I: coleta e transporte licenciado de mix contaminado — estopas, EPIs usados, varrição de fábrica —, descarte de efluentes líquidos, resíduos químicos, pilhas, baterias, lâmpadas e resíduos de saúde.
A parte documental também está dentro do escopo: elaboração de PGRS, emissão de Laudo NBR 10004, MTR, CADRI, FDSR, LAIA, RAPP, DAIL e suporte para obtenção de Dispensa de Licença junto à CETESB. Quando a fiscalização chega, a documentação da Seven está em ordem. E a do cliente, também.
Se a sua empresa gera estopas contaminadas, EPIs usados em áreas de risco ou material de varrição industrial e ainda não tem clareza sobre como esse resíduo classe I está sendo gerenciado, o momento de resolver isso é antes da autuação.
Entre em contato com a Seven Resíduos e descubra como estruturar a gestão do seu resíduo classe I com segurança técnica, conformidade regulatória e zero surpresas na próxima vistoria.



