O CADRI coletivo é o caminho de quem precisa organizar várias correntes de resíduo e mais de uma unidade de destino dentro de um mesmo processo. O CADRI individual atende quem tem um arranjo enxuto e estável entre resíduo e destinador. A decisão entre os dois formatos não depende do faturamento nem da metragem do galpão: depende da matriz que a planta tem em mãos — quantos resíduos classificados, quantos destinadores licenciados e com que frequência esse arranjo muda ao longo do ano.
O CADRI — Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental — é emitido pela CETESB e vincula três elementos: o gerador, o resíduo caracterizado e a unidade de destino licenciada. Quem define o enquadramento final do pedido é o próprio órgão, no protocolo. O que o gerador controla — e é aqui que se ganha ou se perde tempo — é a organização prévia dessa matriz.
A escolha não é sobre o tamanho da planta
Duas fábricas com o mesmo volume mensal de resíduo podem precisar de formatos diferentes. Uma unidade de alimentos que gera três correntes estáveis e manda tudo para dois destinadores fixos vive uma realidade documental distinta de uma galvanoplastia que movimenta lodo, banho exaurido, embalagem contaminada e sucata metálica para rotas diferentes.
O que realmente pesa na decisão:
- Número de resíduos distintos já classificados conforme a ABNT NBR 10004.
- Número de destinadores e de rotas tecnológicas envolvidas.
- Estabilidade do arranjo — com que frequência entra corrente nova ou troca fornecedor.
- Calendário de licenças — renovação de LO, auditoria de cliente, homologação de fornecedor.
Monte a matriz antes de decidir
1. Liste os resíduos, não os processos
O erro clássico é montar a lista por setor da fábrica. O CADRI não olha para o setor, olha para o resíduo. Cada corrente precisa estar nomeada e classificada em Classe I (perigoso), Classe IIA (não perigoso não inerte) ou Classe IIB (não perigoso inerte). E classe não se presume por aparência: vem do laudo conforme a NBR 10004. Pano com solvente continua Classe I mesmo que esteja quase seco.
2. Liste os destinadores e as rotas
Coprocessamento em forno de cimento, incineração, aterro industrial, dessorção térmica, reciclagem, manufatura reversa. Cada rota é uma unidade licenciada diferente — e a licença do destinador precisa contemplar exatamente aquele resíduo. Vale lembrar o ponto que trava mais pedido do que se imagina: aterro sanitário não recebe resíduo Classe I. Perigoso vai para aterro industrial licenciado.
3. Cruze e conte os pares
Cada combinação resíduo + destinador é um par. Um gerador com duas correntes e um destinador tem dois pares. Um gerador com sete correntes e quatro destinadores tem uma malha que não cabe em pedidos avulsos sem virar bagunça de protocolo. É esse número — não o porte — que aponta o formato.
Quando o CADRI coletivo tende a caber melhor
- Planta com múltiplas correntes de Classe I e Classe IIA convivendo: metalurgia, fundição, galvanoplastia, química, tinta e plásticos.
- Gerador que usa mais de uma rota tecnológica para resíduos diferentes.
- Operação que precisa consolidar o cronograma documental em uma única frente, em vez de acompanhar processos com andamentos desencontrados.
- Empresa em preparação para renovação de licença ou auditoria, que precisa apresentar a cobertura documental completa de uma vez.
Quando o CADRI individual tende a ser a escolha certa
- Arranjo enxuto e estável: uma ou duas correntes, um destinador consolidado.
- Corrente nova e pontual que apareceu fora do ciclo — um passivo de tanque, um lote de material fora de especificação.
- Resíduo com exigência técnica muito específica, cuja instrução merece tramitar sem se misturar às demais.
- Necessidade de substituir um destinador sem mexer no que já está em curso.
O que muda no processo da CETESB em cada formato
Coerência interna da documentação
Quanto mais linhas o pedido tem, mais visível fica qualquer inconsistência. O resíduo descrito no PGRS precisa ser o mesmo do laudo de classificação, que precisa ser o mesmo do escopo da licença do destinador. Divergência de nomenclatura entre esses três documentos é motivo recorrente de exigência técnica — e exigência significa recomeçar prazo, não avançar.
A taxa do CADRI
A taxa do CADRI não é um valor único. Ela varia conforme a configuração do pedido, e é por isso que estimar antes de protocolar muda o planejamento orçamentário do ano — especialmente quando a área ambiental precisa defender o custo junto a compras. A Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, online, para o gerador simular a taxa da CETESB antes de decidir o formato. Se a dúvida é orçamentária, comece por aí: veja quanto custa o CADRI em SP e traga o número para a mesa com a diretoria.
Quando algo muda no meio do caminho
Este é o ponto que quase nunca entra na conversa inicial e depois vira urgência. Trocar de destinador, incluir uma corrente que a produção passou a gerar, ajustar a rota de um resíduo — nada disso é automático. O documento autoriza o que está escrito nele. Planta que muda de fornecedor com frequência precisa considerar esse custo de manutenção documental na hora de escolher o formato.
Três plantas, três decisões
Galvanoplastia no ABC. Lodo do tratamento de efluentes, banho exaurido, embalagem contaminada e sucata. Classes distintas, rotas distintas, destinadores distintos. Matriz densa — perfil típico de CADRI coletivo.
Fábrica de bebidas em Piracicaba. Duas correntes recicláveis de alto giro e um resíduo de manutenção. Arranjo estável há anos, destinador consolidado. Perfil de CADRI individual, com atenção ao momento em que a manutenção industrial gera algo fora do padrão.
Autopeças no Vale do Paraíba. Cinco correntes, três destinadores e um histórico de troca de fornecedor por preço. Aqui o formato importa menos que a disciplina de revisão: cada troca precisa aparecer na documentação antes de o caminhão sair.
O CADRI autoriza. O MTR e o CDF provam
Nenhum formato de CADRI, sozinho, sustenta uma auditoria. Ele autoriza o envio. A prova de que o envio aconteceu e terminou onde deveria vem da cadeia completa: MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) emitido no SIGOR/CETESB, seguido do CDF (Certificado de Destinação Final) do destinador — mais o acompanhamento das obrigações periódicas de escrituração, como o DMR.
É essa sequência que o auditor de cliente pede, que o edital exige e que a due diligence procura. Quem gera o resíduo responde por ele até o fim: a responsabilidade não sai com o caminhão. Não basta destinar — é preciso provar.
Perguntas frequentes sobre CADRI coletivo
CADRI coletivo é sempre mais barato?
Não necessariamente. A taxa depende da configuração do pedido, e a comparação honesta só existe depois de simular os dois cenários com a matriz real de resíduos e destinadores em mãos.
Posso incluir um resíduo novo depois de emitido?
Inclusão não é automática. Corrente nova exige tratamento documental próprio — por isso a lista de resíduos deve ser levantada com a produção e a manutenção antes do protocolo, não durante.
E se o destinador perder a licença?
A autorização está vinculada àquela unidade. Se o destinador deixa de estar apto, a movimentação para ali não se sustenta. Monitorar a validade das licenças dos parceiros é parte da rotina do gerador, não um detalhe do fornecedor.
Preciso do laudo de classificação antes?
Sim. Sem caracterização conforme a NBR 10004 não há como definir classe, rota nem destinador compatível. A Seven elabora o PGRS e emite o laudo de classificação, o que evita a ida e volta entre laboratório, consultoria e protocolo.
Decida com a matriz na mesa
A Seven atua desde 2017 no estado de São Paulo cuidando da ponta operacional e documental do ciclo: classificação, acondicionamento, coleta e transporte com frota rastreada, sourcing de destinador licenciado e emissão dos documentos — do CADRI ao MTR e ao CDF/CDR. O tratamento em si ocorre em unidades de parceiros credenciados; a rastreabilidade é nossa.
Envie a lista de resíduos e destinadores da sua planta e receba a leitura do formato de CADRI que faz sentido para o seu caso, com a estimativa da taxa CETESB calculada antes do protocolo. No Portal do Cliente (SISGR), sua equipe acompanha coletas e reemite documentos sem depender de e-mail. Fale com a Seven Resíduos — Soluções Ambientais Inteligentes.
