Toner e cartucho na fábrica: coleta e destinação certificada

Toner e cartucho na fábrica: coleta e destinação certificada

O toner que ninguém vê: o almoxarifado esquecido do escritório fabril

Patrícia é gerente de TI numa planta multinacional de bens de consumo em Salvador. Em fevereiro de 2026, abriu um almoxarifado que ninguém mexia há quatro anos. Encontrou 3.800 cartuchos e toners empilhados em caixas, sacolas e prateleiras. Marcas misturadas, sem identificação, sem manifesto. A planilha antiga estimava 1.200 unidades — a contagem real foi triplo.

Na mesma semana, Rodrigo, gerente de meio-ambiente, recebeu cobrança do Carrefour. A auditoria CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) passou a pedir rastreabilidade do escritório, não só do chão de fábrica. O toner virou item de auditoria — manifesto, peso por marca e destinação final em 30 dias.

O cenário não é exclusivo de Salvador. Toda planta industrial brasileira com escritório, laboratório, P&D ou expedição gera o mesmo fluxo. Pequeno por unidade, grande no acumulado. Em uma planta de 250 funcionários, são 12 a 28 cartuchos por mês. Em quatro anos sem rotina de coleta, vira passivo Classe I de duas a três toneladas. Esta é a história de como a Seven organizou o fluxo, devolveu receita ao gerador e entregou rastreabilidade auditável.

Por que toner é Classe I (e não é só plástico)

À primeira vista, um cartucho de toner parece plástico ABS comum. Não é. Cerca de 95% dos toners industriais entram na Classe I da NBR 10004 (ABNT). Três motivos.

Primeiro, o toner em pó residual aderente. Mesmo um cartucho “vazio” guarda 1% a 3% de pó — carbono, óxido de ferro, resina sintética e, em alguns casos, magnetita de controle de carga. Pó fino, inalável. Pequenas quantidades multiplicadas por centenas viram quilos de matéria perigosa.

Segundo, o chip eletrônico. Quase todos os modelos modernos têm chip de identificação, contatos elétricos e às vezes bateria CMOS. A logística reversa de eletroeletrônicos do Decreto 11.044/2022 alcança esse item.

Terceiro, a tinta líquida nos cartuchos jato. Combina corante azoico, pigmento, solvente, álcool isopropílico e conservante. Mistura líquida com solvente também é Classe I. Quando vaza, contamina papelão e solo na hora.

Conclusão: cartucho e toner usados precisam de coleta de resíduos com manifesto rastreável, não caçamba comum.

Cinco tipos de cartucho e toner na sua planta industrial

Antes da coleta, vale mapear o que circula. Existem cinco categorias principais de cartucho e toner numa planta industrial brasileira.

Toner laser preto é o mais comum. Aparece em impressoras de escritório, sala de controle do Centro de Controle de Motores (CCM), recepção e supervisão de turno. Vida útil de 1.500 a 25.000 páginas. Marcas HP, Canon, Brother, Xerox, Samsung, Lexmark, Ricoh, Kyocera, Sharp, Konica Minolta e Pantum.

Toner laser colorido (CMYK) vem em quatro cartuchos: cyan, magenta, yellow e black. Atende apresentações comerciais, manuais técnicos e folhas de processo coloridas. Vida de 1.000 a 12.000 páginas.

Cartucho de jato de tinta alimenta pequenos escritórios, ambulatório fabril, recursos humanos e algumas impressoras térmicas portáteis. Vida curta, de 200 a 1.000 páginas.

Cartucho de impressora de etiqueta e código de barras roda no chão de fábrica, na expedição e no armazém. Marcas Zebra, Datamax, Honeywell, TSC, SATO, Argox, Toshiba TEC e Avery Dennison. O consumível é um ribbon (fita) de cera, resina e poliéster.

Cartucho de plotter A0 ou A1 sustenta engenharia e P&D. HP DesignJet, Canon imagePROGRAF e Epson SureColor são as linhas mais vistas. Vida de 50 a 500 metros quadrados por cartucho.

Cada categoria tem rota de retorno distinta. Por isso a segregação na origem é determinante.

A receita escondida: programas de retorno dos fabricantes

Aqui está o segredo que pouca gente conhece. Os fabricantes de impressora mantêm programas próprios de logística reversa. Em vários casos, eles pagam o frete e ainda devolvem crédito ao gerador. A faixa de receita vai de R$ 8 a R$ 58 por unidade, dependendo do modelo e da linha. Para uma planta com volume mensal de 25 a 60 cartuchos, isso vira número relevante no fim do ano fiscal.

HP opera o Planet Partners (frete reverso gratuito no Brasil). Canon mantém o Cartridge Returns Program. Epson tem o Return Program. Brother roda o Brother Recycle. Xerox usa o Green World Alliance. Lexmark conduz o Cartridge Collection. Ricoh mantém o Comet Circle. Kyocera oferece o Kyocera Care. Cada programa tem regra própria de embalagem, etiqueta e janela de coleta.

O problema é simples: para usar esses programas, o gerador precisa segregar por marca, identificar modelo e emitir documentação. Caixa única misturada não entra. Por isso muita planta perde a receita sem nem saber que ela existia. O cartucho mais novo, com chip ativo e selo íntegro, vale mais. O cartucho remanufaturado, em geral, paga menos.

Quando precisa de reciclador licenciado: os órfãos

Nem todo cartucho tem programa de fabricante ativo. Existem três cenários órfãos. Cartucho de marca extinta (algum modelo antigo de Samsung impressora descontinuada, por exemplo). Cartucho genérico ou compatível remanufaturado por terceiros. Cartucho com selo de retorno expirado ou modelo fora do catálogo atual.

Nesses casos, a rota é o reciclador licenciado para Classe I, com licença do órgão estadual de meio-ambiente. A receita cai um pouco (R$ 1,80 a R$ 12 por quilo), mas mantém a destinação certificada e o Certificado de Destinação Final (CDF) na mão. Em algumas plantas, os órfãos somam até 30% do volume total. Ignorá-los significa perder rastreabilidade exatamente no item que o fiscal mais costuma checar primeiro.

Seven faz essa triagem por marca e linha. Cartucho com programa ativo vai para o fabricante. Órfão vai para reciclador credenciado. O gerador recebe um CDF único consolidado, com peso por categoria, modalidade de tratamento e número da licença ativa do destinador.

Os riscos de quem joga toner na caçamba

Descartar cartucho na caçamba comum custa caro. A Lei 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e o Decreto 6.514 de 2008 preveem multas que vão de R$ 100 mil a R$ 50 milhões para descarte irregular de resíduo perigoso. A planta também pode receber auto da CETESB em São Paulo, do INEMA na Bahia ou do IBAMA em escala federal.

Existe ainda a responsabilidade solidária da Lei 6.938, artigo 14, parágrafo primeiro. Se o sucateiro contratado for irregular, a planta geradora responde igual. A licença do destinador precisa ser conferida. Veja como conferir a licença do destinador antes da contratação.

Some-se a isso a exposição respiratória do toner em pó (regulada pela norma de saúde ocupacional NR-32 e pelo Programa de Gerenciamento de Riscos da NR-9). E a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei 13.709) também entra em cena: impressora multifuncional pode armazenar imagens de documentos no chip interno. Descartar sem destruição lógica vira incidente de dados.

Quem precisa olhar: TI, escritório, P&D e expedição

O cartucho usado não tem dono óbvio na fábrica. Por isso acumula. TI cuida da impressora, mas perde o rastro do cartucho. Meio-ambiente cuida do resíduo, mas não conhece o programa do fabricante. Compras vê só o consumível novo entrando.

A solução é responsabilidade compartilhada com nome, prazo e indicador. TI mantém inventário de impressoras. Compras registra o ciclo. Meio-ambiente gerencia a destinação com rastreabilidade. Expedição organiza a caixa de retorno por marca.

Sem os quatro conversando, o passivo cresce. Basta reunião mensal de 30 minutos e planilha compartilhada para evitar o cenário Patrícia.

As seis etapas da coleta Seven com retorno ao fabricante

Seven Resíduos estruturou a coleta em seis etapas reproduzíveis em qualquer planta.

1. Inventário. Identifica modelo, marca e linha de cada cartucho retirado. Separa pelo programa de retorno correspondente.

2. Segregação na origem. Cada andar recebe uma caixa identificada por marca, com aviso “Cartucho/toner usado — Classe I”. Pátio coberto, seco, ventilado.

3. Coleta agendada. Seven pesa, identifica e emite o MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos) no SINIR (Sistema Nacional de Informações). Transporte conforme Resolução 5.848 da ANTT.

4. Roteamento por marca. HP para Planet Partners (gratuito). Canon, Cartridge Returns. Epson, Return Program. Brother, Xerox, Lexmark, Ricoh e Kyocera seguem rotas próprias. Órfãos e genéricos vão para reciclador licenciado.

5. Desmontagem em centro credenciado. Parceiro com licença Classe I desmonta. Plástico ABS para reciclador secundário. Toner em pó para coproc (CONAMA 499) ou incineração (CONAMA 316). Chip eletrônico segue rota de eletroeletrônico.

6. Disclosure. Seven emite o CDF (Certificado de Destinação Final) rastreável por marca e kg. Integra CTF, RAPP, ABREE e CSRD (ESRS E5).

Caso real: Patrícia, Rodrigo e a planta da Bahia

A planta multinacional de bens de consumo em Salvador tem 880 funcionários — escritório, P&D químico, lab de QA, expedição, manutenção e CCM. Gera ~1.020 unidades/ano (42 toners laser/mês+8 CMYK+12 jato+18 Zebra etiqueta+3 plotter).

Patrícia e Rodrigo enfrentaram três obstáculos. Primeiro, 3.800 unidades acumuladas em 4 anos no almoxarifado. Segundo, auditoria CSRD do Carrefour pedindo Scope 3 cat 5 do escritório. Terceiro, tentativa anterior via revendedora sem MTR — material sumiu do radar.

A Seven entrou em três passos. Inventário das 3.800 unidades em oito caixas por marca. Roteamento aos programas: 1.420 HP Planet Partners, 380 Canon, 220 Epson, 580 demais marcas, 380 órfãos para reciclador licenciado da rede destinadores Seven. Ciclo recorrente do fluxo mensal.

Resultado primeiro ano: R$ 22.400 retorno fabricante+R$ 2.840 reciclador+custo zero coleta+CDF rastreável CSRD ao Carrefour+laudo NR-32+ABREE notificada via logística reversa de eletroeletrônicos. EcoVadis Silver→Gold. Carrefour manteve sourcing. Zero auto.

O que conecta com ESG: CSRD, EcoVadis, CDP

A coleta certificada de toner virou item de auditoria porque é a parte visível do escritório administrativo. A CSRD europeia, em vigor desde 2024, cobra Resource Use e Circular Economy (ESRS E5) e relatórios de Scope 3 categoria 5 sob a norma internacional IFRS S2. EcoVadis pontua a rastreabilidade documental. CDP Climate Change cruza com a pegada de carbono do escritório. Veja como resíduos emitem carbono no Scope 3 categoria 5.

O auditor europeu costuma pedir três evidências básicas. Manifesto MTR com data e peso. Certificado de Destinação Final com licença do destinador anexada. Carta do programa de retorno do fabricante. Sem o conjunto completo, a planta cai uma faixa na nota EcoVadis. Sem CDF rastreável por marca, o gerador perde a métrica. E o cliente europeu desclassifica sem aviso prévio.

Tabela: programas dos fabricantes por marca

Fabricante Programa de retorno Frete reverso Receita ao gerador Tipos cobertos Aplicação Seven
HP Planet Partners Gratuito R$ 12 a R$ 58 por unidade Toner laser, cartucho jato, plotter DesignJet Rota primária da maioria das plantas
Canon Cartridge Returns Gratuito R$ 10 a R$ 42 por unidade Toner laser, jato, plotter imagePROGRAF Segunda rota mais comum
Epson Epson Return Program Gratuito R$ 8 a R$ 28 por unidade Cartucho jato, SureColor Comum em P&D e engenharia
Brother Brother Recycle Gratuito R$ 10 a R$ 35 por unidade Toner laser, jato Pequeno escritório e ambulatório
Xerox Green World Alliance Gratuito R$ 14 a R$ 48 por unidade Toner laser monocromático e CMYK Sala de controle e CCM
Lexmark Cartridge Collection Gratuito R$ 12 a R$ 40 por unidade Toner laser Escritório de média porte
Ricoh Comet Circle Gratuito R$ 14 a R$ 45 por unidade Toner laser, multifuncional Recepção e supervisão
Kyocera Kyocera Care Gratuito R$ 16 a R$ 52 por unidade Toner cerâmico de longa duração Escritório de alto volume
Órfãos e genéricos Reciclador licenciado Classe I Cotação por carga R$ 1,80 a R$ 12 por quilo Marca extinta, compatível, remanufaturado Rota residual com CDF

FAQ — Coleta de toner e cartucho industrial

Cartucho de toner usado é mesmo Classe I segundo a NBR 10004?

Sim. Cerca de 95% dos toners industriais entram como Classe I pela presença de toner residual em pó (carbono, óxido de ferro, resina sintética) e chip eletrônico. A coleta exige manifesto MTR e Certificado de Destinação Final rastreado.

Os programas de retorno dos fabricantes são realmente gratuitos?

Sim. HP Planet Partners, Canon Cartridge Returns, Epson Return Program e os demais cobrem o frete reverso no Brasil sem custo. O gerador precisa segregar por marca, identificar modelo e gerar a documentação. Misturado, o programa não aceita.

Cartucho de toner exige MTR e CDF mesmo com programa do fabricante?

Sim. O programa do fabricante absorve o transporte, mas o gerador continua obrigado a emitir o Manifesto de Transporte de Resíduos pelo SINIR e arquivar o Certificado de Destinação Final. Sem isso, a auditoria CSRD não valida.

O que fazer com cartucho genérico, compatível ou de marca extinta?

Esses são os órfãos. Vão para reciclador licenciado Classe I credenciado, com licença estadual ativa. Receita de R$ 1,80 a R$ 12 por quilo, dependendo do plástico ABS recuperado. Seven faz a triagem e mantém o CDF consolidado.

Impressora multifuncional armazena dados protegidos pela LGPD?

Sim. O chip interno pode reter imagens de documentos digitalizados, listas de impressão e credenciais de rede. Antes do descarte do equipamento ou troca de empresa, vale executar destruição lógica do chip. Seven inclui esse procedimento no inventário inicial.

Conclusão

Toner e cartucho usados são o resíduo industrial menos visível da fábrica. Acumulam no escritório, sala de controle, expedição e engenharia, até a auditoria CSRD ou a fiscalização ambiental abrir o almoxarifado.

A Seven faz a coleta certificada com inventário por marca, roteamento pelos programas de fabricante, reciclador licenciado para órfãos, MTR no SINIR e CDF integrado ao relatório. Sua planta recupera receita, mantém o cliente europeu e zera passivo Classe I no mesmo ciclo.

Solicite uma coleta de toner e cartucho da sua planta. A primeira visita técnica vem com inventário das impressoras, levantamento de marcas e modelos e cronograma da primeira coleta.

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