O CADRI não autoriza o resíduo. Autoriza a rota. A distinção parece sutil e é exatamente ela que separa o gestor que renova licença sem sobressalto daquele que descobre, no meio de uma auditoria de cliente, que a corrente embarcada no mês passado não estava contemplada em nenhum certificado. Por isso a escolha entre CADRI coletivo e CADRI individual não é uma decisão de preço: é uma decisão sobre volume, número de correntes, previsibilidade de destinador e horizonte de prazo. Este texto entrega o critério objetivo para fechar essa escolha em uma planta de médio ou grande porte.
O que o CADRI CETESB autoriza — e o que fica de fora
O CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental) é emitido pela CETESB e autoriza o envio de um resíduo determinado, de um gerador determinado, para uma unidade destinadora determinada, por uma tecnologia determinada. Quatro variáveis amarradas. Mexeu em uma, o certificado deixa de cobrir a operação.
Na prática, o que costuma ficar de fora do documento vigente é sempre a mesma lista:
- Corrente nova que surgiu depois da emissão — troca de insumo, linha piloto, limpeza de tanque, desmobilização de área.
- Destinador diferente do que consta no certificado, ainda que igualmente licenciado e para a mesma tecnologia.
- Reclassificação do resíduo: o que era Classe IIA passa a Classe I depois de um laudo conforme a ABNT NBR 10004.
- Quantidade acima da declarada no processo, quando a produção cresce e ninguém revisou o volume estimado.
Guardar isso ajuda a ler o resto do artigo: escolher o formato do CADRI é escolher quanta liberdade a planta precisa ter dentro dessas quatro variáveis.
CADRI coletivo: rota compartilhada, esforço documental diluído
O CADRI coletivo é o formato em que vários geradores são reunidos em torno de uma mesma rota de destinação — mesmo destinador, mesma tecnologia, correntes padronizadas e recorrentes. O processo é conduzido de forma agrupada por uma gestora ambiental, que organiza a caracterização, os dados de cada gerador e o protocolo junto à CETESB.
O ganho é direto para quem tem volume modesto por corrente e rota estável: o esforço de instrução do processo e a taxa se distribuem, e o gerador entra em uma estrutura que já está desenhada. Para uma planta que envia poucas correntes de Classe IIA e uma ou outra Classe I bem definida, sempre para o mesmo parceiro credenciado, o formato coletivo resolve com menos fricção interna.
O limite também é direto: a rota é a do grupo. Se a sua planta precisa alternar destinador conforme disponibilidade, incluir uma corrente atípica no meio do ano ou negociar tecnologia específica para um passivo, o formato coletivo passa a apertar em vez de facilitar.
CADRI individual: quando o controle da rota vale mais que o rateio
O CADRI individual amarra o processo ao CNPJ do gerador, com a lista de correntes, quantidades e destinadores que aquela planta precisa. Custa mais esforço de instrução e devolve autonomia.
Ele tende a ser o formato correto quando pelo menos uma destas condições aparece:
- A planta opera muitas correntes simultâneas, com Classe I relevante e variabilidade de composição — metalurgia, galvanoplastia, química, tintas, autopeças.
- Há contrato próprio com destinador, negociado por preço, capacidade ou tecnologia, que não coincide com a rota de um grupo.
- O cliente, o edital ou a matriz exige documento nominal ao gerador na homologação de fornecedor ou na due diligence.
- O volume anual por corrente é alto o bastante para que o rateio deixe de ser o fator decisivo.
Quatro variáveis decidem o formato
1. Volume por corrente
Não olhe o total gerado pela planta. Olhe a distribuição. Dez correntes de baixo volume com rota idêntica se comportam de um jeito; duas correntes que concentram a maior parte da massa se comportam de outro. É a corrente dominante que puxa a decisão.
2. Número de correntes ativas
Quanto mais correntes distintas, maior a chance de alguma delas mudar de destinador ou de classe no meio do período — e maior o valor de ter um processo próprio, ajustável sem depender do calendário de um grupo.
3. Previsibilidade da rota de destinação
Esta é a variável mais subestimada. Rota previsível favorece o coletivo. Rota que oscila por capacidade do destinador, sazonalidade de produção ou negociação comercial favorece o individual. Pergunte-se: nos últimos dois ciclos, quantas vezes o destino de uma corrente relevante mudou?
4. Horizonte de prazo
Renovação de licença, auditoria de cliente marcada, obra com geração pontual de resíduo de construção, desmobilização de setor. Prazo curto com corrente nova costuma ser o cenário em que o gerador percebe tarde demais que o certificado vigente não cobre o embarque. O formato precisa caber no calendário real, não no calendário ideal.
Cinco perguntas que fecham a decisão
- A rota vai mudar nos próximos 12 meses? Se sim, individual.
- Há corrente Classe I com composição variável? Se sim, individual.
- As correntes são padronizadas e o destinador é o mesmo há ciclos? Se sim, coletivo resolve.
- Algum cliente ou edital exige documento nominal ao gerador? Se sim, individual.
- A quantidade declarada ainda corresponde à produção atual? Se não, o problema não é o formato — é a revisão do processo, e ela é urgente em qualquer um dos dois.
O erro que aparece na auditoria: CADRI válido, corrente errada
O achado mais comum em auditoria não é ausência de CADRI. É CADRI válido cobrindo a corrente errada. Borra de tinta e lodo galvânico podem sair do mesmo galpão no mesmo dia e não cabem no mesmo certificado se o destinador ou a tecnologia forem diferentes. Pano com solvente continua Classe I mesmo quando o operador o considera seco — e Classe I não vai para aterro sanitário, vai para aterro industrial licenciado ou para outra rota autorizada.
Quando a corrente embarcada não corresponde ao que o certificado descreve, o gerador fica exposto a autuação e sanção administrativa, e o documento perde valor como prova. A responsabilidade não sai com o caminhão.
Custo do CADRI: o que entra na conta além da taxa CETESB
Comparar formatos apenas pela taxa é o caminho mais rápido para uma escolha ruim. O custo do CADRI tem outras linhas:
- Caracterização e laudo de classificação conforme a NBR 10004, quando a corrente ainda não está caracterizada.
- Horas do responsável técnico para levantar dados, quantidades e processos geradores.
- Retrabalho por informação inconsistente entre o processo, o PGRS e o que a planta efetivamente embarca.
- Custo de oportunidade: coleta represada porque o destinador não recebe sem certificado.
Para dimensionar a taxa antes de decidir, a Seven disponibiliza a Calculadora CADRI, ferramenta online própria que calcula a taxa CETESB do processo.
A cadeia de prova não muda com o formato
Coletivo ou individual, a sequência que sustenta a regularidade é a mesma: MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) emitido no SIGOR/CETESB a cada embarque, CDF/CDR fechando a destinação, DMR e demais declarações em dia, tudo coerente com o PGRS da unidade. Em São Paulo, o sistema é o SIGOR. O CADRI autoriza a movimentação; o MTR registra que ela aconteceu; o CDF prova onde terminou. Não basta destinar — é preciso provar.
Vale conferir também o papel do CDF na cadeia documental e quando o PGRS é obrigatório, porque os três documentos são lidos em conjunto na auditoria.
Perguntas frequentes
O CADRI coletivo tem menos valor legal que o individual?
Não. Ambos são emitidos pela CETESB e autorizam a movimentação. A diferença é de escopo e de flexibilidade de rota, não de validade.
Posso ter os dois formatos ao mesmo tempo?
É uma configuração comum em plantas com perfil misto: correntes recorrentes e padronizadas em rota compartilhada, correntes críticas ou de alto volume em processo próprio.
Surgiu uma corrente nova. Preciso esperar o próximo ciclo?
A corrente precisa estar contemplada antes do embarque. O caminho é avaliar a inclusão no processo adequado — e, até lá, não embarcar aquilo que o certificado vigente não cobre.
Quem faz a classificação do resíduo?
A Seven classifica resíduos e emite laudo conforme a ABNT NBR 10004, além de elaborar o PGRS e conduzir a obtenção do CADRI individual e coletivo.
O próximo passo
Traga a lista das suas correntes ativas, o volume anual estimado de cada uma e o nome do destinador atual. Com esses três dados, a decisão entre CADRI coletivo e individual deixa de ser opinião e vira critério. A Seven conduz o processo junto à CETESB, faz a caracterização, o sourcing de destinador licenciado, a coleta com frota rastreada e a emissão e gestão dos documentos — e o acompanhamento fica visível no Portal do Cliente (SISGR), onde o gerador consulta coletas, reemite documentos e solicita nova coleta.
Fale com a Seven e receba a análise do formato de CADRI adequado ao seu volume e ao seu prazo. Seven Resíduos — Soluções Ambientais Inteligentes.
