O abrigo de resíduos raramente é uniforme. Na mesma área coberta convivem uma bombona de solvente usado, um tambor de borra de tinta, big bags de escória, lâmpadas embaladas em caixa e fardos de aparas. Quando chega a hora de regularizar a saída dessa carga, a pergunta que trava o processo não é para onde mandar — é sob qual formato: CADRI coletivo ou CADRI individual. A decisão parece burocrática. Não é. Ela define prazo de análise, valor de taxa e o quanto sua planta consegue trocar de destinador sem parar a coleta.
Este artigo não repete a definição do certificado. Ele coloca os dois formatos lado a lado a partir de um critério concreto: o perfil de geração da sua planta — muitas correntes em pouca quantidade, ou uma corrente dominante em grande volume.
CADRI individual e CADRI coletivo: o que muda de fato
O CADRI (Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental) é emitido pela CETESB e não é uma licença genérica do seu resíduo. Ele autoriza um par: este resíduo, deste gerador, para aquela unidade de destino licenciada. Muda o destinador, muda o certificado.
O que é igual nos dois formatos
- Caracterização e classificação conforme a ABNT NBR 10004 — Classe I (perigoso), Classe IIA (não perigoso não inerte) ou Classe IIB (não perigoso inerte).
- Comprovação da licença do destinador e da rota de destinação declarada.
- Responsabilidade do gerador, que permanece integral: ela não sai com o caminhão.
- Movimentação acompanhada de MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) e encerrada com CDF/CDR.
Onde eles se separam
No CADRI individual, o processo é aberto em nome do gerador e desenhado sob a operação dele: as correntes que ele produz, as quantidades que ele estima, a unidade de destino que ele contratou.
No CADRI coletivo, a solicitação é conduzida de forma agrupada, reunindo geradores que encaminham resíduos à mesma unidade de destino licenciada — arranjo que costuma fazer sentido para quem gera pequenas quantidades. O enquadramento não é escolha livre do gerador: quem define é a CETESB, caso a caso, a partir do resíduo, da quantidade e da unidade destinatária.
O teste de três perguntas antes de abrir o processo
- Quantas correntes distintas sua planta gera hoje? Conte por resíduo, não por caçamba.
- A quantidade de cada uma é estável ou sazonal? Parada de manutenção muda o retrato.
- Você vai precisar trocar de destinador nos próximos meses? Contrato vencendo, preço em renegociação ou destinador com licença perto do fim já contam como sim.
As respostas empurram sua planta para um dos dois cenários abaixo.
Cenário A — muitas correntes, pouca quantidade de cada
Perfil típico: metalmecânica de médio porte, planta de plásticos com manutenção pesada, indústria de alimentos com laboratório interno de controle. A lista tem EPI contaminado, estopa com óleo, embalagem de tinta, lâmpadas, óleo lubrificante usado, sucata contaminada, borra de solvente. Nenhuma dessas correntes fecha um caminhão no mês.
Aqui o gargalo não é tonelagem — é multiplicidade documental. Cada corrente entra no processo com identidade própria: classificação conforme a NBR 10004, caracterização, quantidade estimada e unidade de destino compatível. Dez correntes pequenas dão mais trabalho técnico que uma corrente grande.
É nesse perfil que o CADRI coletivo costuma ser avaliado: pequenas quantidades que convergem para a mesma unidade de destino licenciada tendem a caber melhor em um arranjo agrupado do que em processos isolados abertos um a um. Em troca, o gerador aceita menos margem para desenhar rota própria — o destino está dado pelo arranjo.
Cenário B — uma corrente dominante, grande volume
Perfil típico: fundição com areia de fundição, galvanoplastia com lodo galvânico, papel e celulose com lodo de estação de tratamento de efluentes, química com catalisador exaurido. Uma única corrente responde pela maior parte da massa gerada, com frequência de coleta alta e previsível.
Aqui o CADRI individual quase sempre vence, por três motivos práticos:
- Controle da rota. Volume grande é volume negociado. Quem gera 40 caçambas do mesmo resíduo precisa de liberdade para revisar destinador sem depender de arranjo de terceiros.
- Dimensionamento da quantidade. A quantidade declarada precisa acompanhar a geração real. Subdimensionar é o erro clássico: a planta volta à CETESB antes do previsto, no pior momento — com resíduo acumulado no pátio.
- Rastreabilidade limpa. Uma corrente de alto volume aparece em auditoria. Certificado próprio, MTR e CDF alinhados fecham a conversa em minutos.
Prazo, taxa CETESB e flexibilidade: os três efeitos práticos
Prazo
O que mais atrasa um CADRI não é o formato escolhido — é a exigência técnica. Dossiê incompleto, classificação frágil, resíduo descrito de forma genérica, destinador com licença fora de validade: cada um desses pontos devolve o processo para complementação e reinicia a espera. Um dossiê bem montado na primeira submissão vale mais que qualquer atalho de formato.
Taxa CETESB
A taxa CADRI CETESB não é um valor único de tabela: ela é calculada segundo critérios do órgão e varia conforme o pedido. Por isso o planejamento orçamentário do ano precisa de estimativa antes da abertura do processo — e não depois do boleto.
Flexibilidade de destinador
Trocar a unidade de destino não é ajuste de contrato: mexe no certificado. Se o destinador perder condição de operar, o gerador para junto. Quem opera com uma corrente crítica deve tratar a alternativa de destinação como item de continuidade operacional, não como plano B informal.
Calculadora CADRI: estime a taxa antes de decidir
A Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, online, que estima a taxa CETESB do processo. É a forma mais rápida de comparar cenários — mais correntes, mais quantidade, mais destinos — antes de comprometer orçamento. Trata-se de estimativa para planejamento, não de substituição ao cálculo oficial do órgão. Para uma leitura mais detalhada do custo, veja também quanto custa o CADRI em SP.
O CADRI sozinho não prova nada
Este é o ponto que separa a empresa regular da empresa que acha que é regular. O certificado autoriza o destino; ele não comprova que a carga chegou. A prova é uma cadeia:
- CADRI — autoriza o encaminhamento do resíduo à unidade de destino licenciada.
- MTR — registra cada movimentação no SIGOR/CETESB, o sistema aplicável ao gerador paulista.
- CDF/CDR — comprova que a destinação ocorreu, e como.
- DMR e o PGRS — fecham a declaração e o planejamento do gerador.
Sem essa cadeia fechada, o CADRI vira papel bonito em pasta. E é exatamente ela que a auditoria de cliente, a homologação de fornecedor, o edital e a renovação de licença vão pedir. Não basta destinar — é preciso provar.
Perguntas frequentes
CADRI coletivo vale menos que o individual?
Não. São formatos distintos para perfis distintos de geração. O que reduz valor não é o formato: é enquadramento inadequado, classificação malfeita ou destinador sem licença compatível.
Só resíduo Classe I exige CADRI?
Não parta desse pressuposto. A exigência não se resume ao resíduo perigoso — resíduos Classe IIA e IIB também podem exigir o certificado conforme o resíduo, a quantidade e a destinação pretendida. O enquadramento é definido pela CETESB.
Posso incluir uma corrente nova depois?
Corrente nova significa resíduo novo no escopo — e escopo se altera junto ao órgão. Planta que muda processo, insumo ou produto deve revisar o certificado antes da primeira coleta, não depois.
Se o destinador for irregular, quem responde?
O gerador. Quem gera o resíduo é responsável pelo que acontece com ele, até o fim. Por isso o sourcing de destinador licenciado é etapa técnica, não compra por menor preço.
Decida com número, não com achismo
A Seven Resíduos faz a ponta operacional e documental do ciclo: classificação de resíduos e laudo conforme a ABNT NBR 10004, elaboração de PGRS, obtenção de CADRI individual e coletivo, emissão e gestão de MTR, CDF/CDR e DMR, coleta e transporte com frota rastreada e sourcing de destinador licenciado em todo o eixo industrial paulista — Grande São Paulo e ABC, Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Jundiaí e região de Piracicaba. O tratamento ocorre em unidades de parceiros credenciados; a rastreabilidade e a prova documental ficam com você, no Portal do Cliente (SISGR), onde a equipe reemite documento e acompanha coleta sem depender de e-mail perdido.
Traga sua lista de correntes e as quantidades estimadas do ano. Nossa equipe técnica avalia o enquadramento adequado, roda a Calculadora CADRI para estimar a taxa CETESB e apresenta o caminho documental antes de você abrir qualquer processo. Soluções Ambientais Inteligentes.
