Residuos de fundicao nao ferrosa: bronze, latao e aluminio

A fundição de ligas não ferrosas — bronze, latão, ligas de alumínio e ligas de cobre-berílio — é um dos setores industriais com maior diversidade de resíduos perigosos concentrados em área relativamente pequena. O alto forno ou forno de indução funde metais com metais, e cada liga traz seus próprios contaminantes: o latão traz Pb (para maquinabilidade), o bronze traz Sn e Pb, o alumínio de segunda fusão traz Mg, Si e eventualmente Be em ligas especiais. As escórias, fumos e lamas resultantes raramente são inertes — e classificá-los erroneamente como Classe II-B é um dos erros mais comuns nas vistorias da CETESB no setor.

Ligas mais comuns e seus contaminantes críticos

Antes de classificar os resíduos, é essencial conhecer a composição das ligas fundidas — pois os metais da liga se concentram nas escórias e fumos. Os limites de lixiviação referenciados abaixo são do Anexo A da NBR 10004:

LigaComposição TípicaMetal Crítico NBR 10004Limite Lixiviação (Anexo A)
Bronze ao estanho (CuSn)Cu 85–90%, Sn 8–12%, Zn 1–4%, Pb 0–3%Pb 1,0 mg/L + Sn 4,0 mg/LClasse I se Pb > 1 mg/L
Latão (CuZn)Cu 60–70%, Zn 30–40%, Pb 0–3% (livre corte)Pb 1,0 mg/L + Zn 250 mg/LClasse I pelo Pb em latão com Pb
Liga alumínio A380Al 85%, Si 8%, Cu 3,5%, Fe 1%, Zn 0,5%, Pb <0,1%Cu 15 mg/L + Zn 250 mg/LVerificar LCR — geralmente II-B
Liga alumínio 413Al 87%, Si 12%, Cu 1%, Fe 1%Cu 15 mg/LVerificar LCR
Cobre-berílio (CuBe)Cu 96–98%, Be 1,8–2%Be — sem limite no Anexo A, IARC grupo 1Classificar separado — risco especial
Alumínio bronze (CuAl)Cu 88%, Al 9,5%, Fe 1,5%, Mn 1%Cu 15 mg/LVerificar LCR

Escórias de fundição: composição e classificação

A escória de fundição não ferrosa é o material que flutua sobre o metal fundido — óxidos metálicos, fluxantes, material refratário erodido e impurezas da carga. Diferente da escória de alto forno (vitrificada e geralmente inerte), a escória de fundição não ferrosa pode ter alto teor de metais livres e óxidos solúveis:

  • Escória de latão: Contém ZnO (óxido de zinco) e PbO em proporções significativas. ZnO dissolve em água ácida → Zn > 250 mg/L lixiviação → Classe I. Com Pb > 0,5% na liga → PbO na escória → Pb > 1,0 mg/L → Classe I simultânea.
  • Escória de bronze: SnO₂ (insolúvel) + CuO + PbO se presente. Verificar Sn > 4,0 mg/L e Pb > 1,0 mg/L. LCR obrigatório — não assuma II-B sem ensaio.
  • Escória de alumínio (dross): Al₂O₃ + AlN + sais de fluxante (NaCl + KCl). Diferente do dross de galvanização — pode gerar NH₃ e H₂ em contato com água (AlN + H₂O → Al(OH)₃ + NH₃). Gestão específica obrigatória. Para detalhes, consulte o artigo sobre dross de alumínio e salt cake.

Fumos metálicos e poeiras de sistema de exaustão

O forno de fundição gera fumos com partículas submicrônicas de óxidos metálicos que são coletadas pelo sistema de exaustão (filtro de manga, precipitador eletrostático). As poeiras coletadas são altamente concentradas — e frequentemente o resíduo mais perigoso da fundição:

  • Poeira de fundição de latão: ZnO 30–60%, PbO 5–15%, CuO, outros. Zn e Pb excedem os limites de lixiviação em praticamente todos os casos → Classe I. Mesma lógica do pó de filtro de forno elétrico a arco (EAF), que já é regulado como K061.
  • Poeira de fundição de bronze: CuO, SnO₂, PbO (se Pb na liga). Cu > 15 mg/L quase certo → Classe I.
  • Poeira de fundição de alumínio: Al₂O₃ dominante, com MgO e Si. Geralmente menos problemática — Cu e Zn presentes em menores quantidades. LCR necessário para confirmar.
  • Partículas de cobre-berílio: Caso especial — BeO é cancerígeno pulmonar (IARC grupo 1). Qualquer poeira com CuBe exige controle de exposição ocupacional (NR-15 Anexo 11), EPI de alto nível e destinação como resíduo perigoso independentemente de parâmetros do Anexo A.

Risco ocupacional: A febre dos fundidores (metal fume fever) por fumos de ZnO é uma condição ocupacional reconhecida — sintomas semelhantes à gripe 4–8 horas após exposição. Não é fatal, mas indica falha no controle de exaustão. A CETESB e o MTE (NR-15) monitoram emissões fugitivas de fundições.

Areia de moldagem usada: quando é diferente do artigo padrão

A areia de fundição usada foi abordada em artigo específico no contexto de areia de fundição ferrosa. Na fundição não ferrosa, há especificidades:

  • Contaminação por metais não ferrosos: A areia usada em fundição de bronze/latão absorve Pb, Cu e Zn do metal fundido e dos gases. A concentração depende da temperatura e do tempo de contato. Areia de fundição de operação ferrosa pode ser II-B; de fundição de latão com Pb raramente é.
  • Ligantes fenólicos (Resol/Novalac): Areia com resina fenólica curada contém fenol residual — fenol 0,01 mg/L limite no Anexo B solubilização → pode ser Classe II-A por fenol lixiviável.
  • Areia de CO₂ (silicato de sódio): Mais limpa — o silicato é alcalino mas geralmente não classifica acima de II-A se os metais estiverem abaixo dos limites.

Fluxantes e outros insumos químicos

A fundição usa fluxantes para controlar a viscosidade e oxidação do metal fundido. Os mais comuns e seus resíduos:

  • Cloretos (NaCl + KCl para alumínio): Cobertores de sal protegem o alumínio fundido da oxidação. O sal exausto (salt cake) contém AlN, Al₂O₃, NaCl, KCl, e pode gerar NH₃ e H₂ em contato com umidade. Consulte o artigo sobre dross de alumínio para classificação específica.
  • Borax e ácido bórico (fundição de bronze): Fluxante para ligas de Cu. Escória com borax: verificar boro — não há limite no Anexo A, mas Anexo C lista boro como substância tóxica crônica. LCR por solubilização (NBR 10006).
  • Fósforo para desgaseificação (Cu): Adição de Cu-P (10% P) como desgaseificador em fundição de cobre. Resíduo mínimo, mas P em excesso no banho vai para a escória.

Lamas de sistema de tratamento de efluentes

A fundição não ferrosa gera efluentes do resfriamento de moldes, limpeza de equipamentos e eventual quenching (têmpera em água). O tratamento na ETE interna gera lamas com:

  • Cu(OH)₂, Zn(OH)₂, Pb(OH)₂ precipitados em pH 8–9
  • Sólidos em suspensão de areia e refratário
  • Concentrações de metais que quase sempre excedem os limites do Anexo A

O LCR da lama de ETE de fundição deve ser realizado separadamente da escória — composições são diferentes e o mesmo CADRI não cobre os dois. Erro frequente: usar o LCR da escória para justificar destinação da lama de ETE.

Obrigações documentais para fundições em SP

Uma fundição de ligas não ferrosas em São Paulo deve manter:

  • LCR por resíduo e por liga: Escória de latão ≠ escória de bronze. Mínimo um LCR por tipo de liga fundida e por tipo de resíduo (escória, poeira, lama, areia). Renovação a cada mudança de liga.
  • PGRS: Deve discriminar todos os fluxos por liga — não agregar “resíduos de fundição” em um único item.
  • CADRI: Obrigatório para cada resíduo Classe I. CADRI de escória de latão não cobre poeira de filtro de manga.
  • MTR SIGOR: Cada coleta documentada. Manter 5 anos.
  • CTF IBAMA: Fundições com geração significativa de resíduos perigosos se enquadram em DARS. Verificar CNAE da atividade.
  • Monitoramento de emissões atmosféricas: A CETESB exige monitoramento de fumos metálicos para fundições de porte. O PCA (Plano de Controle Atmosférico) deve contemplar Pb e Zn nas emissões.

Caso especial: cobre-berílio (CuBe)

Ligas de cobre-berílio (CuBe2, CuBe1.7) são usadas em componentes elétricos, ferramentas não-faiscantes e moldes de injeção de alta condutividade. O berílio (Be) é classificado como:

  • IARC grupo 1: Cancerígeno humano comprovado — causa beriliose crônica (pneumonite granulomatosa) por exposição a poeiras e fumos de Be.
  • NBR 10004: Be não está listado no Anexo A com limite específico. Mas a toxicidade crônica pelo Anexo C e a classificação IARC justificam tratamento como Classe I com base em toxicidade (§5.2).
  • Gestão obrigatória: Qualquer resíduo com CuBe — pó de usinagem, escória, rebarbas — deve ser segregado e destinado para receptor especializado. Nunca misturar com outros resíduos metálicos.

Perguntas Frequentes

Escória de alumínio de segunda fusão (secundário) é diferente da escória de alumínio primário?

Sim, e geralmente mais problemática. O alumínio secundário (reciclagem de sucata) traz contaminantes da sucata: revestimentos, tintas, ligas diversas, óleos. A escória de alumínio secundário tem maior teor de cloretos (do sal fluxante) e pode conter Pb, Cu, Zn das ligas misturadas. O LCR da escória de alumínio secundário é mais crítico que o de alumínio primário — não use o mesmo laudo para os dois. Para detalhes sobre dross de alumínio, consulte o artigo específico sobre dross de alumínio e salt cake.

Rebarbas e aparas de bronze podem ser vendidas como sucata sem documentação?

Depende do LCR. Rebarbas de bronze sem Pb (CuSn lean Pb < 0,05%) e com Sn < 4,0 mg/L na lixiviação podem ser Classe II-B e comercializadas como sucata com MTR simples. Mas latão com Pb (para livre corte, Pb 1,5–3%) quase certamente gera rebarbas Classe I pelo Pb — exige CADRI e receptor licenciado para Classe I, mesmo que a sucata tenha valor comercial. A responsabilidade do gerador persiste mesmo na venda de sucata.

A febre dos fundidores (metal fume fever) por ZnO é notificável à CETESB?

A febre dos fundidores é um evento de saúde ocupacional — notificável ao eSocial e ao SESMT da empresa, mas não diretamente à CETESB. Porém, a ocorrência indica falha no sistema de exaustão, o que pode ser indício de emissão fugitiva de ZnO acima dos limites do PCA. Uma vistoria da CETESB que identifique evidências de fumos mal controlados pode resultar em autuação por emissão atmosférica irregular, independentemente do evento de saúde.

Posso usar a mesma escória de latão como matéria-prima para refundição sem CADRI?

Se a escória for reutilizada internamente no mesmo processo (retorno ao forno como sucata interna), isso não é destinação de resíduo — é reuso de matéria-prima e não exige CADRI. Porém, se a escória sair do estabelecimento para outra empresa (mesmo uma metalúrgica que vai refundir), é destinação de resíduo e exige CADRI + MTR, independentemente do valor comercial da escória.

Qual a destinação correta para poeira de filtro de manga de fundição de latão?

A poeira de filtro de manga de fundição de latão (ZnO + PbO concentrados) é sempre Classe I. As rotas disponíveis: (1) metalurgia secundária de zinco — empresas que processam material rico em Zn para recuperação de ZnO ou ZnSO₄, economicamente viável se Zn > 30%; (2) coprocessamento — se Pb estiver abaixo dos limites do clínquer (Pb < 0,1%); (3) aterro Classe I com S/S como última opção. O CADRI especifica a rota autorizada pela CETESB.

Mais Postagens

TODAS AS POSTAGENS

Aclimação

Bela Vista

Bom Retiro

Brás

Cambuci

Centro

Consolação

Higienópolis

Glicério

Liberdade

Luz

Pari

República

Santa Cecília

Santa Efigênia

Vila Buarque

Brasilândia

Cachoeirinha

Casa Verde

Imirim

Jaçanã

Jardim São Paulo

Lauzane Paulista

Mandaqui

Santana

Tremembé

Tucuruvi

Vila Guilherme

Vila Gustavo

Vila Maria

Vila Medeiros

Água Branca

Bairro do Limão

Barra Funda

Alto da Lapa

Alto de Pinheiros

Butantã

Freguesia do Ó

Jaguaré

Jaraguá

Jardim Bonfiglioli

Lapa

Pacaembú

Perdizes

Perús

Pinheiros

Pirituba

Raposo Tavares

Rio Pequeno

São Domingos

Sumaré

Vila Leopoldina

Vila Sonia

Aeroporto

Água Funda

Brooklin

Campo Belo

Campo Grande

Campo Limpo

Capão Redondo

Cidade Ademar

Cidade Dutra

Cidade Jardim

Grajaú

Ibirapuera

Interlagos

Ipiranga

Itaim Bibi

Jabaquara

Jardim Ângela

Jardim América

Jardim Europa

Jardim Paulista

Jardim Paulistano

Jardim São Luiz

Jardins

Jockey Club

M'Boi Mirim

Moema

Morumbi

Parelheiros

Pedreira

Sacomã

Santo Amaro

Saúde

Socorro

Vila Andrade

Vila Mariana

Água Rasa

Anália Franco

Aricanduva

Artur Alvim

Belém

Cidade Patriarca

Cidade Tiradentes

Engenheiro Goulart

Ermelino Matarazzo

Guaianases

Itaim Paulista

Itaquera

Jardim Iguatemi

José Bonifácio

Mooca

Parque do Carmo

Parque São Lucas

Parque São Rafael

Penha

Ponte Rasa

São Mateus

São Miguel Paulista

Sapopemba

Tatuapé

Vila Carrão

Vila Curuçá

Vila Esperança

Vila Formosa

Vila Matilde

Vila Prudente

São Paulo

Campinas

Sorocaba

Roseira

Barueri

Guarulhos

Jundiaí

São Bernardo do Campo

Paulínia

Rio Grande da Serra

Limeira

São Caetano do Sul

Boituva

Itapecerica da Serra

Hortolândia

Lorena

Ribeirão Pires

Itaquaquecetuba

Valinhos

Osasco

Pindamonhangaba

Piracicaba

Rio Claro

Suzano

Taubaté

Arujá

Carapicuiba

Cerquilho

Franco da Rocha

Guaratinguetá

Itapevi

Jacareí

Mauá

Mogi das Cruzes

Monte Mor

Santa Bárbara d'Oeste

Santana de Parnaíba

Taboão da Serra

Sumaré

Bragança Paulista

Cotia

Indaiatuba

Laranjal Paulista

Nova Odessa

Santo André

Aparecida

Atibaia

Bom Jesus dos Perdões

Cabreúva

Caieiras

Cajamar

Campo Limpo Paulista

Capivari

Caçapava

Diadema

Elias Fausto

Embu das Artes

Embu-Guaçu

Ferraz de Vasconcelos

Francisco Morato

Guararema

Iracemápolis

Itatiba

Itu

Itupeva

Louveira

Mairinque

Mairiporã

Piracaia

Pirapora do Bom Jesus

Porto Feliz

Poá

Salto

Santa Isabel

São Pedro

São Roque

Tietê

Vinhedo

Várzea Paulista

Vargem Grande Paulista

Jandira

Araçariguama

Tremembé

Americana

Jarinu

Soluções ambientais A Seven oferece serviços de Acondicionamento, Caracterização, Transporte, Destinação e Emissão de CADRI para Resíduos.
Endereço: Rua Vargas, 284 Cidade Satélite Guarulhos – SP
CEP 07231-300

Tratamento de resíduos, transporte e descarte. Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios.

Conte conosco
"Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios"

28.194.046/0001-08 - © Seven Soluções Ambientais LTDA