ESRS E3 Água e CSRD: Guia para Indústria Brasileira Hídrica

ESRS E3 Água e CSRD: Guia para Indústria Brasileira Hídrica

A norma ESRS E3 Water and Marine Resources (European Sustainability Reporting Standard sobre água e recursos marinhos), publicada pela EFRAG (European Financial Reporting Advisory Group) e exigida pela CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive da União Europeia), alcança em 2025 e 2026 milhares de empresas europeias e suas filiais — incluindo subsidiárias brasileiras de matrizes alemãs, francesas, italianas e holandesas. Para o gestor ESG de indústria hídrico-intensiva — química, papel e celulose, têxtil tinturaria, siderurgia, alimentos e bebidas, mineração ou agroindústria — a notícia é dupla: ou sua planta integra grupo europeu obrigado a consolidar dados, ou o cliente B2B europeu vai pedir os mesmos números.

Três desafios dominam a primeira reunião. Primeiro, plantas brasileiras medem bem captação outorgada, mas medem mal consumption (consumo perdido por evaporação, incorporação ou contaminação) e quase nunca medem reuse interno em cascata. Segundo, a localização em bacias estressadas — Alto Tietê, Paraíba do Sul, Cubatão, Vale do Aço, semi-árido NE — passa a importar para o relatório. Terceiro, ESRS E3 conversa com, mas não substitui, PNRH Lei 9.433/1997, ANA, CONAMA 357/2005, CONAMA 430/2011 e Marco Saneamento. Este guia destrincha os cinco disclosures e o protocolo Seven em cinco etapas.

ESRS E3 dentro da série E1, E2, E3, E4 e E5

A CSRD organiza relatórios ambientais em cinco normas paralelas regidas pela double materiality (dupla materialidade — impacto da empresa sobre o tema e impacto financeiro do tema sobre a empresa). ESRS E1 trata de clima; E2, de poluição; E3, de água e recursos marinhos; E4, de biodiversidade; E5, de circularidade. Operam encadeadas, mas exigem disclosures próprios — não há atalho que permita reportar E5 e considerar E3 coberto. A Seven já abordou as normas vizinhas em ESRS E5 e economia circular, ESRS E1 descarbonização e ESRS E2 poluição, fechando agora o conjunto E1+E2+E3+E5.

ESRS E3 alinha-se também com IFRS S1 e S2 relato financeiro — que pede quantificação de risco hídrico físico — e com GRI 303 água e efluentes. Dados coletados para GRI 303 cobrem 70 a 80 por cento do que ESRS E3 exige, com complementos focados em risco financeiro e bacia.

Os cinco disclosures E3-1 a E3-5

E3-1 descreve políticas para gerir impactos sobre água e oceanos, riscos e oportunidades — captação, descarte, reuso, engajamento com bacia. E3-2 detalha ações concretas (reuso, modernização de ETE, monitoramento) e recursos alocados. E3-3 apresenta metas mensuráveis — redução de captação por tonelada, percentual de reuso, conformidade de descarga — preferencialmente alinhadas ao SBTN water target.

E3-4 é o disclosure quantitativo central: water withdrawal (captação) por tipo de fonte (superficial, subterrânea, pública, marinha, produzida), water consumption (consumo perdido), water discharge (descarga no corpo receptor) e water reuse (reuso interno), tudo segregado entre áreas de baseline water stress alto e muito alto conforme WRI Aqueduct, mais a intensidade hídrica em metros cúbicos por tonelada de produto. E3-5 estima efeitos financeiros antecipados — receita perdida em seca, multas, capital extra para resiliência e oportunidades de OPEX via reuso. Os dois últimos é onde a maioria tropeça.

As quatro categorias de uso de água industrial

Categoria Definição ESRS E3 Sub-medição Base de medição BR
Withdrawal captação Volume retirado de qualquer fonte Por fonte (superficial/subterrânea/pública/marinha) Hidrômetro, outorga ANA
Withdrawal terceirizada Compra de concessionária/SAAE Volume e tarifa Fatura mensal
Consumption evaporação Perda em torre de resfriamento Balanço térmico ASHRAE, fabricante
Consumption incorporação Água que vira parte do produto Produção × teor de água Lista de materiais (BOM)
Consumption contaminação Não recuperável Balanço de massa Laudo de processo
Discharge corpo receptor Lançamento em rio, estuário, mar Volume + parâmetros CONAMA 430 Outorga lançamento, ART/CREA
Discharge rede pública Descarga em rede coletora Volume + DBO/DQO Hidrômetro + laudo
Reuse cascata Efluente A vira insumo do processo B Volume por par origem-destino Medidor dedicado
Reuse polimento avançado Osmose reversa, ultrafiltração, UV Volume com qualidade superior Painel da ETE

A diferença para o relatório de outorga estadual é grande: o estado pede captação e lançamento; ESRS E3 pede também o que evapora, o que incorpora, o que retorna em cascata e o que passa por polimento.

Sete setores brasileiros e seu uso típico de água

Setor Consumo (m³/ton produto) Disclosure E3 sensível Meta SBTN típica
Química especialidade 8 a 25 E3-4 consumption + E3-5 risco Redução 25 a 40 por cento intensidade até 2030
Papel e celulose 30 a 70 E3-4 withdrawal superficial Reuso interno acima de 80 por cento
Têxtil tinturaria 100 a 250 E3-4 discharge + E3-2 ações Reuso pós-osmose acima de 50 por cento
Siderurgia integrada 4 a 20 E3-4 consumption torre Recirculação acima de 95 por cento
Alimentos e bebidas 3 a 15 E3-4 incorporação + E3-3 metas Captação outorga estável
Mineração 8 a 80 E3-4 consumption barragem Zero descarte em algumas operações
Agroindústria sucroalcooleira 0,8 a 1,8 (ton cana) E3-4 reuso fertirrigação Captação líquida zero

Os números são faixas setoriais e devem ser confirmados pelo balanço da própria planta. ESRS E3 obriga a reportar a intensidade real, e não a média setorial.

WRI Aqueduct e a localização de risco hídrico

O WRI Aqueduct (World Resources Institute Water Risk Atlas) é a base geoespacial pública adotada pelo ESRS E3 para classificar cada local em níveis de baseline water stress (baixo, médio, alto, extremamente alto). No Brasil, os polígonos de estresse alto e extremamente alto cobrem o Alto Tietê metropolitano, o Paraíba do Sul, o Vale do Aço mineiro, Cubatão, Camaçari, o semi-árido nordestino e amplas áreas sucroalcooleiras de PE e AL. A consulta é gratuita em wri.org/aqueduct.

A leitura do mapa não basta. ESRS E3 espera o cruzamento entre estresse de bacia e impacto próprio: 50 mil m³ em bacia extremamente estressada são materialmente diferentes do mesmo volume em bacia de baixo estresse. A norma EFRAG ESRS E3 traz critérios de proporcionalidade. Recomenda-se também o Atlas Águas da ANA e os planos de bacia locais.

SBTN water target — meta ciência-baseada por bacia

A SBTN (Science Based Targets Network) estendeu a lógica do SBTi (clima) para água, terra, oceanos e biodiversidade. O componente water exige metas alinhadas à capacidade ecológica da bacia onde a empresa opera, e não a uma média global. Diferente do SBTi clima — percentual absoluto de redução de emissões — o SBTN water mistura metas de quantidade (captação compatível com vazão ecológica) e qualidade (cargas, oxigênio dissolvido, contaminantes). Detalhes em sciencebasedtargetsnetwork.org.

Na prática brasileira, alinhar-se ao SBTN exige sobrepor o uso da planta ao plano de bacia (CBH ou estadual), comparar com vazões de referência Q90 ou Q95 e definir trajetória até 2030 ou 2035. A Seven detalha o processo em metas científicas SBTN para indústria. O alinhamento entre E3-3, SBTN e plano de bacia satisfaz CSRD, investidor e regulador em uma só narrativa.

CDP Water Security e o questionário do investidor

O CDP Water Security é questionário voluntário anual da CDP (antiga Carbon Disclosure Project), respondido por mais de 4 mil empresas e usado por investidores institucionais e compradores B2B na due diligence de fornecedor. A pontuação vai de A (liderança) a D-, com F para quem ignora a solicitação. Detalhes em cdp.net/en/water.

A pressão é dupla: investidor europeu cobra a resposta como sinal de qualidade de gestão e cliente B2B inclui a pontuação no scorecard de fornecedor — empresas com C ou inferior podem perder pontos relevantes em concorrências. O questionário CDP cobre 70 a 80 por cento dos disclosures ESRS E3, o que torna prático preparar uma única base de dados, conectando com due diligence ESG de fornecedor industrial.

Conexão com PNRH, ANA, CONAMA 357/430 e Marco Saneamento

ESRS E3 não substitui o ecossistema regulatório brasileiro — sobrepõe-se a ele. A PNRH (Política Nacional de Recursos Hídricos), Lei 9.433/1997, disponível em planalto.gov.br, criou outorga de captação e lançamento, cobrança pelo uso da água e plano de bacia. A ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) emite outorgas federais e harmoniza com agências estaduais. CONAMA 357/2005 classifica corpos hídricos em classes 1 a 4; CONAMA 430/2011 fixa padrões de lançamento de efluentes. O Marco Saneamento (Lei 14.026/2020), explorado em Marco Saneamento e gestão hídrica industrial, reorganiza concessões.

Para ESRS E3, esses instrumentos viram fontes de evidência. A outorga é evidência de captação legal; o laudo CONAMA 430 é evidência de qualidade do lançamento; a cobrança ANA entra como efeito financeiro em E3-5; a ART/CREA do engenheiro responsável pela ETE é evidência de governança. Veja também outorga de uso de água para indústria e tratamento de efluentes ABNT NBR 13969. O dossiê deve consolidar essas peças em narrativa única.

Protocolo Seven em cinco etapas

Etapa 1, inventário hídrico: mapear withdrawal, consumption, discharge e reuse por unidade e por bacia, com hidrômetros, balanços de massa e telemetria — resolve E3-4 e parte de E3-1. Etapa 2, mapeamento WRI Aqueduct cruzado com bacia BR: sobrepor cada planta ao Aqueduct e ao Atlas Águas ANA, classificando estresse e identificando bacias críticas. Etapa 3, metas SBTN-aligned por bacia: desenhar trajetórias 2030 e 2035 alinhadas ao SBTN water target e ao plano de bacia local, satisfazendo E3-3.

Etapa 4, estratégia de reuso em três níveis: reuso direto (cascata simples), polimento avançado (osmose reversa + ultrafiltração + ultravioleta) e reuso potável certificado (raro). Etapa 5, dossiê integrado: consolidar ESRS E3, IFRS S1 e S2, GRI 303 e CDP Water Security em base única. O residual risk (risco residual após mitigação) deve aparecer explicitamente para o limited assurance da CSRD.

Caso ilustrativo: química especialidade BR filial UE

Uma fabricante de aditivos químicos, filial de matriz alemã, contratou a Seven para o primeiro ciclo ESRS E3 com prazo CSRD 2025. O inventário mapeou 14 fluxos: 3 captações outorgadas (1 superficial classe 2, 2 poços), 1 compra municipal, 4 fluxos de consumption (2 torres, 1 incorporação ao produto, 1 contaminação não recuperável), 3 descargas (2 ETE para corpo receptor, 1 efluente especial externo) e 3 reusos (cascata processo-jardim, polimento osmose para caldeira, retorno torre).

O cruzamento com o WRI Aqueduct classificou o site em baseline water stress alto (Alto Tietê). A meta SBTN-aligned 2030 ficou em redução de 32 por cento na captação por tonelada, com 55 por cento de reuso interno mínimo. O dossiê foi consolidado conforme protocolo Seven de gestão hídrica, auditado pela big four indicada pela matriz, com limited assurance no primeiro ciclo. O resultado abriu acesso a tarifas de financiamento sustentável e antecipou em 18 meses a resposta exigida pelo principal cliente B2B francês.

Perguntas frequentes

Minha planta brasileira é obrigada a reportar ESRS E3? Diretamente, se for filial de grupo europeu sob CSRD a partir de 2025. Indiretamente, se vender para cliente B2B europeu. Em ambos, prepare a base já em 2026.

Posso usar dados da minha outorga ANA como base do E3-4? Parcialmente. A outorga cobre captação e lançamento, não cobre consumption nem reuse interno. Você precisa de balanço de massa e telemetria adicionais.

SBTN water target é igual ao SBTi clima? Não. SBTi mira gases de efeito estufa com meta global. SBTN water mira a capacidade ecológica de cada bacia, com metas locais de quantidade e qualidade.

CDP Water Security é obrigatório? Não. É voluntário, mas amplamente cobrado por investidores e compradores B2B europeus. Quem ignora recebe nota F automática, prejudicando concorrências.

Reuso direto resolve sozinho o E3-3? Raramente. Cobre apenas processos de baixa exigência. Para metas agressivas é preciso polimento avançado com osmose reversa, ultrafiltração e ultravioleta.

Pronto para iniciar o seu inventário ESRS E3?

A Seven Resíduos conduz o protocolo completo de gestão hídrica industrial alinhada à ESRS E3, ao SBTN water target, ao CDP Water Security, ao GRI 303 e ao ecossistema regulatório brasileiro PNRH, ANA e CONAMA. Mapeamos withdrawal, consumption, discharge e reuse por unidade e por bacia, cruzamos com o WRI Aqueduct e entregamos o dossiê integrado pronto para a auditoria CSRD limited assurance da matriz europeia ou para o questionário do seu cliente B2B. Fale com nosso time pelo formulário de contato Seven Resíduos e antecipe o seu primeiro ciclo de relato hídrico CSRD com método e rastreabilidade.

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