Gestão de Resíduos Industriais em Santos e Baixada Santista: Obrigações para o Polo Portuário e Petroquímico
Santos abriga o maior porto da América Latina e Cubatão concentra um dos polos petroquímicos mais densos do Brasil — com a Braskem, Unipar, Solvay e a Usiminas operando na mesma região. A Baixada Santista tem um histórico peculiar: nos anos 80, Cubatão foi considerada a “cidade mais poluída do mundo”, o que gerou o Programa de Controle da Poluição de Cubatão da CETESB em 1983, ainda ativo. Hoje, a fiscalização ambiental na região é uma das mais rigorosas do país.
Este guia explica como a gestão de resíduos industriais deve ser estruturada em Santos, Cubatão, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Bertioga, Itanhaém, Peruíbe e Mongaguá — cobrindo obrigações legais, particularidades do polo portuário e custos típicos.
Por que Santos e Baixada Santista exigem atenção máxima
A Baixada Santista combina três vetores críticos de geração de resíduos: o polo petroquímico de Cubatão, o complexo portuário de Santos (com terminais de granéis químicos, fertilizantes e combustíveis) e a siderurgia (Usiminas Cubatão). Cada vetor tem um perfil de resíduo distinto e exige CADRIs específicos.
| Setor | Municípios-polo | Resíduos típicos Classe I | Resíduos típicos Classe II |
|---|---|---|---|
| Petroquímico | Cubatão (Braskem, Unipar, Solvay) | Catalisadores exaustos, borras oleosas K051/K052, solventes, efluentes ácidos | Embalagens limpas, sucata metálica |
| Siderurgia | Cubatão (Usiminas) | Pó de aciaria (K061), lamas com metais pesados, escórias contaminadas, OLUC | Sucata ferrosa, cavaco limpo |
| Portuário | Santos, Guarujá | Resíduos MARPOL de navios, óleos usados, embalagens de agroquímicos, granéis químicos derramados | Papel, plástico, resíduos de escritório |
| Logística / armazéns alfandegados | Santos, Cubatão | OLUC de empilhadeiras, filtros, baterias industriais | Pallets, papelão, plástico |
| Fertilizantes | Cubatão | Lamas de tratamento, catalisadores, embalagens contaminadas | Sucata, papel |
| Industria diversa (Baixada Santista) | São Vicente, Praia Grande | Resíduos químicos, eletrônicos, de manutenção | Papel, plástico, orgânicos |
A classificação pela NBR 10004 é o primeiro passo obrigatório. No polo petroquímico de Cubatão, um mesmo processo pode gerar resíduos com códigos K051 (lamas de refino com benzeno) e K052 (lamas API) — ambos Classe I com rotas de destinação distintas.
Obrigações legais das indústrias na Baixada Santista
O tripé documental da gestão de resíduos em Santos e Cubatão é mais exigente do que em outras regiões de SP devido ao histórico de Cubatão e ao risco ambiental do complexo portuário. Além do PGRS, CADRI e MTR padrão, há particularidades regionais.
PGRS com atenção a cadeia portuária
O PGRS é obrigatório conforme a Lei 12.305/2010 (PNRS) para todas as indústrias e terminais portuários da região. No porto de Santos, há exigência adicional de PGRS específico por terminal, integrado ao plano de contingência portuária da Autoridade Portuária de Santos (APS).
Empresas que operam dentro da área portuária (retroportos, terminais alfandegados, armazéns de granéis) precisam alinhar seu PGRS com:
- Programa de Controle da Poluição de Cubatão (CETESB, 1983)
- Convenção MARPOL 73/78 (Anexos I, II, IV e V) para resíduos oleosos, químicos, de esgoto e sólidos
- Resolução ANTAQ 2.239/2011 para resíduos gerados por navios atracados
CADRI no contexto petroquímico
O CADRI é especialmente crítico para o polo de Cubatão. Catalisadores exaustos, borras oleosas e efluentes ácidos exigem CADRIs específicos por tipo, e a Braskem ou Usiminas podem gerar mais de 30 tipos distintos de resíduos perigosos — cada um exigindo CADRI vinculado ao destinador licenciado.
MTR integrado ao SIGOR
O MTR via SIGOR funciona em Santos como no restante do estado de SP, mas com uma camada adicional: terminais portuários que recebem resíduos MARPOL de navios devem emitir MTR para o transporte até o destinador em terra, e o porto exige comprovação documental para autorizar a saída.
Agência CETESB Santos e competências regionais
A Agência Ambiental CETESB de Santos atende os municípios da Baixada Santista e mantém núcleo de resposta a emergências ativo 24h devido ao risco do polo petroquímico e ao tráfego portuário intenso. Os municípios cobertos incluem:
| Município | Perfil industrial | Atenção especial |
|---|---|---|
| Santos | Porto, logística, prestadores portuários | Resíduos MARPOL, granéis químicos |
| Cubatão | Petroquímico, siderurgia, fertilizantes | Programa de Controle desde 1983, Dec. Est. 8.468/76 |
| São Vicente | Industrial leve, serviços portuários | Conectividade com operações Santos |
| Guarujá | Terminais portuários, estaleiros | Resíduos navais, pintura naval |
| Praia Grande | Indústria diversificada, construção | Menor densidade industrial |
| Bertioga | Logística, serviços | Uso turístico predominante |
| Itanhaém / Mongaguá / Peruíbe | Indústria pontual | Principalmente serviços |
A CETESB Santos tem poder de autuação imediata em emergências químicas — vazamentos, derramamentos e reações não controladas disparam vistoria emergencial. O valor das autuações em Cubatão historicamente está entre os maiores do estado de SP, dada a densidade industrial.
Custos de gestão de resíduos na região de Santos
A gestão de resíduos industriais na Baixada Santista tem faixas de custo específicas devido à logística (maior distância até aterros Classe I licenciados, que ficam majoritariamente na RMSP) e ao perfil de resíduos petroquímicos.
| Item | Faixa de custo típica | Observação |
|---|---|---|
| PGRS com ART para indústria média | R$ 8.000 – R$ 30.000 | Depende do número de correntes de resíduo |
| Coleta programada Classe I | R$ 0,90 – R$ 2,80/kg | Sobretaxa ~15% vs RMSP pela distância |
| Aterro Classe I | R$ 1,00 – R$ 3,00/kg | Principais aterros ficam em Tremembé e Mauá |
| Coprocessamento | R$ 0,70 – R$ 2,00/kg | Cimenteiras em Cubatão e interior |
| Incineração | R$ 4,00 – R$ 9,00/kg | Frete adicional de Santos para SP |
| Tratamento físico-químico | R$ 1,80 – R$ 5,50/kg | Operadores locais em Cubatão |
Indústrias de Cubatão com volume mensal superior a 10 toneladas de Classe I conseguem negociar contratos que reduzem o custo médio em 20% a 35% via gestão integrada de todas as correntes com um único parceiro.
Riscos operacionais específicos da região
Cubatão acumula passivos ambientais históricos dos anos 70 e 80 — solos contaminados, efluentes legados e áreas de disposição inadequada anteriores à PNRS. Qualquer obra de expansão ou reforma industrial na região pode exigir investigação ambiental confirmatória conforme CONAMA 420/2009 antes do licenciamento. Indústrias que adquirem terrenos na Baixada Santista devem contratar due diligence ambiental prévia, pois a responsabilidade por passivos pré-existentes pode ser transferida ao novo operador.
No porto de Santos, derramamentos de granéis químicos ou combustíveis disparam resposta da CETESB + Capitania dos Portos + Defesa Civil municipal — toda indústria operadora de terminal deve ter plano de emergência aprovado e treinamento anual documentado, conforme a Lei 9.605/1998.
Resíduos MARPOL e a interface com o porto de Santos
O porto de Santos movimenta mais de 140 milhões de toneladas por ano e gera volume significativo de resíduos de navios que exigem recepção e destinação em terra. A Convenção MARPOL 73/78 define 5 anexos de resíduos que o porto deve ter capacidade de receber:
- Anexo I — resíduos oleosos (água de lastro contaminada, borras de tanque)
- Anexo II — substâncias líquidas nocivas a granel
- Anexo IV — esgoto sanitário dos navios
- Anexo V — lixo sólido (plástico, papel, restos alimentares)
- Anexo VI — resíduos de filtros de controle de emissão atmosférica
Empresas que operam retroportos ou armazéns alfandegados em Santos frequentemente geram OLUC de empilhadeiras, filtros de combustível e embalagens contaminadas com resíduos de granéis — todos classificáveis como Classe I e sujeitos a CADRI.
Como a Seven Resíduos atende Santos e Baixada Santista
A Seven Resíduos estrutura o atendimento na Baixada Santista combinando logística dedicada ao corredor Imigrantes + Anchieta com expertise em resíduos petroquímicos e portuários. Com 2.500+ clientes atendidos e 27 milhões de kg tratados, oferecemos:
- Gestão integrada — PGRS com ART + coleta programada + destinação licenciada + toda documentação em contrato único
- Expertise em petroquímicos — K051, K052, catalisadores, borras API, solventes clorados e não-clorados
- Frota licenciada — LO da CETESB, RNTRC, motoristas com MOPP, seguro ambiental obrigatório
- Emissão de CADRI para múltiplos pares gerador × destinador
- Rastreabilidade completa — MTR no SIGOR + CDF em até 30 dias
- Cobertura regional — Santos, Cubatão, Guarujá, São Vicente, Praia Grande e demais municípios da Baixada
Assim como estruturamos clusters em outras regiões como Sorocaba e São José dos Campos, o atendimento na Baixada Santista entrega um único ponto de contato para toda a cadeia de conformidade — especialmente crítico num polo com o histórico regulatório de Cubatão.
Solicite um orçamento para gestão de resíduos industriais em Santos — nossa equipe técnica avalia o mix de correntes da sua operação e apresenta um plano completo considerando as particularidades do porto e do polo petroquímico.
Perguntas frequentes sobre gestão de resíduos na Baixada Santista
Quais são as obrigações de uma indústria em Cubatão para descartar resíduos perigosos?
Indústrias em Cubatão precisam ter PGRS com ART atualizado, CADRI vigente para cada tipo de resíduo Classe I, MTR emitido no SIGOR antes de cada coleta e armazenamento conforme NBR 12235. A fiscalização CETESB é intensa e conta com o Programa de Controle da Poluição de Cubatão ativo desde 1983, com vistorias programadas e emergenciais.
Como funciona o PGRS para terminais portuários em Santos?
Terminais portuários em Santos precisam elaborar PGRS específico alinhado ao plano de contingência da Autoridade Portuária de Santos (APS). Além da PNRS, aplicam-se a Convenção MARPOL 73/78 (anexos I, II, IV, V, VI) e a Resolução ANTAQ 2.239/2011 para resíduos de navios atracados. O PGRS exige ART de profissional habilitado.
Quanto custa a destinação de resíduos Classe I na Baixada Santista?
O custo varia entre R$ 0,70 e R$ 9,00 por kg conforme a rota: coprocessamento (R$ 0,70–2,00/kg) é o mais econômico; aterro Classe I (R$ 1,00–3,00/kg); incineração para halogenados (R$ 4,00–9,00/kg). Há sobretaxa típica de 15% vs RMSP pela distância dos aterros licenciados. Consolidar correntes em contrato único reduz 20–35%.
A CETESB fiscaliza com mais rigor em Cubatão?
Sim. Cubatão tem um programa específico de controle de poluição mantido pela CETESB desde 1983, com fiscalização programada e emergencial. As autuações em Cubatão estão historicamente entre as maiores do estado de SP devido à densidade industrial. O Decreto Estadual 8.468/1976 é aplicado com valores no topo da tabela para infrações ambientais na região.
O que é resíduo MARPOL e quem precisa se preocupar?
MARPOL é a Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (73/78) que classifica resíduos gerados por embarcações em anexos (I oleosos, II químicos líquidos, IV esgoto, V sólidos, VI emissões). Terminais portuários em Santos devem ter capacidade de recepção e destinação desses resíduos, com documentação específica para autorizar a saída de navios.
A Seven Resíduos atende terminais portuários em Santos?
Sim. A Seven Resíduos atende terminais portuários, retroportos e armazéns alfandegados em Santos e Guarujá, com expertise em resíduos MARPOL, OLUC de equipamentos de movimentação e embalagens contaminadas com granéis químicos. Operamos com toda a documentação exigida pela APS, CETESB e ANTAQ.



