Quanto custa destinação de resíduo Classe I é a pergunta que o setor de compras leva ao mercado e da qual volta com três respostas incompatíveis. Mesmo resíduo, mesmo endereço de coleta, mesma quantidade estimada, e propostas com diferença difícil de justificar. A causa raramente é margem. É que cada fornecedor precificou premissas diferentes, e a proposta não torna isso visível. Este artigo abre a composição do preço por tonelada em sete fatores para que a comparação deixe de ser um exercício de confiança cega e passe a ser uma análise técnica.
Por que a mesma tonelada recebe preços tão distintos
Pela ABNT NBR 10004, resíduo Classe I é o resíduo perigoso: aquele que apresenta inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Classe I não é um item de catálogo. É uma família ampla de correntes com comportamentos físico-químicos completamente diferentes entre si: borra de tinta, lodo galvânico, solvente usado, embalagem contaminada, catalisador exaurido, lâmpada, areia de fundição contaminada, EPI impregnado.
Duas propostas para a genérica descrição resíduo Classe I podem estar falando de dois materiais que não compartilham nem rota de tratamento nem tipo de veículo. Uma delas assumiu o cenário favorável. A outra assumiu o cenário real. Quando o caminhão chega e o material não confere, o preço fechado vira aditivo, recusa de carga ou, pior, uma destinação inadequada com o nome da planta geradora no manifesto.
Os sete fatores que formam o preço por tonelada
1. Caracterização e classificação do resíduo
Tudo começa no laudo. A classificação conforme a NBR 10004 define se o material é Classe I, IIA ou IIB e, dentro do Classe I, quais características de periculosidade governam o manuseio. Sem caracterização, o fornecedor precifica por estimativa, e estimativa barata é a que mais encarece depois. Cotação sem laudo é cotação provisória. Amostragem, ensaios laboratoriais e emissão do laudo têm custo próprio, quase sempre pontual, e reduzem o custo recorrente ao eliminar o prêmio de risco embutido pelo destinador.
2. Acondicionamento
Bombona, tambor, big bag, fardo, caçamba ou contêiner não são detalhe operacional: são linha de custo. Pesa a compatibilidade química do recipiente com o resíduo, a cessão ou venda do vasilhame, a logística de retorno das embalagens vazias e o aproveitamento de carga. Resíduo pastoso em tambor ocupa espaço que resíduo granel não ocuparia. O mesmo material, mal acondicionado, viaja com metade da capacidade útil do veículo e dobra o custo por tonelada.
3. Distância até o destinador licenciado
O frete responde por uma fatia relevante do preço coleta de resíduos industriais, e a distância que importa não é até a transportadora: é até a unidade licenciada que efetivamente recebe aquela corrente. Nem todo destinador aceita todo resíduo perigoso. Uma planta em Sorocaba, no Vale do Paraíba ou na Baixada Santista pode ter rota curta para uma corrente e rota longa para outra. Conta também o tipo de veículo exigido, a carga fracionada versus a dedicada e o tempo de espera para carregamento dentro da planta.
4. Rota de tratamento
Aqui mora a maior variação de preço. As rotas usuais para Classe I são coprocessamento em fornos de cimento, incineração, aterro industrial licenciado, dessorção térmica, tratamento em ETE e descaracterização com recuperação de materiais. O custo de coprocessamento depende da aceitação técnica do resíduo pelo forno: poder calorífico, teor de cloro, umidade, presença de metais e granulometria. Um resíduo com bom poder calorífico é insumo energético e tende a ser mais competitivo. Um resíduo úmido, clorado ou inorgânico não entra nessa rota e migra para incineração ou aterro industrial, com outro patamar de preço.
Vale a regra que muito orçamento ignora: aterro sanitário não recebe resíduo Classe I. Resíduo perigoso vai para aterro industrial licenciado. Proposta que sugere o contrário está errada antes mesmo de ser cara.
5. Frequência e volume por coleta
Coleta programada tem preço diferente de coleta emergencial. Volume consolidado tem preço diferente de retirada fracionada. Muita planta paga caro porque chama o caminhão quando a área de armazenamento temporário estoura, e não quando a logística é eficiente. Dimensionar o abrigo de resíduos e o calendário de coleta é uma alavanca de orçamento gestão de resíduos que não depende de negociar centavos por tonelada: depende de organizar a geração.
6. Documentação e licenciamento
Documento não é burocracia acessória: é parte do serviço e tem custo. Entram aqui a obtenção do CADRI junto à CETESB, individual ou coletivo, com a respectiva taxa; a emissão e a gestão do MTR no sistema SIGOR/CETESB; a emissão do CDF/CDR pelo destinador; a DMR; e a manutenção do PGRS exigido pela Lei 12.305/2010. Proposta que não discrimina a gestão documental está apenas transferindo esse trabalho para a equipe interna do gerador, ou deixando o processo sem cobertura.
7. Risco e passivo do gerador
O sétimo fator não aparece na planilha do fornecedor, mas aparece no balanço do gerador. A responsabilidade é compartilhada e não termina no portão da fábrica. Destinação irregular expõe a empresa a autuação e multa nos termos da Lei 9.605/1998 e do Decreto 6.514/2008, além de travar renovação de licença, reprovar auditoria de cliente, barrar homologação de fornecedor e acender alerta em due diligence. Contratar o mais barato sem lastro documental é antecipar receita de caixa e postergar passivo.
O menor preço sem lastro é o mais caro
Existe um padrão reconhecível na proposta barata demais: descrição genérica do resíduo, ausência de laudo, rota de tratamento não nomeada, destinador não identificado, silêncio sobre CADRI e sobre a emissão do CDF. Cada uma dessas omissões é um custo que foi retirado da planilha, não do processo.
A cadeia de prova de uma destinação regular em São Paulo é objetiva: MTR emitido no SIGOR/CETESB, transporte executado, recebimento pelo destinador licenciado e CDF emitido no encerramento. Se a proposta não explica quem emite cada peça e em que prazo, o preço por tonelada não está completo. Não basta destinar. É preciso provar.
Como pedir uma cotação de destinação Classe I que dê para comparar
- Descreva a corrente, não a classe. Informe processo de origem, aspecto físico, teor de umidade e principais contaminantes.
- Anexe o laudo de classificação conforme a NBR 10004 ou contrate a caracterização antes de cotar.
- Exija a rota de tratamento nomeada e a identificação do destinador licenciado.
- Separe as linhas do preço: acondicionamento, transporte, tratamento e documentação.
- Confirme quem emite o MTR, o CDF/CDR e quem responde pelo CADRI aplicável à movimentação.
- Peça a mesma premissa de frequência e volume a todos os concorrentes. Sem isso, a comparação é ilusória.
Perguntas frequentes
Existe preço de tabela por tonelada para resíduo Classe I
Não. O preço se forma na combinação dos sete fatores acima. Qualquer valor fechado antes da caracterização é estimativa sujeita a revisão.
A taxa do CADRI está incluída no preço da coleta
Depende do contrato. CADRI é um certificado emitido pela CETESB com taxa própria, e a Seven disponibiliza uma calculadora de CADRI para estimar esse componente antes da contratação.
Coprocessamento é sempre mais barato que incineração
Não necessariamente. O coprocessamento costuma ser competitivo quando o resíduo tem aceitação técnica no forno. Sem esse enquadramento, a rota correta é outra, e comparar as duas pelo preço isolado leva a decisão errada.
Trocar de fornecedor apenas por preço traz risco
Traz, quando a economia vem da supressão de etapas documentais. A pergunta útil não é qual proposta é a mais barata, e sim qual proposta entrega a mesma prova ao final do ciclo.
Peça uma cotação com a composição aberta
A Seven Resíduos atua desde 2017 no estado de São Paulo na ponta operacional e documental do ciclo: classificação e laudo conforme a NBR 10004, elaboração de PGRS, acondicionamento, coleta e transporte com frota rastreada, sourcing de destinador licenciado, obtenção de CADRI e gestão de MTR, CDF/CDR e DMR. O tratamento ocorre em unidades de parceiros credenciados, com a rota definida pela caracterização do resíduo, e o acompanhamento fica disponível no Portal do Cliente, onde o gerador consulta coletas e reemite documentos.
Envie a descrição das suas correntes Classe I e receba uma cotação com cada fator de custo discriminado, para comparar propostas com critério técnico em vez de comparar apenas o valor final.
Seven Resíduos. Soluções Ambientais Inteligentes.
