Areia de Fundição Usada (ADF): NBR 15702 e Protocolo Seven

Areia de Fundição Usada (ADF): NBR 15702 e Protocolo Seven

A indústria brasileira de fundição produz mais de 2,4 milhões de toneladas de peças metálicas por ano, sustentando cadeias automotiva, ferroviária e de bens de capital. Para cada quilograma de peça fundida, a moldagem em areia consome 0,8-1,5 kg de ADF (Areia de Fundição usada) — areia silicosa com aglomerantes que recebe o metal líquido e é desagregada para liberar a peça. Esse fluxo torna a ADF, em volume absoluto, o resíduo industrial dominante numa fundição típica.

Para o gestor numa fundição ferrosa (ferro fundido cinzento, nodular ou maleável e aço fundido) ou não-ferrosa (alumínio, cobre, bronze, zinco), a ADF concentra três desafios: enquadrar a gestão na ABNT NBR 15702:2009 (norma técnica específica brasileira), classificar o resíduo pela NBR 10004 distinguindo fração inerte de fração com livre fenol, formaldeído ou metal pesado lixiviável, e equilibrar custo de destinação com obrigações do PNRS e do CONAMA. Este protocolo Seven conduz os três desafios numa arquitetura auditável.

As oito categorias técnicas de areia de fundição

A ADF não é homogênea. Antes de qualquer rota, o gestor precisa reconhecer qual sub-tipo predomina em cada linha de moldagem, porque composição, ciclos viáveis e classificação NBR 10004 variam significativamente.

Sub-tipo de ADF Composição típica Ciclos de uso Classificação NBR 10004 padrão
Areia verde (bentonita+água+carvão moído) Silica + bentonita 6-10% + carvão moído 2-5% + água 3-4% 8-12 ciclos com regeneração mecânica IIA não-perigoso não-inerte
Areia ligada quimicamente fenólica Silica + resina fenólica + catalisador ácido 3-6 ciclos IIA / I se livre fenol elevado
Areia ligada quimicamente furânica Silica + resina furânica + ácido sulfônico 3-5 ciclos IIA / I se livre formaldeído elevado
Areia silicato sódio CO2 Silica + silicato de sódio + cura por CO2 4-6 ciclos IIA
Areia shell (molde casca resina termofixa) Silica + resina fenólica novolaca + hexamina 1-3 ciclos IIA / I conforme livre fenol
Areia cold-box poliuretano isocianato Silica + resina poliol + isocianato + amina 3-5 ciclos IIA / I se livre isocianato
Areia regenerada mecânica Verde ou química após abrasão e atrito mecânico Reintegrada à linha IIA quando descartada
Areia regenerada térmica Química após calcinação 700-900°C Reintegrada à linha IIA (fração orgânica eliminada)

NBR 15702:2009 — a norma técnica específica brasileira

A ABNT NBR 15702:2009 é a referência normativa central para o gestor de fundição. Diferente da NBR 10004, que é genérica, a NBR 15702 trata especificamente da areia de fundição, definindo terminologia, requisitos de caracterização química, critérios de uso em aplicações construtivas e responsabilidades do gerador. Sua estrutura prevê que toda partida de ADF destinada a uso externo seja caracterizada por lixiviação NBR 10005 e solubilização NBR 10006, com periodicidade mínima semestral ou sempre que houver mudança relevante no aglomerante ou no tipo de liga fundida.

Os limites adotados pela norma para uso em sub-base de estrada, concreto não-estrutural e cerâmica vermelha são mais restritivos do que os da NBR 10004 isolada, porque consideram exposição direta ao meio ambiente. A norma também recomenda segregação por tipo de aglomerante (verde, química ácida, química básica, shell), o que dialoga com a etapa de mapeamento por linha do protocolo Seven Resíduos.

Classificação NBR 10004 — quando a ADF migra de IIA para Classe I

A maior parte da ADF de areia verde, gerada em fundição cinzenta sem contaminação cruzada por sucata zincada, lodo galvânico ou tinta com chumbo, classifica-se como NBR 10004 Classe IIA (não-perigoso, não-inerte). O ensaio de lixiviação NBR 10005 simula percolação ácida em aterro e mede bário, cádmio, chumbo, cromo, mercúrio, prata e selênio; o NBR 10006 simula chuva sobre material disposto e amplia a lista para alumínio, ferro, manganês, sódio, sulfato, cloreto e fenóis totais.

A migração para Classe I (perigoso) ocorre em três cenários: metal pesado lixiviável vindo de sucata zincada, banhos galvânicos ou cargas com chumbo; livre fenol ou livre formaldeído acima do limite NBR 10005 em areias fenólicas, furânicas ou shell mal curadas; e contaminação por óleo de macharia ou desmoldante clorado. Cada partida com mudança de receita exige nova caracterização. Um diagnóstico estruturado evita surpresas regulatórias — veja a metodologia de classificação de resíduos industriais Seven.

Rota 1: regeneração interna mecânica ou térmica

A primeira escolha hierárquica do PNRS (Lei 12.305/2010) é a redução na fonte por reuso. Em fundição, isso se traduz em regeneração interna, devolvendo areia recondicionada à linha de moldagem. A regeneração mecânica opera por abrasão e atrito controlados que removem a camada de aglomerante aderida ao grão silicoso; recupera 60-85% do volume de areia verde com bentonita+carvão moído e custa R$ 35-90 por tonelada, viável a partir de 100 ton/mês de ADF.

A regeneração térmica opera por calcinação a 700-900°C em forno rotativo ou de leito fluidizado, queimando a fração orgânica de resinas fenólicas, furânicas, cold-box ou shell; recupera 70-90% do volume de areia química e custa R$ 110-240 por tonelada, justificando-se em plantas com 300 ton/mês de areia química. Nos dois casos há geração secundária de finos de regeneração (5-15% da entrada), subfluxo direcionado às Rotas 2 ou 3. A seleção do regenerador adequado integra o diagnóstico operacional Seven.

Rota 2: valorização externa — sub-base, concreto, cerâmica vermelha e clinker

Após esgotada a regeneração, a ADF excedente segue para valorização externa. A sub-base de estrada absorve grandes volumes de ADF Classe IIA caracterizada conforme NBR 15702; tarifa típica R$ 80-180 por tonelada com logística incluída. Concreto não-estrutural — blocos, calçadas, contrapisos, base de pavers — incorpora ADF como agregado miúdo em até 30% da massa, R$ 110-220 por tonelada. Cerâmica vermelha (telhas, blocos) integra ADF na massa argilosa em até 15-20%, atuando como redutor de plasticidade.

O clinker cimenteira é a quarta aplicação: ADF é coprocessada em forno de cimento ao amparo da CONAMA 499/2020, aproveitando a sílica como substituto da areia natural; a temperatura de 1.450°C destrói orgânicos residuais. Tarifa R$ 180-280 por tonelada. Cada rota exige documentação MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos), CDF (Certificado de Destinação Final), CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental) e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) por profissional CREA. O catálogo completo está nas soluções industriais Seven.

Rota 3: aterro Classe IIA ou Classe I dedicado

A terceira rota é a menos preferida hierarquicamente e deve ser reservada às frações que reprovaram em caracterização para uso construtivo ou que migraram para Classe I. A disposição em aterro Classe IIA industrial licenciado opera em valas dedicadas com impermeabilização e drenagem de percolado; tarifa R$ 180-380 por tonelada, e recomenda-se cotar dois ou três aterros por região.

A disposição em aterro Classe I aplica-se à ADF caracterizada como perigosa por livre fenol persistente, formaldeído, isocianato residual ou metal pesado lixiviável; tarifas R$ 1.500-3.500 por tonelada. Quando esse cenário aparece com frequência, o tratamento prioritário é estancar a contaminação na origem — segregar sucata zincada, ajustar receita, melhorar cura — em vez de absorver custo recorrente de Classe I. O redirecionamento entre rotas é onde o protocolo Seven entrega economia ao gestor.

Volume típico por porte de fundição

Uma fundição média brasileira (ferrosa cinzenta ou nodular, autopeças tier 2) gera 50-500 toneladas de ADF/mês. A R$ 250 médios entre regeneração, valorização externa e aterro IIA, isso gera despesa anual de R$ 150 mil a R$ 1,5 milhão — suficiente para justificar protocolo formal.

Fundições automotivas grandes (blocos, cabeçotes, virabrequins, alumínio para câmbios) operam em escala de 2.000-8.000 toneladas mensais. Nessa faixa, elevar regeneração interna de 40% para 75% e substituir aterro IIA por sub-base e clinker pode ultrapassar R$ 5 milhões de economia anual. O dimensionamento de protocolo por porte da Seven parte de produção fundida, mix de moldes e tipologia de ADF.

Protocolo Seven em cinco etapas auditáveis

A primeira etapa é o mapeamento por linha de moldagem e tipo de molde: a equipe Seven percorre macharia, moldagem manual, automática DISA, shell, cold-box e regenerador identificando volume mensal, sub-tipo de ADF e contaminantes potenciais (sucata zincada, banho galvânico, óleo de macharia). A segunda é a caracterização química: amostragem por linha, ensaios NBR 10005/10006, livre fenol, livre formaldeído e metais pesados, periodicidade pela NBR 15702.

A terceira é a segregação física: baias, big-bags ou silos identificados separando areia verde, química ácida (fenólica/furânica), química básica (silicato), shell e cold-box, evitando contaminação cruzada. A quarta é a seleção de rota seguindo PNRS: máxima regeneração interna, valorização externa para excedente Classe IIA, aterro IIA para finos não-aplicáveis, aterro I só para frações genuinamente perigosas. A quinta é o dossiê auditável: contratos, licenças do destinatário, MTR, CDF, CADRI, ART CREA, indicador GRI 306-4 (resíduos desviados de disposição final). A documentação alimenta relatórios anuais conforme boas práticas Seven de governança.

Caso ilustrativo: fundição automotiva 1.800 toneladas/mês de ADF

Uma fundição ferrosa de blocos e cabeçotes em São Paulo gera 1.800 toneladas mensais de ADF — 1.450 ton de areia verde de moldagem automática e 350 ton de cold-box de macharia. Antes do protocolo Seven, a planta destinava 100% para aterro Classe IIA a R$ 230 por tonelada, despesa anual de R$ 4,97 milhões. O diagnóstico identificou potencial de regeneração mecânica para a areia verde e térmica compartilhada para a química.

Após implantação, 75% do volume (1.350 ton/mês) retorna por regeneração interna a custo médio R$ 75 por tonelada; 20% (360 ton/mês) segue para sub-base de estrada e clinker cimenteira a R$ 165 médios; 5% (90 ton/mês) permanece em aterro IIA para finos a R$ 230. Despesa anual reconfigurada: R$ 1,21 milhão (regeneração) + R$ 712 mil (valorização externa) + R$ 248 mil (aterro IIA) = R$ 2,17 milhões — economia líquida de R$ 380 mil já no primeiro ano em ramp-up, com potencial total de R$ 2,80 milhões anuais. Casos como este fundamentam o portfólio de resultados industriais Seven.

Perguntas frequentes

1. ADF é sempre Classe IIA? Não. Areia verde tradicional sem contaminação cruzada é IIA, mas ADF migra para Classe I quando há livre fenol ou formaldeído acima do limite NBR 10005, isocianato residual de cold-box mal curado ou metal pesado lixiviado de sucata zincada e galvânica. Caracterização semestral é obrigatória.

2. Regeneração interna substitui caracterização externa? Não. Mesmo regenerada, a fração descartada (finos de regeneração e areia esgotada após múltiplos ciclos) precisa de caracterização NBR 10005/10006 para destinação. A regeneração reduz o volume, não a obrigação de caracterizar o que sai da planta.

3. Sub-base de estrada exige licença específica? Sim. A obra receptora precisa de licença ambiental compatível, e a ADF deve atender limites NBR 15702 para uso construtivo, comprovados por laudo emitido por laboratório acreditado. MTR e CDF acompanham a movimentação, com CADRI quando exigido pelo órgão estadual.

4. Coprocessamento em clinker substitui aterro Classe I? Em parte. CONAMA 499 admite coprocessamento de ADF como insumo mineral substituto da areia natural; a temperatura do forno destrói orgânicos residuais. Mas frações com metal pesado lixiviável fora dos limites do receptor podem ainda exigir aterro Classe I dedicado.

5. Quem assina a ART de destinação de ADF? Engenheiro químico, ambiental, metalúrgico ou de materiais com registro ativo no CREA, vinculado ao gerador ou ao destinador. A ART acompanha o dossiê e referencia laudos NBR 10004/10005/10006 e a NBR 15702. Sem ART o dossiê não fecha auditoria.

Conclusão: do volume crítico ao protocolo auditável

A ADF é o maior fluxo volumétrico de uma fundição e o resíduo com maior margem técnica de melhoria — combinando norma específica madura (NBR 15702:2009), múltiplas rotas regulamentadas e ganhos econômicos na ordem de milhões anuais. Para o gestor industrial, transformar essa complexidade em protocolo auditável requer mapeamento por linha, caracterização química consistente, segregação disciplinada, seleção hierárquica de rotas e dossiê completo. A Seven Resíduos atua como parceira técnica conectando fundição ferrosa e não-ferrosa às rotas regulamentadas e entregando GRI 306-4 pronto para relatório anual.

Referências: Lei 12.305/2010 PNRS | ABNT NBR 15702 | ABNT NBR 10004 | CONAMA 499/2020 | ABIFA

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