O CADRI não é um documento do resíduo. É um documento do par gerador–destinador. Ele autoriza aquela corrente a sair de um endereço e entrar em uma unidade licenciada. Por isso a escolha entre CADRI coletivo e CADRI individual não é detalhe de protocolo: ela define quanto a planta paga de taxa, quantas vezes vai reabrir processo na CETESB e o que acontece quando a rota de destinação muda no meio do ano. A decisão é tomada antes de protocolar — e refazê-la depois consome um tempo que calendário de renovação de licença raramente tem.
O que o CADRI da CETESB autoriza — e o que ele não cobre
CADRI é a sigla de Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental, emitido pela CETESB, órgão ambiental do estado de São Paulo. O documento amarra três informações que precisam existir juntas: a corrente de resíduo caracterizada, o gerador de origem e o destinador de chegada.
Fora desse trio, o certificado não sustenta a operação. Na prática, isso significa que:
- Trocar o destinador não é ajuste de fornecedor. O vínculo é com a unidade licenciada específica, não com a tecnologia genérica de tratamento.
- Corrente que não foi descrita no processo não está coberta. A borra nova que apareceu depois da troca de tinta não entra de carona no que já foi autorizado.
- Classificação errada derruba o enquadramento. Declarar como Classe IIA um resíduo que a ABNT NBR 10004 enquadra como Classe I compromete todo o processo — e a correção vem depois, com a fila já perdida.
Guarde esta separação, porque ela organiza o resto do artigo: o CADRI autoriza. Ele não prova. A prova vem depois, em outro documento.
Quatro perguntas que decidem entre CADRI individual e CADRI coletivo
Antes de comparar formatos, o gerador precisa responder quatro perguntas sobre a própria operação. Todas as respostas já existem dentro da planta — normalmente no inventário do PGRS.
1. Quantas correntes de resíduo a planta gera de fato?
Não é quantas o contrato de coleta menciona. É quantas o processo produz: lodo de estação de tratamento, embalagem contaminada, EPI saturado, sucata metálica, resíduo de varrição, material absorvente usado. Cada corrente precisa de classificação própria — Classe I, Classe IIA ou Classe IIB — com laudo que sustente o enquadramento.
2. Quantos destinadores diferentes existem na rota?
Coprocessamento em forno de cimento, incineração, aterro industrial, dessorção térmica, reciclagem e manufatura reversa são rotas distintas, em unidades distintas, com licenças distintas. Uma planta com seis correntes pode ter cinco destinadores. Esse número — e não o volume em toneladas — costuma ser o que mais pesa na conta do processo.
3. Com que frequência a rota muda?
Planta com destinação estável há anos tem um problema diferente da planta que renegocia destinador a cada ciclo de compras. Rota que muda com frequência transforma cada troca em uma nova análise de enquadramento.
4. Qual calendário manda na decisão?
Renovação de LO, auditoria de cliente, homologação de fornecedor e participação em edital não esperam a fila do protocolo. Quando existe data fixa no horizonte, o formato escolhido precisa caber no prazo — não o contrário.
Comparativo prático: quando cada formato tende a caber
Não existe formato universalmente melhor. Existe formato compatível com o desenho da operação.
- O CADRI individual tende a caber quando: a origem é um único endereço gerador, o conjunto de correntes é estável, a rota de destinação está consolidada e a empresa quer controle direto sobre cada processo — inclusive porque a área ambiental precisa apresentar o documento nominal em auditoria.
- O CADRI coletivo tende a caber quando: mais de uma origem geradora compartilha a mesma rota de destinação, os volumes por origem são pequenos demais para justificar processos separados, ou existe um conjunto de unidades sendo tratado de forma centralizada, sob a mesma coordenação técnica e documental.
Um alerta honesto: o enquadramento final é validado no protocolo junto à CETESB, a partir da descrição real da operação. O que mais devolve processo para correção não é a escolha do formato — é a operação descrita de um jeito que não corresponde ao que acontece no pátio.
Onde entra a taxa CADRI na conta — e o custo que ninguém soma
A taxa CADRI recolhida à CETESB é a parte visível do custo. É a que aparece no orçamento e a que costuma decidir a discussão com o setor de compras. Simular esse valor antes de protocolar evita a surpresa de descobrir a conta depois que o processo já está em andamento — por isso a Seven mantém uma Calculadora CADRI própria, que estima a taxa CETESB a partir dos parâmetros do processo.
O custo que quase ninguém soma é o outro: horas técnicas de quem monta o processo, caracterização e laudo de resíduo, tempo de resposta a exigência técnica e, principalmente, retrabalho. Protocolo devolvido não custa só dinheiro — custa posição na fila. Para entender a composição do valor com mais detalhe, vale consultar o material sobre quanto custa o CADRI em São Paulo e as orientações publicadas pela própria CETESB.
Três erros que fazem o gerador protocolar duas vezes
- Caracterizar por semelhança. “É parecido com o lodo da outra linha” não é classificação. Sem ensaio e laudo conforme a NBR 10004, o enquadramento é chute com aparência técnica.
- Subestimar a quantidade. Declarar volume abaixo da geração real trava a operação no meio do ano, quando o resíduo continua saindo e a autorização já se esgotou.
- Fechar o destinador antes de conferir a rota. Aterro sanitário não recebe resíduo Classe I. Resíduo perigoso vai para aterro industrial licenciado. Descobrir isso depois de assinar contrato significa refazer processo e cronograma.
CADRI autoriza. MTR e CDF provam
Esta é a parte que separa o gerador organizado do gerador exposto. O CADRI habilita a movimentação; ele não comprova que ela aconteceu. A comprovação é uma cadeia com três elos, e ela precisa fechar:
- MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) — emitido a cada movimentação;
- SIGOR/CETESB — o sistema estadual onde o manifesto do gerador paulista é registrado;
- CDF (Certificado de Destinação Final) — a confirmação de que o destinador recebeu e tratou o que foi enviado.
Some a isso a DMR e o PGRS atualizado, e o gerador tem um dossiê que sustenta renovação de licença, auditoria de cliente e homologação de fornecedor. Sem esses elos, o CADRI sozinho vira uma autorização sem histórico. Não basta destinar — é preciso provar. A responsabilidade não sai com o caminhão.
Como a Seven conduz o processo do lado do gerador
A Seven é gestora ambiental B2B, fundada em 2017 e atuante no estado de São Paulo. Ela faz a ponta operacional e documental do ciclo: classificação de resíduos e laudo conforme a ABNT NBR 10004, elaboração de PGRS, obtenção de CADRI individual e coletivo, pareceres técnicos, licenciamento ambiental (LP/LI/LO), acondicionamento, coleta e transporte com frota rastreada, sourcing de destinador licenciado e emissão e gestão de MTR, CDF/CDR e DMR.
O tratamento em si — coprocessamento, incineração, aterro industrial, dessorção térmica — ocorre em unidades de parceiros credenciados. A Seven não opera planta própria de tratamento, e isso é dito com todas as letras porque a diferença importa quando o auditor pergunta quem fez o quê.
Para o gerador, o ganho concreto está em três pontos: a decisão entre os formatos é tomada com base no inventário real, e não por tentativa; a taxa é simulada antes do protocolo; e a documentação fica acessível no Portal do Cliente (SISGR), onde a empresa acompanha coletas, solicita nova coleta e reemite documento sem depender de e-mail perdido. A atuação cobre o eixo industrial paulista — Grande São Paulo e ABC, Região Metropolitana de Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista, Sorocaba, Piracicaba, Limeira e Rio Claro, Jundiaí, Bragança Paulista e Atibaia.
Perguntas frequentes sobre CADRI coletivo e individual
O CADRI coletivo sai mais barato que o individual?
Depende do desenho da operação: número de origens, correntes envolvidas e destinadores na rota. Comparar sem simular é adivinhação. O caminho objetivo é levantar o inventário e estimar a taxa nos dois cenários antes de protocolar.
Resíduo Classe IIA ou IIB dispensa CADRI?
Não se presume dispensa. A exigência depende da corrente e do destino pretendido, e é definida no enquadramento junto à CETESB. Tratar resíduo não perigoso como automaticamente liberado é uma das origens mais comuns de exigência técnica no processo.
Troquei de destinador. O certificado continua valendo?
O vínculo é com a unidade de destino que consta no processo. Mudança de destinador exige revisão do enquadramento — mesmo que a nova unidade use exatamente a mesma tecnologia de tratamento.
O CADRI substitui o MTR?
Não. São documentos de funções diferentes: o CADRI autoriza a movimentação; o MTR registra cada transporte e alimenta o SIGOR/CETESB, fechando com o CDF. Um não cobre a ausência do outro.
Quanto tempo leva a análise?
O prazo de análise não está sob controle do gerador. O que está sob controle é a qualidade do protocolo: caracterização com laudo, quantidades coerentes com a geração real e destinador com licença conferida. Processo completo não elimina fila, mas evita a devolução que faz recomeçar.
Decida antes de protocolar
A regularidade da sua empresa começa pela rastreabilidade — e ela começa antes, na escolha do formato certo de Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental. Levante o inventário das correntes, conte os destinadores da rota e simule a taxa na Calculadora CADRI antes de abrir o processo.
Fale com a equipe técnica da Seven Resíduos para avaliar qual formato cabe no seu volume e no seu calendário de licença, e para estruturar a cadeia MTR, SIGOR/CETESB e CDF que sustenta o documento depois que ele sai. Soluções Ambientais Inteligentes.
