O CADRI não viaja com o caminhão. Quem acompanha a carga é o MTR. O CADRI é a autorização anterior: o documento em que a CETESB reconhece que um resíduo específico, gerado em um endereço específico, pode ser recebido por um destinador licenciado específico. Por isso a decisão entre CADRI individual e coletivo pertence à mesa de planejamento, e não ao balcão do protocolo. Trocar de formato com o processo já aberto custa tempo de análise, retrabalho documental e, na prática, coleta parada no pátio.
Este artigo não recobre o conceito do certificado. Ele compara os dois formatos pelos critérios que o gestor usa para decidir: número de correntes, destinadores envolvidos, titularidade, custo e flexibilidade.
O que o certificado vincula — e por que isso define o formato
Antes de comparar, vale fixar o que fica amarrado dentro de um CADRI CETESB. São três elementos, e a rigidez de cada um explica todo o resto:
- O gerador e o endereço — a unidade que produz o resíduo, com CNPJ e local de geração.
- O resíduo caracterizado — descrição, classificação conforme a ABNT NBR 10004 (Classe I, IIA ou IIB) e quantidade estimada.
- O destinador licenciado — a unidade receptora, cuja licença precisa ser compatível com aquele resíduo e com a tecnologia de destinação.
Mude qualquer um dos três e a rota muda. É essa amarração que transforma a escolha do formato em decisão de engenharia documental, não em preferência administrativa. E ela começa antes: sem laudo de classificação consistente, o formulário é preenchido em cima de suposição.
CADRI individual: uma planta, uma rota, controle total
No formato individual, o processo é aberto em nome de um único gerador, para as correntes daquela unidade, com destino a um destinador licenciado. O certificado é da planta. A titularidade não é compartilhada, e a rota responde ao ritmo da própria operação.
Esse desenho tende a servir melhor quando:
- A planta gera resíduo Classe I em volume relevante — lodo galvânico, borra de tinta, pano e EPI contaminados com solvente, embalagens de químico.
- Há várias correntes distintas saindo para o mesmo destinador, o que permite consolidar a análise em um processo só.
- A geração é contínua e previsível, com necessidade de coleta em janela fixa.
- O cliente final, o edital ou a auditoria exigem documento nominal à unidade, sem intermediação de terceiros no certificado.
CADRI coletivo: mais de um gerador no mesmo processo
No formato coletivo, um mesmo processo reúne mais de um gerador enviando resíduo para o mesmo destinador. O arranjo é comum em condomínios e parques industriais, em conjuntos de unidades pequenas e em operações organizadas por uma gestora ambiental que consolida a rota.
O ganho é de escala: o esforço técnico de instrução do processo e a interlocução com o destinador se diluem entre os participantes. O custo por gerador cai. A contrapartida é a perda de autonomia — a rota passa a ter o ritmo do grupo, e alteração individual mexe no conjunto.
Vale um alerta honesto: o enquadramento depende do tipo de resíduo, da licença do destinador e da análise da própria CETESB. Não existe formato universalmente melhor, e a viabilidade do coletivo precisa ser checada caso a caso, antes do protocolo.
CADRI individual e coletivo: comparativo critério a critério
- Titularidade — Individual: o certificado é da unidade geradora. Coletivo: o processo abriga vários geradores, cada um respondendo pelo próprio resíduo.
- Número de correntes — Individual: acomoda melhor um conjunto amplo e heterogêneo de resíduos da mesma planta. Coletivo: tende a funcionar com correntes padronizadas e semelhantes entre os participantes.
- Destinadores envolvidos — Em ambos, cada rota de destinação exige o seu certificado. O coletivo pressupõe destinador comum a todos.
- Custo — Individual: taxa e esforço técnico concentrados em um único gerador. Coletivo: rateio, com custo unitário menor.
- Flexibilidade — Individual: alta. Ajuste de corrente ou de quantidade depende só da planta. Coletivo: baixa. Mudança impacta o grupo.
- Velocidade de decisão — Individual: decisão interna. Coletivo: exige alinhamento entre participantes antes de qualquer alteração.
- Perfil que mais se beneficia — Individual: média e grande planta com Classe I e geração contínua. Coletivo: geradores de volume pequeno, correntes semelhantes e mesma região.
Quatro perguntas que decidem o formato da sua planta
- Quantas correntes distintas saem da unidade e para quantos destinos? Muitas correntes com destinos diferentes empurram para o individual, com um processo por rota.
- A classificação está fechada? Sem laudo conforme a NBR 10004, não há descrição confiável para instruir o processo — e a análise volta.
- A geração é estável? Volume oscilante e sazonal pede a folga de manobra do formato individual.
- Existe destinador comum a todos os participantes? Sem essa coincidência, o coletivo não se sustenta.
Quanto custa o CADRI e onde o orçamento escapa
Quem pesquisa quanto custa CADRI costuma olhar apenas a taxa da CETESB, que varia conforme as características do processo. A Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, online, justamente para que o gestor estime esse valor antes de decidir.
O custo que surpreende, porém, é outro. Ele aparece quando:
- O laudo de classificação está desatualizado e a corrente precisa ser recaracterizada.
- O destinador escolhido não tem licença para aquela corrente ou para aquela tecnologia — e a rota inteira é refeita.
- A quantidade estimada foi subdimensionada e o pátio acumula resíduo enquanto o processo é revisto.
- A coleta trava e a área de armazenamento temporário passa do limite operacional.
Nenhum desses custos entra na planilha de compras. Todos entram no calendário da planta.
O CADRI abre a rota. O MTR e o CDF provam que ela foi cumprida.
Certificado emitido não é destinação comprovada. O gerenciamento de resíduos industriais só se sustenta quando a cadeia probatória fecha: MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) emitido no SIGOR/CETESB a cada movimentação, e CDF (Certificado de Destinação Final) devolvido pelo destinador ao fim do ciclo — além do CDR e da DMR, conforme a obrigação de cada operação.
É essa sequência que a auditoria de cliente pede, que a homologação de fornecedor confere e que a renovação de licença exige. Vale lembrar um ponto que ainda se erra em campo: aterro sanitário não recebe resíduo Classe I. Resíduo perigoso vai para aterro industrial licenciado, coprocessamento, incineração ou outra rota compatível — sempre em unidade de parceiro credenciado, e sempre com CADRI que cubra aquela combinação. A responsabilidade não sai com o caminhão.
Perguntas frequentes sobre CADRI individual e coletivo
CADRI individual e coletivo têm o mesmo valor documental?
Sim. Ambos são certificados emitidos pela CETESB. O que muda é o desenho do processo — quem figura como gerador e como o custo e a flexibilidade se distribuem.
Uma planta pode ter mais de um CADRI ao mesmo tempo?
Pode. O certificado se organiza por rota de destinação. Correntes que seguem para destinadores diferentes exigem processos próprios.
O CADRI substitui o MTR?
Não. O CADRI autoriza a rota; o MTR documenta cada movimentação. Um não cobre a função do outro.
Trocar de destinador exige novo processo?
O certificado vincula gerador, resíduo e destinador. Alterar a unidade receptora significa nova análise — por isso a checagem prévia da licença do destinador economiza semanas.
Pequeno gerador precisa mesmo de CADRI?
Volume baixo não dispensa a prova documental. É exatamente esse perfil que costuma encontrar no formato coletivo uma entrada viável.
Decida o formato antes de protocolar
A Seven Resíduos atua desde 2017 no estado de São Paulo — Grande São Paulo e ABC, Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Jundiaí, Piracicaba e região — em CADRI individual e coletivo, licenciamento ambiental (LP/LI/LO), classificação e laudo conforme a NBR 10004, elaboração de PGRS, coleta e transporte com frota rastreada e sourcing de destinador licenciado. O Portal do Cliente (SISGR) mantém coletas, documentos e reemissões à mão do responsável técnico, sem depender de e-mail.
Antes de abrir o processo, fale com quem protocola no dia a dia e avalie qual formato serve à sua planta. Solicite uma análise técnica com a Seven Resíduos — Soluções Ambientais Inteligentes. Não basta destinar: é preciso provar.
