A carga está paletizada, o transportador confirmado, o MTR pronto para ser emitido — e nada se move, porque o destinador escolhido não está amparado no certificado. É nesse momento que a escolha entre CADRI coletivo e CADRI individual deixa de ser assunto de escritório e passa a ser problema de produção: pátio ocupado, área de armazenamento temporário no limite e uma corrente Classe I esperando janela de coleta.
Este artigo não repete a definição do certificado. Ele trata da decisão de formato: quantas correntes você move, para quantos destinos, com que frequência e com que previsibilidade de custo. Quem responde a essas quatro perguntas antes de protocolar raramente descobre o problema com o caminhão parado.
O que trava a movimentação não é a coleta — é o par resíduo/destino
O CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental), emitido pela CETESB, autoriza a movimentação de um resíduo determinado, do gerador para um destinador licenciado. Ele não é um crachá genérico da planta. É uma autorização por combinação.
Duas correntes que saem pelo mesmo portão, no mesmo caminhão, podem exigir amparos diferentes. Borra de tinta e lodo de ETE saem juntas do pátio e continuam sendo pares resíduo/destino distintos. Se o destinador mudou, se a corrente foi reclassificada conforme a ABNT NBR 10004, se surgiu um resíduo novo depois de uma troca de processo — o certificado existente pode simplesmente não cobrir aquela saída.
Daí a pergunta prática que abre a decisão: seu problema é um par bem definido ou uma matriz de pares?
Antes de escolher: levante o inventário de correntes da planta
A escolha do formato é consequência do inventário, não de preferência. Três levantamentos resolvem 90% da dúvida — e todos eles já deveriam estar consolidados no PGRS.
1. Quantas correntes distintas a planta gera
Liste corrente a corrente, com a classificação conforme a NBR 10004: Classe I (perigoso), Classe IIA (não perigoso não inerte) e Classe IIB (não perigoso inerte). Uma fundição, uma galvanoplastia e uma planta química raramente param em três correntes. Uma unidade de montagem com processo estável pode parar em duas.
2. Quantos destinadores atendem essas correntes
Coprocessamento em forno de cimento, incineração, aterro industrial, dessorção térmica, reciclagem, manufatura reversa: cada rota costuma ter um destinador licenciado diferente. O número de destinos pesa tanto quanto o número de correntes.
3. Qual a frequência e a sazonalidade
Corrente que sai toda semana tem comportamento diferente de resíduo de parada de manutenção, que aparece uma vez ao ano em volume alto. Parada programada sem amparo prévio vira gargalo previsível — e evitável.
CADRI coletivo ou individual: o comparativo em quatro critérios
O quadro abaixo compara os dois formatos exatamente pelos eixos que importam para quem opera. O escopo final de cada pedido é definido caso a caso na análise técnica da CETESB — o que segue é o critério de decisão que orienta o desenho do processo.
Critério 1 — Número de correntes
- CADRI individual: desenho enxuto, voltado a uma situação específica. Cabe bem quando a planta move poucas correntes e elas são estáveis.
- CADRI coletivo: reúne em um mesmo processo o conjunto de correntes da unidade. Quanto maior a matriz, maior a vantagem — a planta deixa de tratar cada resíduo como um projeto isolado.
Critério 2 — Número de destinos
- Individual: a lógica é um par gerador/destinador por vez. Trocou de destinador, o processo recomeça para aquele par.
- Coletivo: pensado para quem depende de múltiplas rotas simultâneas — perigoso para incineração, não perigoso para aterro industrial, recicláveis para manufatura reversa — sem abrir uma frente documental para cada uma.
Critério 3 — Esforço de protocolo
- Individual: menos informação por pedido, porém mais pedidos. O esforço não desaparece: ele se fragmenta ao longo do ano e some do radar do gestor até virar urgência.
- Coletivo: exige um levantamento inicial mais robusto — classificação, laudos, dados de processo, licenças dos destinadores — e concentra o trabalho em uma janela só. É mais pesado no começo e mais leve na rotina.
Critério 4 — Previsibilidade de custo
- Individual: custo pulverizado, difícil de orçar no início do exercício, porque ninguém sabe quantos pedidos o ano vai exigir.
- Coletivo: custo concentrado e conhecido antes de protocolar, o que facilita a defesa do orçamento junto a compras e controladoria.
Três perfis de planta — e o formato que costuma caber
Perfil A — Unidade de processo estável, poucas correntes
Duas ou três correntes recorrentes, um destinador por rota, sem alteração de processo prevista. O CADRI individual tende a resolver com menos esforço de levantamento. O ponto de atenção é o vencimento: com poucos processos, é fácil perder a data e descobrir na hora da coleta.
Perfil B — Planta multiprocesso com matriz larga
Metalurgia com tratamento superficial, química com ETE própria, alimentos com múltiplas linhas. Muitas correntes, várias rotas, coleta semanal. Aqui o CADRI coletivo costuma ser o formato que sustenta a rotina: o gestor deixa de administrar uma fila de protocolos e passa a administrar um escopo único.
Perfil C — Unidade em expansão, obra ou troca de linha
Ampliação, nova linha, obra civil dentro do sítio industrial. Correntes novas aparecem — e aparecem antes do certificado. O caminho realista é antecipar o levantamento junto ao licenciamento ambiental (LP/LI/LO) e desenhar o escopo já contemplando o que a nova operação vai gerar, em vez de correr atrás depois da partida.
Os erros que devolvem o pedido e adiam a movimentação
- Classificação frágil. Corrente declarada por hábito, sem laudo conforme a NBR 10004. Sem classificação sustentada, o pedido não se sustenta.
- Descrição do resíduo que não bate com o processo. Nome comercial no lugar da descrição técnica da corrente.
- Destinador com licença inadequada para aquela corrente ou para aquela tecnologia.
- Volume estimado irreal — subdimensionado para economizar e insuficiente na primeira parada de manutenção.
- Pedido protocolado com a coleta já contratada. A pressa não acelera análise técnica; só transfere o risco para a produção.
Taxa do CADRI: estime antes, não depois
A taxa do CADRI é recolhida à CETESB conforme os critérios do próprio órgão e varia de acordo com as características do pedido. Não trabalhe com chute: estimar antes muda a conversa com compras e evita a surpresa que trava a aprovação interna.
A Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, online, para estimar a taxa CETESB antes do protocolo. Para o comparativo de custo entre formatos, vale também consultar nosso conteúdo sobre quanto custa o CADRI em SP e as informações oficiais no site da CETESB.
O certificado é o começo da prova — não o fim
Escolher bem o formato resolve a movimentação. Não resolve a auditoria. A cadeia probatória do gerador paulista é MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) emitido no SIGOR/CETESB → destinação em unidade licenciada → CDF (Certificado de Destinação Final). Some-se a isso a rotina de declarações — CDF/CDR e DMR arquivados e recuperáveis.
É aí que o CADRI mal dimensionado cobra o preço mais alto: quando falta amparo para uma corrente, o gerador improvisa a saída, e o improviso não gera documento. Quem gera o resíduo é responsável pelo que acontece com ele, até o fim. Em renovação de licença, homologação de fornecedor, edital e due diligence, a pergunta nunca é se o resíduo saiu — é se você consegue provar para onde foi.
Perguntas frequentes
Posso incluir uma corrente nova em um CADRI já emitido?
O certificado ampara o que foi analisado. Corrente nova, destinador novo ou reclassificação exigem tratamento documental próprio. Avalie o impacto antes de mudar a rota, não depois.
O CADRI coletivo dispensa o MTR?
Não. São documentos de etapas distintas: o CADRI ampara a movimentação; o MTR registra cada transporte no SIGOR/CETESB; o CDF comprova a destinação final.
Como obter CADRI se a planta ainda não tem classificação dos resíduos?
A classificação vem primeiro. Sem laudo conforme a NBR 10004 definindo Classe I, IIA ou IIB, não há base técnica para o pedido.
Resíduo Classe I pode ir para aterro sanitário?
Não. Resíduo perigoso vai para aterro industrial licenciado ou outra rota compatível, como coprocessamento ou incineração, sempre em unidade credenciada.
Decida o formato antes que a movimentação trave
A Seven atua desde 2017 no estado de São Paulo e faz a ponta operacional e documental do ciclo: classificação e laudo conforme a NBR 10004, elaboração de PGRS, obtenção de CADRI individual e coletivo, licenciamento ambiental, sourcing de destinador licenciado, coleta e transporte com frota rastreada, emissão e gestão de MTR, CDF/CDR e DMR. O tratamento ocorre em parceiros credenciados; a prova documental fica com você — e fica acessível a qualquer hora no Portal do Cliente (SISGR), para reemitir documento, solicitar coleta e acompanhar o histórico.
Envie o inventário de correntes da sua planta e receba o comparativo entre CADRI individual e coletivo aplicado ao seu caso, com a estimativa da taxa CETESB. Atendemos o eixo industrial paulista — Grande São Paulo e ABC, Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Jundiaí, Piracicaba, Limeira e Rio Claro.
Seven Resíduos — Soluções Ambientais Inteligentes.
