A destinação adequada de resíduos perigosos em São Paulo segue um fluxo regulado pela CETESB que vai além da simples contratação de uma empresa: envolve identificar corretamente o resíduo, escolher o método de destinação compatível, contratar destinador com CADRI vigente para aquele tipo específico, e fechar o ciclo com MTR e CDF no SIGOR. O gerador que não executa esse processo corretamente responde solidariamente pela destinação inadequada, mesmo terceirizando o serviço (Art. 30, PNRS).
Este guia apresenta o processo completo de destinação de resíduos perigosos em SP, com foco nos métodos disponíveis no estado e nos critérios de escolha por tipo de resíduo.
O que é resíduo perigoso e como identificar
Resíduos perigosos são aqueles classificados como Classe I pela ABNT NBR 10004 — ou seja, que apresentam pelo menos uma das seguintes características: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
Os mais comuns na indústria paulista:
- Solventes: halogenados (clorofórmio, diclorometano, tetracloreto de carbono) e não-halogenados (acetona, tolueno, xileno, MEK)
- Óleos lubrificantes usados (OLUC): óleo de corte, óleo hidráulico, óleo de motor — contaminados com metais pesados
- Lodos galvânicos: gerados em galvanoplastia, contendo cromo hexavalente, cádmio, níquel, zinco
- Baterias e acumuladores: chumbo-ácido, lítio, níquel-cádmio
- Lâmpadas fluorescentes: contêm mercúrio — são Classe I
- Embalagens contaminadas: embalagens que contiveram produtos Classe I assumem a classificação do produto
- Filtros de óleo e de ar contaminados: retém hidrocarbonetos e metais pesados
- Tintas, vernizes e solventes de limpeza: dependendo da formulação, podem ser inflamáveis ou tóxicos
A classificação correta é obrigação do gerador — não do transportador nem do destinador. A norma de referência é a ABNT NBR 10004:2004, com os Anexos A (perigosos por constituintes) e B (perigosos por características). Se houver dúvida, o laudo de classificação feito por laboratório acreditado elimina a incerteza e protege o gerador em fiscalização.
Métodos de destinação disponíveis em SP
São Paulo tem o ecossistema de destinação de resíduos perigosos mais desenvolvido do Brasil, com múltiplos destinadores licenciados pela CETESB para diferentes métodos:
| Método | Como funciona | Resíduos típicos | Observação |
|---|---|---|---|
| Co-processamento | Resíduo substitui combustível ou matéria-prima em cimenteiras | Solventes não-halogenados, borras oleosas, lodos com poder calorífico | Proibido para halogenados; cimenteiras exigem PCH mínimo |
| Incineração | Combustão controlada a ≥850°C (≥1100°C para halogenados/PCB) | Halogenados, PCB, patogênicos, químicos altamente tóxicos | Opção para resíduos que não podem ir a aterro ou co-processamento |
| Aterro industrial Classe I | Disposição em aterro com impermeabilização e monitoramento | Lodos inorgânicos, resíduos sólidos não incineráveis | Última opção na hierarquia PNRS; OLUC proibido por CONAMA 362 |
| Tratamento físico-químico | Neutralização, precipitação, oxidação, redução | Lodos galvânicos (Cr VI→Cr III), ácidos, bases, cianetos | Gera lodo tratado que pode ir a aterro |
| Reciclagem | Recuperação do material como insumo | Solventes regeneráveis, metais não-ferrosos, OLUC regenerado | Posição nobre na hierarquia; pode gerar receita para o gerador |
| Logística reversa | Devolução ao fabricante/importador | Lâmpadas, baterias, embalagens de agrotóxicos, eletroeletrônicos | Obrigatória para categorias com acordo setorial (PNRS) |
Como escolher o método certo para cada resíduo perigoso
A escolha do método não é livre — é determinada pelas características do resíduo e pelas restrições legais:
- Solventes halogenados (clorados, fluorados): incineração obrigatória a ≥1100°C. Co-processamento proibido em cimenteiras. Não podem ir a aterro.
- Solventes não-halogenados com poder calorífico: co-processamento em cimenteiras é a opção prioritária e mais econômica.
- OLUC (óleo lubrificante usado): a destinação prioritária é o rerrefino (CONAMA 362/2005) — gera OLUC regenerado com qualidade de produto. Aterro e incineração são proibidos. A co-coleta é obrigatória para postos e trocadores.
- Lodos galvânicos com cromo: tratamento físico-químico para redução de Cr(VI) a Cr(III), seguido de disposição em aterro Classe I ou reciclagem dos metais.
- Lâmpadas fluorescentes: logística reversa via fabricante (Programa Recicla Lâmpadas) ou destinador com CADRI para mercúrio. Nunca quebrar — mercúrio volátil contamina o ambiente de armazenamento.
- Baterias chumbo-ácido: logística reversa para recicladores de chumbo secundário. Cobertos por acordo setorial PNRS.
- PCB (bifenilas policloradas, >50 ppm): incineração a ≥1100°C em instalação específica. Regulamentado por resolução CONAMA e Convenção de Estocolmo.
O papel do CADRI e do SIGOR na destinação em SP
Em São Paulo, o fluxo de destinação de resíduos perigosos é rastreado pelo SIGOR da CETESB. Os documentos obrigatórios no sistema:
- CADRI do destinador: toda empresa que recebe resíduos perigosos de terceiros para destinação em SP deve ter CADRI vigente emitido pela CETESB, específico para o tipo de resíduo e o método. O gerador tem a obrigação de verificar o CADRI antes de contratar.
- MTR (Manifesto de Transporte de Resíduos): emitido no SIGOR antes de cada coleta. Identifica gerador, transportador, destinador, tipo de resíduo e quantidade.
- CDF (Certificado de Destinação Final): emitido pelo destinador no SIGOR após a conclusão da destinação. Fecha o ciclo legal para o gerador.
Sem esses três elementos (CADRI + MTR + CDF), a destinação não tem validade legal perante a CETESB — o PGRS do gerador fica incompleto e a empresa fica exposta em renovações de LO e auditorias.
Passo a passo: como contratar e executar a destinação em SP
- Identificar e classificar cada resíduo pela NBR 10004 (Classe I, II-A ou II-B), registrando código e características de periculosidade.
- Determinar o método de destinação adequado para cada resíduo, considerando as restrições legais (halogenados → incineração; OLUC → rerrefino; PCB → ≥1100°C).
- Identificar destinadores habilitados com CADRI vigente para o tipo de resíduo e o método escolhido — verificar no SIGOR ou solicitar cópia física do CADRI.
- Incluir os destinadores no PGRS com CADRI vigente listado. PGRS com destinador sem CADRI é rejeitado pela CETESB.
- Contratar o destinador com contrato que inclua obrigação de MTR por coleta e entrega de CDF após a destinação.
- Acondicionar e armazenar o resíduo corretamente até a coleta (NBR 12235, prazo máximo 1 ano).
- Emitir o MTR no SIGOR antes da coleta e acompanhar a saída do resíduo com o documento.
- Receber e arquivar o CDF após a destinação — associar ao MTR correspondente no arquivo do PGRS.
Custo da destinação: o que influencia o preço
O custo de destinação de resíduos perigosos varia significativamente por tipo de resíduo e método. Os principais fatores:
- Método de destinação: incineração é o mais caro (especialmente para halogenados e PCB); co-processamento e reciclagem são os mais acessíveis.
- Classificação do resíduo: Classe I tem custo 3-10× maior que Classe II. Misturar resíduos de classes diferentes eleva o custo de toda a mistura para Classe I.
- Volume e frequência: volumes maiores permitem negociação de coleta periódica a custo menor por tonelada. Coletas pontuais têm custo de mobilização elevado.
- Distância do gerador ao destinador: o frete do resíduo perigoso tem custos logísticos específicos (veículo homologado, MOPP, seguro).
- Contaminação cruzada: resíduo contaminado por mistura inadequada pode ter custo de destinação multiplicado. Segregação correta é o principal fator de otimização de custo.
Seven Resíduos: destinação de perigosos em SP com rastreabilidade completa
A Seven Resíduos realiza a destinação de resíduos perigosos em SP com CADRI vigente para cada tipo de resíduo industrial, co-processamento, incineração, tratamento físico-químico e reciclagem — conforme o método mais adequado para cada resíduo e a hierarquia da PNRS.
Cada coleta inclui MTR emitido no SIGOR e CDF entregue após a destinação — garantindo rastreabilidade completa para o PGRS e renovações de LO. Os parceiros destinadores (cimenteiras, incineradores, recicladores) têm CADRI verificado periodicamente.
Solicite um diagnóstico gratuito e identifique o método de destinação mais adequado e econômico para cada resíduo perigoso da sua empresa.
Perguntas frequentes sobre destinação de resíduos perigosos em SP
- Qual o método de destinação obrigatório para solventes halogenados?
- Solventes halogenados (clorados, fluorados) devem ser incinerados a temperatura mínima de 1100°C em instalação licenciada. O co-processamento em cimenteiras é proibido para halogenados. Aterro também não é adequado, pois esses solventes são voláteis e contaminam o lençol freático. A incineração a 1100°C garante destruição completa das moléculas cloradas.
- O que é o CADRI e por que o gerador precisa verificar?
- O CADRI (Certificado de Aprovação de Destinação de Resíduos Industriais) é emitido pela CETESB e autoriza um destinador a receber resíduos industriais de terceiros para destinação em SP. O gerador é obrigado a verificar se o destinador tem CADRI vigente para o tipo específico de resíduo antes de contratar. Sem CADRI, o destinador não está habilitado e o gerador responde solidariamente pela destinação inadequada (Art. 30, PNRS).
- O OLUC (óleo lubrificante usado) pode ser incinerado?
- Não. A destinação prioritária do OLUC é o rerrefino para produção de óleo base lubrificante regenerado (CONAMA 362/2005). Incineração e disposição em aterro são proibidas para OLUC. Geradores de OLUC acima de 200 litros/mês devem entregar o resíduo a revendedor ou coletor registrado na ANP.
- Como comprovar a destinação adequada para a CETESB?
- A comprovação é feita pelo par MTR + CDF vinculados ao PGRS vigente. O MTR prova a saída do resíduo do gerador e o encaminhamento ao destinador habilitado (com CADRI). O CDF prova que o destinador recebeu e destinou adequadamente. Sem ambos os documentos arquivados no PGRS, o gerador não consegue comprovar destinação adequada em inspeção ou renovação de LO.
- Quanto custa a destinação de resíduos perigosos em SP?
- O custo varia por tipo e método: co-processamento de solventes não-halogenados pode custar R$1-4/kg; incineração de halogenados R$8-20/kg; aterro Classe I R$2-6/kg; tratamento de lodo galvânico R$3-8/kg. Volumes maiores e contratos periódicos reduzem o custo unitário. A segregação correta na fonte é o principal fator para evitar custos desnecessários de destinação de Classe I.



