O CADRI não autoriza a sua empresa a destinar resíduo. Ele autoriza uma rota específica: um gerador, um resíduo e uma unidade receptora nomeada. Por isso a validade do CADRI não é apenas uma data no canto do documento — é a vigência de um arranjo entre três partes. Muda uma delas, o certificado deixa de valer para aquele movimento, mesmo com a data ainda em aberto.
Resposta direta, para quem chegou com pressa: trocar de destinador no meio do contrato exige CADRI novo. O Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental é emitido pela CETESB vinculado à unidade receptora indicada. Nova unidade, novo certificado. E enquanto ele não sai, o resíduo não tem saída legal do pátio.
Validade do CADRI: o que exatamente vence
O gerador costuma tratar o CADRI como uma licença da própria planta. Não é. O documento descreve um conjunto fechado de informações e só vale para aquele conjunto.
Os três elementos que o CADRI amarra
- O gerador — CNPJ e endereço da unidade que produz o resíduo. Outra planta do mesmo grupo econômico é outro gerador.
- O resíduo — descrição, classificação conforme a ABNT NBR 10004 (Classe I perigoso, Classe IIA não perigoso não inerte, Classe IIB não perigoso inerte) e quantidade estimada.
- O destinador — a unidade receptora nominal, com sua licença e sua tecnologia de destinação definida.
Vencer é apenas uma das formas de perder validade. A outra, mais comum e bem menos percebida, é a alteração de um desses elementos. Um CADRI dentro do prazo pode estar inválido para o movimento que a planta pretende fazer amanhã.
Sobre o prazo do CADRI na CETESB: a vigência é a que consta no próprio documento emitido pelo órgão. Não existe prazo presumido. O responsável técnico lê a data no certificado e a lança no controle interno — não a estima por analogia com outro documento.
Troca de destinador de resíduos: por que o contrato novo não carrega o CADRI antigo
A troca de destinador é rotina na indústria. O parceiro perde ou suspende licença para determinada classe. A unidade atinge capacidade e para de receber aquela corrente. O preço por tonelada muda na renovação. A logística deixa de fechar. Compras homologa um fornecedor mais barato.
Todos esses são motivos legítimos de negócio. Nenhum deles altera o documento. O CADRI não segue o contrato comercial — ele segue o endereço de destino. Trocar de unidade receptora sem novo certificado significa movimentar resíduo para um destino não autorizado naquele documento.
Três variações que passam despercebidas e também exigem revisão:
- Mudança de tecnologia no mesmo destinador. Sair de coprocessamento em forno de cimento para incineração, ou de aterro industrial para dessorção térmica, altera a rota autorizada.
- Mudança de unidade do mesmo destinador. A empresa é a mesma, o CNPJ da planta receptora não é.
- Nova corrente de resíduo. Processo novo, insumo novo, produto novo — resíduo que não está descrito no certificado não está coberto por ele.
CADRI vencido interrompe a saída legal do resíduo do pátio
Aqui está a consequência concreta, e ela é operacional antes de ser jurídica. Sem CADRI válido, o carregamento não deveria sair. O resíduo fica onde está.
Em uma semana isso é um incômodo. Em um mês, a área de armazenamento temporário estoura. Bombonas e tambores de Classe I se acumulam em local dimensionado para giro, não para estoque. O que era uma pendência de papel vira risco físico, apontamento de auditoria e não conformidade em inspeção.
A partir daí, a conta se espalha:
- Renovação de licença de operação travada por ausência de comprovação de destinação de resíduos industriais.
- Autuação e multa, na forma da Lei 9.605/1998 e do Decreto 6.514/2008.
- Reprovação em auditoria de cliente — a montadora, a farmacêutica ou o comprador multinacional pede a cadeia documental, não o contrato.
- Barreira em homologação de fornecedor e em edital, onde a checagem é binária: tem documento ou não tem.
- Passivo em due diligence, quando a movimentação feita fora de vigência aparece anos depois.
Movimentação realizada sem cobertura documental não se apaga com um certificado emitido depois. O documento novo autoriza o que vem à frente, não o que já saiu pelo portão.
O CADRI sozinho não prova destinação
Este é o ponto que separa o gerador organizado do gerador exposto. O CADRI autoriza a rota. Ele não comprova que o resíduo chegou e foi tratado.
A cadeia de prova do gerador paulista tem três elos e nenhum substitui o outro:
- MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) — registra cada carregamento, com resíduo, quantidade, transportador e destino.
- SIGOR/CETESB — o sistema estadual em que essa movimentação é registrada em São Paulo.
- CDF (Certificado de Destinação Final) — a prova de que a unidade receptora tratou o resíduo. Quando aplicável, somam-se o CDR e a DMR.
Quando o destinador muda no meio do contrato, essa trilha precisa mudar junto e sem intervalo. MTR emitido com dados do destinador anterior gera divergência entre o que o certificado autoriza e o que o sistema registra. É exatamente esse descasamento que o auditor encontra primeiro. Vale revisar também o CDF de cada carga e atualizar o PGRS, que deve refletir o destinador vigente — não o que assinou o contrato no ano passado.
Prazo do CADRI na CETESB: o controle começa muito antes do vencimento
Protocolo em órgão ambiental tem trâmite próprio e não é instantâneo. Quem inicia o pedido na semana em que o certificado vence já está com a operação parada. O controle preventivo é simples e custa pouco:
- Mantenha uma planilha ou painel único com a data de validade de cada CADRI, por resíduo e por destinador.
- Defina um gatilho de renovação com folga confortável, contado a partir da data do documento e não da lembrança de alguém.
- Revise a licença da unidade receptora periodicamente. Destinador com licença suspensa invalida a rota antes do seu prazo acabar.
- Confira se a quantidade autorizada ainda comporta a geração real. Aumento de produção consome o volume do certificado antes da data.
- Ao cogitar troca de fornecedor, abra o pedido do novo CADRI antes de encerrar o contrato antigo. A sobreposição evita o vazio documental.
- Guarde laudo de classificação conforme a NBR 10004 atualizado. Reclassificação de uma corrente muda o destino admissível.
Erros recorrentes na troca de destinador
- Carregar com o CADRI do destinador anterior porque o resíduo é o mesmo. O resíduo é o mesmo; a rota autorizada, não.
- Supor que a licença do transportador cobre a obrigação do gerador. São documentos distintos, com titulares distintos.
- Enviar resíduo Classe I para aterro sanitário. Resíduo perigoso vai para aterro industrial licenciado.
- Trocar de destinador e manter o PGRS intocado. O plano desatualizado é achado de auditoria por si só.
- Não arquivar o histórico. Quem gera o resíduo responde por ele até o fim — e a comprovação é exigida anos depois, não no dia da coleta.
Perguntas frequentes sobre validade do CADRI
O CADRI vence junto com o contrato do destinador?
Não. São vigências independentes. O contrato pode acabar com o certificado válido, e o certificado pode vencer com o contrato em curso. Os dois precisam ser controlados separadamente.
Se o destinador mudar de unidade, preciso de CADRI novo?
Sim. O certificado é vinculado à unidade receptora indicada. Endereço e CNPJ diferentes exigem novo pedido, ainda que a marca do destinador seja a mesma.
Posso usar o CADRI de outra planta do mesmo grupo?
Não. O gerador é a unidade que produz o resíduo, identificada por CNPJ e endereço. Cada planta responde pelo próprio documento.
E se um novo laudo mudar a classificação do resíduo?
A rota precisa ser reavaliada. Corrente que passa de Classe IIA para Classe I muda de destino admissível e, quase sempre, de destinador.
Quanto custa a taxa da CETESB?
A taxa varia conforme os parâmetros do pedido. A Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, online, para estimar esse valor antes de protocolar.
Antes de trocar de destinador, resolva o documento
A Seven é gestora ambiental B2B, fundada em 2017 e atuando no estado de São Paulo — Grande São Paulo e ABC, Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Piracicaba, Limeira e Rio Claro, Jundiaí, Bragança Paulista e Atibaia. Cuidamos da ponta operacional e documental: obtenção de CADRI individual e coletivo, licenciamento ambiental (LP/LI/LO), classificação e laudo conforme a NBR 10004, elaboração de PGRS, emissão e gestão de MTR, CDF/CDR e DMR, acondicionamento e coleta com frota rastreada, além do sourcing de destinador licenciado quando a troca é necessária. O tratamento ocorre em unidades de parceiros credenciados; a rastreabilidade fica com você, no Portal do Cliente (SISGR), onde a documentação é consultada e reemitida a qualquer momento.
Se a sua planta está prestes a trocar de destinador — ou já trocou e o certificado ficou para trás — leve o caso à análise antes do próximo carregamento. Peça uma avaliação da sua situação de CADRI e da cadeia MTR, SIGOR/CETESB e CDF. Não basta destinar: é preciso provar.
Seven Resíduos — Soluções Ambientais Inteligentes.
