Empresa de Coleta de Resíduos Industriais no ABC Paulista: o que verificar antes de contratar
Contratar coleta de resíduos industriais no Grande ABC não é contratar um caminhão. É contratar uma cadeia documental — CADRI do destinador, RNTRC do transportador, MOPP do motorista, MTR emitido antes do carregamento e CDF em até 30 dias. Se qualquer elo dessa cadeia falhar, o gerador responde solidariamente pela irregularidade.
A região do ABC — Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá — concentra uma das maiores densidades industriais do estado, com perfil predominante de metalurgia, galvanoplastia e automotivo. Este guia detalha o que verificar na empresa de coleta, como funciona a documentação por tipo de resíduo e os riscos específicos da região.
Tipos de coleta por setor industrial no ABC
A coleta de resíduos industriais não é uniforme — o tipo de veículo, acondicionamento e documentação variam conforme o resíduo e o setor.
| Setor no ABC | Resíduos típicos para coleta | Tipo de veículo | Documento obrigatório |
|---|---|---|---|
| Galvanoplastia | Lamas galvânicas, banhos exaustos | Caminhão tanque ou caçamba estanque | MTR + CADRI + Ficha de Emergência |
| Metalurgia e usinagem | OLUC, fluidos de corte, limalha com óleo | Caminhão com bombona/IBC | MTR + CADRI + RNTRC + MOPP |
| Automotivo | Borras de tinta, solventes, baterias | Caminhão baú fechado | MTR + CADRI + RNTRC + MOPP |
| Plásticos | Borras de extrusão, solventes | Caçamba ou caminhão baú | MTR + CADRI |
| Logística/CD | Embalagens contaminadas, OLUC frota | Veículo de acordo com a classe | MTR + CADRI |
Regra geral: todo resíduo Classe I coletado no ABC exige MTR emitido no SIGOR antes do carregamento, transportador com RNTRC habilitado para carga perigosa e motorista com MOPP válido.
Documentação obrigatória da empresa de coleta
Antes de contratar, verifique que a empresa apresenta:
1. CADRI do destinador vigente e específico
O CADRI autoriza a movimentação legal do resíduo entre gerador e destinador. Deve cobrir o código NBR 10004 exato do seu resíduo. Verifique no SIGOR pelo CNPJ.
2. RNTRC do transportador
O Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas habilitado para produtos perigosos é obrigatório para transporte de Classe I. Solicite cópia antes da primeira coleta.
3. MOPP do motorista
O certificado de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos deve estar válido para o motorista que efetivamente faz a coleta.
4. Licença de Operação do destinador
A LO deve especificar o método de tratamento compatível com o seu resíduo — incineração, co-processamento, rerrefino ou aterro Classe I.
5. MTR emitido antes do carregamento
O MTR é emitido no SIGOR pelo gerador ou pela empresa contratada em nome do gerador. Deve ser emitido antes da saída do veículo. Regularizar depois é infração.
6. CDF em até 30 dias
Após a destinação, a empresa deve entregar o Certificado de Destinação Final. Arquive por 5 anos.
Riscos específicos da coleta de resíduos no ABC
A região tem particularidades que aumentam o risco de não conformidade:
1. Galvanoplastia — banhos exaustos são Classe I com incompatibilidades Banhos de cianeto e banhos ácidos não podem ser transportados no mesmo veículo. A empresa de coleta deve ter protocolo de segregação e veículos dedicados — ou compartimentos estanques separados.
2. Metalurgia — OLUC deve ir exclusivamente para rerrefino A CONAMA 362 obriga que todo OLUC seja encaminhado para rerrefino. Empresa que propõe queima como combustível sem autorização está em infração.
3. Automotivo — cadeia de fornecedores exige documentação para auditoria Fornecedores de montadoras no ABC (VW, Mercedes, Scania) precisam de documentação de gestão de resíduos para auditorias de cadeia. A empresa de coleta deve fornecer MTR + CDF em formato auditável.
4. Volume alto = coleta programada obrigatória Indústrias do ABC com geração acima de 1 tonelada/mês de Classe I devem ter coleta programada — não avulsa. O PGRS deve incluir a frequência de coleta e o prestador contratado.
Coleta programada vs. coleta avulsa: quando usar cada uma
| Critério | Programada | Avulsa |
|---|---|---|
| Frequência | Mensal, quinzenal ou semanal | Sob demanda |
| Custo por kg | Menor — volume comprometido | Maior — mobilização a cada evento |
| Planejamento | Definida no contrato e no PGRS | Não planejável — sujeita a disponibilidade |
| Conformidade | Facilita DARS e renovação de LO | Dificulta consolidação de dados |
| Indicada para | Geração constante e previsível | Eventos pontuais (limpeza de tanque, descarte de lote) |
Para a maioria das indústrias do ABC, a coleta programada é a melhor opção — reduz custo, facilita documentação e garante que a frequência declarada no PGRS seja cumprida.
O Posto CETESB de Santo André e a fiscalização de coleta
O Posto CETESB de Santo André é responsável pelo licenciamento e fiscalização dos 7 municípios do Grande ABC. Na vistoria, a CETESB verifica:
- MTRs emitidos nos últimos 12 meses — devem ser coerentes com o inventário de resíduos
- CADRIs dos destinadores — consultados online durante a vistoria
- Frequência de coleta declarada no PGRS vs. frequência real (MTRs)
- Condições do armazenamento temporário — resíduos aguardando coleta devem estar em área adequada
- Para renovação de LO: toda a documentação de coleta e destinação é condição de aprovação
Checklist: antes de contratar coleta no ABC
- ☐ CADRI do destinador verificado no SIGOR — vigente e específico
- ☐ RNTRC do transportador habilitado para carga perigosa
- ☐ MOPP do motorista válido
- ☐ LO do destinador para o método de tratamento adequado
- ☐ Contrato prevendo MTR antes de cada coleta
- ☐ Contrato prevendo CDF em até 30 dias
- ☐ Coleta programada com frequência definida no PGRS
- ☐ Seguro ambiental do transportador (se aplicável)
Seven Resíduos no ABC: coleta programada com base local
A Seven Resíduos está sediada em Guarulhos — com atendimento direto ao Grande ABC com veículos habilitados para coleta de resíduos industriais.
- Coleta programada mensal, quinzenal ou semanal para todos os municípios do ABC
- Veículos com RNTRC + MOPP para resíduos perigosos
- MTR emitido no SIGOR antes de cada coleta — rastreabilidade completa
- CADRI válido para os resíduos típicos do ABC: lamas galvânicas, OLUC, solventes, borras de tinta
- CDF em até 30 dias — arquivo digital acessível
- Suporte à gestão integrada de resíduos no ABC
Solicite cotação de coleta programada para sua indústria no ABC
FAQ: Perguntas frequentes sobre coleta de resíduos no ABC
Empresa de coleta precisa ter CADRI?
O CADRI é obrigação do destinador (quem recebe e trata o resíduo), não do transportador. Porém, o transportador precisa de RNTRC habilitado para carga perigosa e o motorista precisa de MOPP válido. Sua obrigação como gerador é verificar ambos antes de cada coleta.
MTR deve ser emitido antes ou depois da coleta?
Antes. O MTR deve ser emitido no SIGOR antes do carregamento do veículo. Empresa que propõe regularizar depois está em infração — e o gerador responde solidariamente. Uma cópia do MTR deve acompanhar o veículo durante o transporte.
Posso usar a mesma empresa para coletar Classe I e Classe II?
Sim, desde que a empresa tenha veículos e CADRIs adequados para cada classe. A coleta deve ser segregada — nunca misturar Classe I e Classe II no mesmo compartimento do veículo. Verifique o CADRI para cada tipo de resíduo individualmente.
Qual a frequência mínima de coleta de resíduos perigosos?
Não há frequência mínima na lei, mas a NBR 12235 limita o armazenamento temporário de Classe I. Na prática, a frequência deve ser suficiente para que o armazenamento não ultrapasse a capacidade da área e o prazo de 365 dias. O PGRS deve documentar a frequência.
O que acontece se a CETESB encontrar coleta sem MTR?
Autuação por movimentação irregular de resíduos — multa administrativa + responsabilidade solidária entre gerador e transportador. Além disso, os CDFs correspondentes ficam sem rastreabilidade, invalidando a documentação de destinação para fins de renovação de LO.
A coleta de resíduos industriais no ABC é uma operação documentada — não apenas logística. CADRI, RNTRC, MOPP, MTR e CDF formam a cadeia que comprova conformidade perante a CETESB. Empresa que coleta sem essa documentação não é parceira — é risco.



