Fornecedor da Walmart: a coleta no Project Gigaton

Fornecedor da Walmart: a coleta no Project Gigaton

A cobrança chegou pelo comprador: três e-mails do Walmart US sobre o pillar Waste

Roberta é diretora de sustentabilidade de uma planta multinacional de alimentos no Mato Grosso. São 1.380 funcionários, mais de 9 mil toneladas de resíduo por ano e 52% do faturamento exportado. Pedro, comprador ESG da operação, abriu a caixa em fevereiro e encontrou três cobranças consecutivas.

A primeira veio do Sustainability Sourcing do Walmart US. A segunda, do Sam’s Club. A terceira, do compliance do Carrefour Atacadão BR, que herdou métricas do Walmart Brasil após a venda de 2022. Todas pediam o reporte do pillar Waste do Project Gigaton, programa proprietário do Walmart de redução de emissões na cadeia de valor, com dado primário e rastreado.

Roberta tinha o CDP (Carbon Disclosure Project, plataforma de divulgação climática) nota B em 2024. Faltava o que separa fornecedor preferencial de fornecedor descartável. A coleta certificada e a destinação licenciada de cada fluxo, transformadas em toneladas evitadas de aterro e em tCO2e evitadas por rota auditáveis.

Este post explica como o pillar Waste funciona em 2026 e por que a coleta agendada e a destinação rastreada da Seven Resíduos viraram o ponto de partida natural da conversa.

O que é o Project Gigaton em uma frase

O Project Gigaton é um compromisso público lançado pelo Walmart em abril de 2017 com a meta de eliminar uma gigatonelada, ou seja, um bilhão de toneladas de CO2 equivalente, das emissões de cadeia de valor até 2030. A meta foi atingida sete anos antes, em 2023. Em 2024, a varejista anunciou no portal corporativo a extensão. Operações próprias zero líquido em 2040 e cadeia de fornecedores zero líquido em 2050.

Os seis pillars do programa

O programa organiza a redução em seis frentes mensuráveis com metodologia pública. São elas energia, resíduos, embalagens, transporte, agricultura e florestas. O Walmart adicionou um sétimo bloco sobre uso do produto. Cada fornecedor escolhe os pillars que fazem sentido e reporta a contribuição anual em toneladas de gás de efeito estufa evitadas.

O pillar Waste é o que mais tem encaixe com a operação industrial brasileira. Não exige troca de matriz energética nem reformulação de produto. Exige rastreabilidade da coleta, segregação na fonte e laudo de destinação certificada por rota. Itens já obrigatórios por norma, mas raramente consolidados em formato auditável.

O pillar Waste em detalhes

O pillar Waste mede três blocos no supplier portal. Primeiro, toneladas de resíduo desviadas de aterro municipal ou industrial. Segundo, avoided emissions, emissões evitadas em tCO2e por tonelada, comparando a rota real com o cenário aterro. Terceiro, percentual de desvio de aterro sobre o resíduo total da planta no ano fiscal.

As rotas aceitas incluem reciclagem secundária, compostagem industrial regida pela Resolução CONAMA 481, coprocessamento em forno de cimenteira regido pela CONAMA 499, devolução ao fabricante via logística reversa do Decreto 11.044 e reuso direto com tríplice lavagem segundo a ABNT NBR 13221. Cada rota tem fator próprio de avoided emissions, baseado em Defra, EPA e IPCC 2019 Refinement.

Sem dado primário por rota, o reporte vira estimativa frouxa. E estimativa frouxa não passa pela verificação independente que o Walmart contrata. DNV, Bureau Veritas, SGS e TÜV Rheinland cruzam o reporte com documentos de transporte e destinação.

Como o fornecedor brasileiro reporta (cinco passos)

O reporte do pillar Waste segue um roteiro que cabe na realidade da indústria brasileira. Cinco passos, repetidos a cada ciclo anual, que separam quem mantém o sourcing de quem perde.

O primeiro é inventariar todos os fluxos por classe da ABNT NBR 10004, separando Classe I (perigoso), Classe IIA (não inerte) e Classe IIB (inerte). O segundo é quantificar tonelagem anual via Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) e Certificado de Destinação Final (CDF), rastreados pelo Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. O terceiro é aplicar o fator de avoided emissions da rota real.

O quarto é compilar o número no formato do supplier portal do Walmart. O quinto é submeter à verificação independente, normalmente ISO 14064-3, antes da publicação no relatório anual. Quem tem cadeia Seven de coleta certificada e destinação rastreada percorre tudo em semanas. Quem não tem leva meses e volta para refazer.

Diferença entre Project Gigaton, SBTi e CDP

A confusão entre os três acrônimos é frequente. Vale separação clara. O Project Gigaton é programa proprietário do Walmart, voltado a fornecedores diretos e indiretos da cadeia da varejista, com seis pillars e meta agregada de redução.

A SBTi (Science Based Targets initiative, iniciativa de metas baseadas em ciência) é diferente. Ela valida a meta climática da empresa, alinhando ao cenário 1,5°C do Acordo de Paris. Não cobra contribuição, cobra ambição validada por terceiro.

Já o CDP é plataforma global de disclosure ambiental. O fornecedor responde questionário anual sobre clima, água ou florestas e recebe nota pública que vai de D a A list. Os três conversam. Uma planta pode ter SBTi validada, reportar CDP A list e ainda submeter dado primário do pillar Waste no mesmo ciclo, reaproveitando o inventário de resíduos.

Quem está exposto: alimentos, cosmético, eletrônicos e outros

A lista de setores brasileiros expostos é mais longa do que a maioria das diretorias imagina. Alimentos e bebidas concentram o maior volume, com JBS, Marfrig, BRF, Ambev, Coca-Cola FEMSA, Heineken, Nestlé, Danone, Cargill e Bunge exportando direto para Walmart US, Sam’s Club e Costco.

Cosmético e higiene entram pela L’Oréal, P&G e Avon, além de fornecedores de Natura e Boticário. Eletroeletrônicos via Foxconn Jundiaí, LG Manaus e Samsung. Têxtil e vestuário via Hering, Renner, Marisa e Riachuelo, que disputam contratos globais.

Farma e saúde entram por Eurofarma, EMS, Aché, Hypera, Bayer Brasil e Pfizer Brasil. Móveis, automotivo e autopeças completam o desenho. Todos com exigência de Scope 3 categoria 5 documentada, categoria do resíduo gerado nas operações e da rota de destinação.

Como a coleta certificada vira número no pillar Waste

A ponte entre a operação da planta e a planilha do Walmart é simples no conceito e exigente na execução. Cada tonelada coletada precisa ter MTR emitido na origem, com gerador, transportador e destinador identificados. Cada destinação precisa de CDF emitido pelo destinador licenciado, com classe NBR 10004 e rota declarada.

Quando essas duas peças existem, o cálculo de avoided emissions é direto. Multiplica-se a tonelagem real pelo fator da rota e subtrai-se o cenário aterro. O resultado é o número que entra no pillar Waste. Para uma planta de alimentos com lodo de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) indo para compostagem CONAMA 481, o fator pode chegar a 360 kgCO2e evitadas por tonelada.

A Seven Resíduos entrega esse pacote de forma consolidada. Coleta agendada por turno, segregação alinhada à NBR 10004, MTR rastreado pelo SINIR, CDF auditável e laudo de avoided emissions por rota anexado ao dossiê do ciclo.

As cinco etapas da coleta Seven que alimentam o Gigaton

A operação que sustenta o reporte cabe em cinco etapas. Primeira, diagnóstico inicial. Mapeamento de cada fluxo, classificação NBR 10004, cubagem mensal e identificação da rota mais aderente ao comprador. Segunda, implantação de coleta segregada por classe e material, com tambores, big bags e contêineres.

Terceira, agendamento com frequência calibrada para o ritmo da operação. Quarta, emissão de MTR no SINIR na retirada e CDF na chegada ao destinador, integrados ao painel de rastreabilidade. Quinta, fechamento mensal e anual com laudo consolidado de avoided emissions por rota, pronto para anexar ao Project Gigaton, ao CDP Climate, ao inventário ISO 14064-1 e ao bloco ESRS E5 da CSRD.

Caso real: planta de alimentos no Mato Grosso, Roberta e Pedro

A planta da Roberta e do Pedro recebeu as três cobranças em fevereiro de 2026. A meta do ciclo era reportar pillar Waste com dado primário, integrar com CDP Climate Change e fechar a primeira temporada da CSRD ESRS E5, padrão europeu de uso de recursos.

O diagnóstico identificou oito fluxos. Orgânico de processamento de carne, 4.200 toneladas por ano. Plástico de embalagem industrial, 380 toneladas. Metal de manutenção, 180. Lodo de ETE, 320. Mais EPI contaminado, borra de óleo, filtro de óleo da frota, toner, cartucho e resíduo de construção e demolição com amianto pós-laudo XRF na reforma de cobertura.

A Seven implantou coleta segregada dos oito fluxos. Orgânico para compostagem industrial CONAMA 481, plástico para reciclagem secundária, metal para fundição secundária, lodo para compostagem com aplicação agrícola monitorada, borra de óleo e filtros para coprocessamento CONAMA 499. EPI contaminado seguiu para incineração licenciada. Toner e cartucho voltaram pela logística reversa do fabricante.

O fechamento anual consolidou 9.860 toneladas, 85% de desvio de aterro e 2.180 tCO2e evitadas. O dossiê foi entregue ao auditor em maio, validado em julho e publicado em novembro. O CDP Climate subiu de B para A. A SBTi Net-Zero foi validada 1,5°C compatível. O EcoVadis avançou de Silver para Gold. O sourcing Walmart US, Sam’s Club, Carrefour Atacadão, Casino, Cargill e Costco foi mantido. A planta economizou 280 mil reais por ano e evitou 4,2 milhões em multa potencial de Classe I.

Outros programas similares: Apple, L’Oréal, Unilever, Nestlé

O Project Gigaton inspirou e foi inspirado por programas paralelos. A Apple roda o Supplier Clean Energy Program em eletrônicos, embalagens e commodities da cadeia Foxconn, Honda, LG e Samsung. A Microsoft trabalha o Cloud for Sustainability para fornecedores de tecnologia.

A L’Oréal opera o For the Future, sucessor do Sharing Beauty With All. A Unilever roda o Compass e o Climate & Nature Fund. A Nestlé tem o Net Zero Roadmap, que cobre café, cacau e leite. A Carrefour Act for Food Brazil herdou métricas Walmart Brasil pós-aquisição de 2022. IKEA, H&M e Inditex completam o mosaico. Para o fornecedor brasileiro, o inventário primário de coleta certificada serve a todos. O mesmo MTR, o mesmo CDF e o mesmo laudo de avoided emissions alimentam reportes paralelos sem retrabalho.

Tabela: os seis pillars com métrica e dado primário Seven

Pillar Gigaton Métrica esperada Dado primário Norma BR conectada Aplicação Seven Framework conectado
Energy MWh renovável on-site e PPA Faturas de energia e contratos I-REC Resolução ANEEL e Decreto PNE Apoio em segregação de resíduo do gerador fotovoltaico fim de vida GHG Scope 2
Waste Toneladas desviadas de aterro e tCO2e evitadas MTR, CDF e laudo de rota NBR 10004 e Lei 12.305 Coleta agendada, MTR SINIR, CDF, avoided emissions por rota GHG Scope 3 cat 5
Packaging Material renovável, reuso, reciclagem Ficha técnica de embalagem NBR 13221 e Decreto 11.044 Devolução fabricante e reciclagem secundária via Seven CDP Climate
Transportation Combustível alternativo e rota otimizada Telemetria de frota Programa Brasileiro de Etiquetagem Otimização de rota de coleta multimodal Seven GHG Scope 1 e 3 cat 4
Agriculture Manejo regenerativo e water stewardship Plano de manejo e outorga Lei 12.651 e Lei 9.433 Destinação de embalagem de defensivo e lodo de ETE agro CDP Water
Forests Desmatamento zero e rastreabilidade Cadeia de custódia FSC e CAR Código Florestal Destinação de resíduo de madeira e papel certificado CDP Forests
Product Use Design durável e circular Fichas de ciclo de vida NBR ISO 14040 Logística reversa pós-consumo via Seven e InMetro IFRS S2
Cross-pillar Verificação independente Relatório ISO 14064-3 ABNT NBR ISO 14064 Dossiê Seven anexável ao reporte SBTi Net-Zero 2.0

FAQ — Project Gigaton e coleta de resíduos industriais

Como o pillar Waste do Project Gigaton se conecta com a coleta certificada?

O pillar Waste exige tonelagem real e rota auditável. A coleta certificada gera o MTR de origem e o CDF de destino, peças que sustentam o cálculo de avoided emissions e protegem o reporte na verificação independente do Walmart.

Qual papel do MTR e do CDF no cálculo de avoided emissions?

O MTR comprova a saída do resíduo da planta com gerador, transportador e destinador identificados. O CDF confirma a chegada ao destinador licenciado e a rota aplicada. Sem esse par, o fator de emissão evitada vira estimativa frouxa e é desclassificado.

O Project Gigaton substitui a SBTi e o CDP?

Não. O Project Gigaton é programa proprietário Walmart para a cadeia. A SBTi valida a meta climática da empresa. O CDP publica nota de disclosure. Os três se somam e reaproveitam o mesmo inventário primário de resíduo.

Como a NBR 10004 sustenta o reporte ao Walmart?

A NBR 10004 classifica o resíduo em Classe I, IIA e IIB. Essa classificação define a rota de destinação aceita, o fator de avoided emissions aplicável e o destinador licenciado adequado. Sem ela, o reporte não tem coluna inicial.

Quem faz a verificação independente do pillar Waste?

Verificadoras como DNV, Bureau Veritas, SGS e TÜV Rheinland conduzem a auditoria sob ISO 14064-3. Elas cruzam o reporte com MTR, CDF, contrato com destinador e laudo de rota. Documento ausente significa reporte invalidado.

Conclusão

Reportar o pillar Waste do Project Gigaton em 2026 não é projeto de comunicação. É operação. Cada tonelada coletada, cada MTR emitido no SINIR e cada CDF rastreado pelo destinador licenciado vira linha de planilha que sustenta sourcing internacional. Roberta e Pedro descobriram isso na prática, mas só conseguiram fechar o ciclo porque a cadeia de coleta certificada estava operando antes da cobrança chegar.

Se a sua planta exporta para Walmart US, Sam’s Club, Costco ou se atende Carrefour Atacadão, Casino, Cargill e demais compradores globais, o tempo de preparação encurta a cada ciclo. Solicite um diagnóstico do pillar Waste da sua planta com o time da Seven Resíduos e receba o mapa dos oito fluxos típicos, as rotas aderentes e o cálculo preliminar de avoided emissions para a próxima janela de reporte.

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