Resíduos de saúde: as quatro classes do lixo hospitalar e como cada uma deve ser tratada

Cada tipo carrega um nível de risco diferente, exige um acondicionamento específico e precisa de uma destinação final que esteja em conformidade com a lei. Ignorar essa diferença não é apenas um erro operacional. É um risco sanitário, ambiental e jurídico de proporções sérias.

A ANVISA, por meio da RDC 222/2018, e o CONAMA, pela Resolução 358/2005, estabeleceram um sistema de classificação claro para os Resíduos de Serviços de Saúde — os chamados RSS. Esse sistema divide o lixo hospitalar em cinco grupos principais, identificados pelas letras A, B, C, D e E. Neste artigo, a Seven Resíduos explica os quatro grupos mais comuns na rotina dos estabelecimentos de saúde, o que cada um representa e como cada classe precisa ser manejada para garantir segurança e conformidade legal.


Por que classificar o lixo hospitalar é obrigatório

Antes de entrar nas classes, é fundamental entender o que está em jogo. O lixo hospitalar mal gerenciado é uma das fontes mais perigosas de contaminação ambiental e de risco ocupacional no Brasil. Agulhas descartadas de forma incorreta, medicamentos lançados no esgoto, bolsas de sangue acondicionadas junto ao lixo comum — cada uma dessas situações representa uma falha que pode resultar em acidentes de trabalho, surtos infecciosos e multas que chegam a centenas de milhares de reais.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, a Lei 12.305/2010, reforça que os geradores são os primeiros responsáveis pelo destino correto de tudo o que produzem. No caso do lixo hospitalar, essa responsabilidade é ainda mais acentuada, pois os riscos não afetam apenas quem está dentro do estabelecimento, mas toda a cadeia de manejo, até o ponto final de disposição.


Grupo A — O lixo hospitalar infectante

O Grupo A é o que mais intimida os gestores de saúde e com razão. Trata-se do lixo hospitalar com potencial de risco biológico, ou seja, aquele que pode conter microrganismos patogênicos capazes de causar infecções.

Esse grupo é subdividido em cinco subclasses, chamadas de A1 a A5, e cada uma delas tem características e exigências distintas. O subgrupo A1 abrange materiais provenientes de laboratórios de manipulação de microrganismos, bolsas de sangue, frascos e ampolas de vacinação. O subgrupo A2 inclui carcaças e peças anatômicas de animais submetidos a experimentos com agentes infecciosos. Já o A3 trata de peças anatômicas humanas, como membros amputados. O A4 engloba tecidos, materiais de assistência à saúde e outros itens sem suspeita de contaminação por agentes de alta periculosidade. E o A5 — o mais crítico — reúne materiais relacionados a pacientes com suspeita ou confirmação de contaminação por príons, proteínas modificadas associadas a doenças como o mal de Creutzfeldt-Jakob.

Para o lixo hospitalar do Grupo A, os materiais dos subgrupos A1 e A3 devem ser acondicionados em sacos brancos leitosos com símbolo de risco infectante. Os subgrupos A2 e A5 exigem sacos vermelhos, sendo que o A5 requer saco duplo — um dentro do outro. Após o acondicionamento correto, o lixo hospitalar desse grupo precisa passar por tratamento antes de seguir para disposição final, sendo a autoclavação e a incineração as tecnologias mais utilizadas. O subgrupo A5, por sua criticidade, deve ser obrigatoriamente incinerado.


Grupo B — O lixo hospitalar químico

Ao contrário do que muitos imaginam, o perigo no lixo hospitalar não se limita ao risco biológico. O Grupo B reúne todos os resíduos de natureza química gerados nos ambientes de saúde, e o volume produzido diariamente é expressivo.

Nessa categoria estão medicamentos vencidos ou não utilizados, reagentes de laboratório, produtos saneantes, cosméticos e substâncias usadas em revelação de exames radiológicos. Medicamentos quimioterápicos exigem atenção redobrada dentro desse grupo, pois apresentam toxicidade elevada e protocolos específicos de descarte.

O correto manejo do lixo hospitalar químico começa pela segregação rigorosa já no ponto de geração. Os líquidos precisam ser identificados pelo nome do produto e acondicionados levando em conta a incompatibilidade química entre as substâncias — misturar reagentes que reagem entre si pode provocar acidentes graves durante o transporte e o armazenamento. O destino final varia conforme a periculosidade de cada substância, mas inclui desde sistemas de tratamento especializados até incineração em fornos licenciados.

Farmácias, laboratórios clínicos e centros de quimioterapia são os maiores geradores de lixo hospitalar do Grupo B e, portanto, os que precisam de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde — o PGRSS — mais detalhado e bem estruturado.


Grupo D — O lixo hospitalar comum

Nem tudo que sai de um hospital representa risco específico à saúde. O Grupo D é composto pelo lixo hospitalar que não apresenta risco biológico, químico ou radiológico e pode, em tese, ser equiparado ao resíduo doméstico comum.

Papéis de escritório, restos de alimentos, embalagens não contaminadas e materiais de higiene pessoal que não tiveram contato com sangue ou secreções se enquadram nessa classe. Ainda dentro do Grupo D, há uma subdivisão importante: os resíduos passíveis de reciclagem. Papelão, plásticos limpos e vidros íntegros gerados nas áreas administrativas dos estabelecimentos de saúde podem e devem ser separados para reaproveitamento.

A questão mais delicada com o lixo hospitalar do Grupo D é a contaminação cruzada. Um resíduo que, a princípio, seria do Grupo D pode migrar para o Grupo A se entrar em contato com material biológico. Por isso, a segregação na fonte — ou seja, no exato momento em que o resíduo é gerado — é fundamental para manter a integridade da classificação e evitar que material seguro seja tratado com custo e rigor desnecessários, ou, pior, que material perigoso seja descartado como lixo comum.


Grupo E — O lixo hospitalar perfurocortante

Agulhas, lâminas de bisturi, escalpes, lancetas, ampolas de vidro quebradas, brocas odontológicas e similares compõem o Grupo E. Esse é o lixo hospitalar que representa risco imediato para qualquer pessoa que entre em contato com ele sem a proteção adequada, seja o profissional de saúde que o gerou, seja o trabalhador da coleta que o manuseia horas depois.

O acondicionamento do lixo hospitalar perfurocortante é regulamentado com precisão pela ANVISA: os materiais devem ser colocados em recipientes rígidos, resistentes à punctura, ruptura e vazamento, com tampa fixa e identificação clara com o símbolo de substância infectante. Esses coletores — conhecidos popularmente como “caixas amarelas” — devem ser descartados quando atingirem dois terços de sua capacidade, antes de serem totalmente preenchidos.

Um erro muito comum no manejo do lixo hospitalar perfurocortante é o reencapamento de agulhas. Essa prática, além de proibida pelos protocolos de biossegurança, é uma das principais causas de acidentes com material biológico entre profissionais da saúde. A norma é clara: o material cortante vai diretamente do uso para o coletor, sem etapas intermediárias.


O PGRSS: o documento que organiza o lixo hospitalar

Toda essa classificação e as medidas de manejo correspondentes precisam estar formalizadas em um único documento: o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde, o PGRSS. A RDC 222/2018 torna esse plano obrigatório para todos os estabelecimentos que geram lixo hospitalar, independentemente do porte.

O PGRSS deve contemplar o diagnóstico dos resíduos gerados, os procedimentos de segregação, acondicionamento, transporte interno, armazenamento temporário, tratamento e destinação final. Também precisa incluir um programa de capacitação dos trabalhadores envolvidos em todas as etapas do manejo.

O descumprimento das normas de gestão do lixo hospitalar pode gerar infrações sanitárias com multas que variam de R$ 2.000 a R$ 1,5 milhão, conforme a Lei 6.437/1977, além de responsabilização civil e criminal dos gestores em casos de dano ambiental comprovado.


Como a Seven Resíduos apoia o descarte correto do lixo hospitalar

A Seven Resíduos atua diretamente no descarte de resíduos de saúde, oferecendo soluções completas para clínicas, hospitais, laboratórios e consultórios que precisam garantir conformidade com a ANVISA e o CONAMA. Desde a elaboração do PGRSS até a coleta, o transporte e a destinação final do lixo hospitalar, a empresa oferece um serviço integrado, seguro e documentado.

Com mais de 1.870 clientes atendidos e crescimento de 34,67% em 2024, a Seven Resíduos consolida sua posição como referência em gestão de resíduos perigosos no Brasil. O correto tratamento do lixo hospitalar não é apenas uma obrigação legal — é um compromisso com a vida, com os trabalhadores da saúde e com o meio ambiente.

Entre em contato com a Seven Resíduos e descubra como estruturar o descarte do seu lixo hospitalar dentro das exigências regulatórias vigentes.

Mais Postagens

Blog
Seven Soluções ambientais

Estopas e trapos contaminados: por que não podem ir para o lixo comum e como descartar legalmente

Todo dia, em centenas de fábricas espalhadas pelo Brasil, um gesto aparentemente insignificante acontece em silêncio: o operador termina a limpeza de uma máquina, descarta a estopa encharcada de óleo em uma lixeira comum e segue para o próximo turno. Esse gesto, repetido milhares de vezes por semana, carrega consequências jurídicas, ambientais e financeiras que a maioria das empresas só descobre quando o fiscal já está na porta.

Ler Mais »

TODAS AS POSTAGENS

Aclimação

Bela Vista

Bom Retiro

Brás

Cambuci

Centro

Consolação

Higienópolis

Glicério

Liberdade

Luz

Pari

República

Santa Cecília

Santa Efigênia

Vila Buarque

Brasilândia

Cachoeirinha

Casa Verde

Imirim

Jaçanã

Jardim São Paulo

Lauzane Paulista

Mandaqui

Santana

Tremembé

Tucuruvi

Vila Guilherme

Vila Gustavo

Vila Maria

Vila Medeiros

Água Branca

Bairro do Limão

Barra Funda

Alto da Lapa

Alto de Pinheiros

Butantã

Freguesia do Ó

Jaguaré

Jaraguá

Jardim Bonfiglioli

Lapa

Pacaembú

Perdizes

Perús

Pinheiros

Pirituba

Raposo Tavares

Rio Pequeno

São Domingos

Sumaré

Vila Leopoldina

Vila Sonia

Aeroporto

Água Funda

Brooklin

Campo Belo

Campo Grande

Campo Limpo

Capão Redondo

Cidade Ademar

Cidade Dutra

Cidade Jardim

Grajaú

Ibirapuera

Interlagos

Ipiranga

Itaim Bibi

Jabaquara

Jardim Ângela

Jardim América

Jardim Europa

Jardim Paulista

Jardim Paulistano

Jardim São Luiz

Jardins

Jockey Club

M'Boi Mirim

Moema

Morumbi

Parelheiros

Pedreira

Sacomã

Santo Amaro

Saúde

Socorro

Vila Andrade

Vila Mariana

Água Rasa

Anália Franco

Aricanduva

Artur Alvim

Belém

Cidade Patriarca

Cidade Tiradentes

Engenheiro Goulart

Ermelino Matarazzo

Guaianases

Itaim Paulista

Itaquera

Jardim Iguatemi

José Bonifácio

Mooca

Parque do Carmo

Parque São Lucas

Parque São Rafael

Penha

Ponte Rasa

São Mateus

São Miguel Paulista

Sapopemba

Tatuapé

Vila Carrão

Vila Curuçá

Vila Esperança

Vila Formosa

Vila Matilde

Vila Prudente

São Paulo

Campinas

Sorocaba

Roseira

Barueri

Guarulhos

Jundiaí

São Bernardo do Campo

Paulínia

Rio Grande da Serra

Limeira

São Caetano do Sul

Boituva

Itapecerica da Serra

Hortolândia

Lorena

Ribeirão Pires

Itaquaquecetuba

Valinhos

Osasco

Pindamonhangaba

Piracicaba

Rio Claro

Suzano

Taubaté

Arujá

Carapicuiba

Cerquilho

Franco da Rocha

Guaratinguetá

Itapevi

Jacareí

Mauá

Mogi das Cruzes

Monte Mor

Santa Bárbara d'Oeste

Santana de Parnaíba

Taboão da Serra

Sumaré

Bragança Paulista

Cotia

Indaiatuba

Laranjal Paulista

Nova Odessa

Santo André

Aparecida

Atibaia

Bom Jesus dos Perdões

Cabreúva

Caieiras

Cajamar

Campo Limpo Paulista

Capivari

Caçapava

Diadema

Elias Fausto

Embu das Artes

Embu-Guaçu

Ferraz de Vasconcelos

Francisco Morato

Guararema

Iracemápolis

Itatiba

Itu

Itupeva

Louveira

Mairinque

Mairiporã

Piracaia

Pirapora do Bom Jesus

Porto Feliz

Poá

Salto

Santa Isabel

São Pedro

São Roque

Tietê

Vinhedo

Várzea Paulista

Vargem Grande Paulista

Jandira

Araçariguama

Tremembé

Americana

Jarinu

Soluções ambientais A Seven oferece serviços de Acondicionamento, Caracterização, Transporte, Destinação e Emissão de CADRI para Resíduos.
Endereço: Rua Vargas, 284 Cidade Satélite Guarulhos – SP
CEP 07231-300

Tratamento de resíduos, transporte e descarte. Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios.

Conte conosco
"Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios"

28.194.046/0001-08 - © Seven Soluções Ambientais LTDA