Mineração responsável: resíduo certificado na auditoria

Mineração responsável: resíduo certificado na auditoria

Quando três sinais chegam no mesmo trimestre

Imagine uma operação de mineração e beneficiamento no eixo Sudeste que fornece minério ou metal para cadeias com comprador europeu e da indústria de baterias. Não é uma empresa real — é o retrato do que muitas minas brasileiras vivem agora.

Em um trimestre, a diretoria de sustentabilidade recebe três sinais convergentes. Um comprador referencia o IRMA na due diligence de cadeia mineral e pergunta o nível de desempenho do site. Uma pré-auditoria independente avisa que o capítulo de resíduo não fecha sem inventário e destinação rastreada — não só do rejeito de processo. E o cliente cobra dado primário da destinação de Classe I e Classe IIA por causa da própria diretiva de sustentabilidade dele.

Os três sinais apontam para o mesmo ponto: a cadeia documental do resíduo industrial da mina. É disso que este texto trata, em linguagem prática.

O que é o IRMA e por que ele é tão exigente

IRMA é a sigla de Initiative for Responsible Mining Assurance, uma iniciativa de mineração responsável fundada em 2006 que publicou o Standard for Responsible Mining 1.0 — o padrão de mineração responsável — em 2018. O documento define o que uma operação mineral precisa demonstrar para ser considerada responsável.

O que o torna exigente é a governança. O conselho tem participação paritária de mineradoras, compradores, sociedade civil, comunidades, trabalhadores e finanças — sem controle da indústria. Não é selo autoconcedido: a verificação do site é feita por terceira parte independente.

Para o gerador, o recado é direto: o auditor que visita a mina não aceita declaração. Ele pede a evidência documental da destinação de cada resíduo industrial, como a coleta de resíduos industriais precisa ser comprovada para qualquer órgão ambiental.

Os 4 princípios e os 26 capítulos

O Standard 1.0 se organiza em quatro princípios: Integridade nos Negócios; Planejamento para Legados Positivos; Responsabilidade Social; e Responsabilidade Ambiental. Sob eles ficam 26 capítulos, cada um com critérios objetivos.

O bloco ambiental é onde a operação de resíduo entra. O capítulo de gestão de rejeito — tailings management — trata da barragem e do depósito do rejeito de processo, o material que sobra depois que o minério útil é separado. Já o capítulo de gestão de resíduo e materiais (waste & materials) cobre o resíduo industrial da operação: óleo, reagente, lâmpada, refratário, lodo, sucata e embalagem química.

Há ainda capítulos de água, ar, biodiversidade, ruído e substâncias perigosas. O ponto crítico: rejeito e resíduo industrial são auditados em capítulos distintos, com exigências distintas. Confundir os dois é o erro mais comum na preparação.

Os níveis de desempenho: Transparency, 50, 75 e 100

O IRMA não é aprovado-ou-reprovado. O resultado da auditoria independente é expresso em níveis de desempenho conforme quantos critérios o site atende plenamente.

IRMA Transparency significa site auditado e resultados publicados, ainda que muitos critérios não estejam plenamente atendidos. IRMA 50 indica cerca de metade dos requisitos de cada capítulo cumprida; IRMA 75 e IRMA 100 elevam a barra até o atendimento integral.

Para o gerador, isso muda tudo. Um único capítulo fraco — o de resíduo — derruba o nível do site inteiro. Uma operação que poderia alcançar IRMA 75 fica em Transparency só porque a destinação de Classe I não tem rastreabilidade. O comprador lê o número, não a justificativa.

Resíduo industrial da operação mineral × classe × rota

A operação mineral gera muito mais que rejeito. A tabela abaixo resume o resíduo industrial típico que o auditor do capítulo de waste vai querer ver inventariado e destinado. A classificação segue a NBR 10004, a norma que separa resíduo em Classe I (perigoso), Classe IIA (não inerte) e Classe IIB (inerte), apoiada na NBR 10005 (ensaio de lixiviação).

Resíduo Origem na mina/planta Classe NBR 10004 Rota de destinação
OLUC de frota e britagem Manutenção de equipamento pesado Classe I, código F006 Re-refinador autorizado pela ANP ou coproc CONAMA 499
Reagente de flotação vencido Beneficiamento mineral Classe I conforme composição Destinador licenciado de Classe I
Solvente e resíduo de laboratório Controle de qualidade do minério Classe I Destinador licenciado de Classe I
Lâmpada de mercúrio e instrumento de Hg Iluminação e instrumentação Classe I por mercúrio Descontaminação por retorta de Hg em destinador licenciado
Pneu OTR fora de estrada Caminhão e carregadeira de mina Classe IIB / rota específica Reciclador ou coproc CONAMA 499 licenciado
Refratário de forno de pelotização Pelotização e secagem Classe IIA / Classe I se cromo-magnesita Reciclador ou cimenteira credenciada CONAMA 499
Lodo de ETE e ETA da operação Tratamento de água e efluente Classe IIA / Classe I se metal Compostagem CONAMA 481 ou coproc CONAMA 499
EPI e embalagem química contaminada Operação e manutenção Classe I ou IIA conforme laudo Coproc CONAMA 499 ou destinador licenciado

OLUC é óleo lubrificante usado ou contaminado, com regra própria detalhada na coleta certificada de OLUC. O código F006 identifica lodo e resíduo de processo galvânico e de manutenção que a operação mineral também gera.

Por que o capítulo de waste vai além do rejeito de processo

O erro mais frequente é tratar a gestão de resíduo como sinônimo de gestão da barragem de rejeito. São coisas diferentes.

O rejeito de mineração — tailings — é o material fino que sobra do beneficiamento, disposto em barragem ou pilha. Tem capítulo e auditoria próprios, focados em estabilidade, monitoramento e plano de fechamento.

O capítulo de resíduo e materiais olha para outra coisa: óleo da frota, reagente de flotação vencido, lâmpada de mercúrio, refratário do forno, lodo da estação de tratamento, pneu OTR — pneu fora de estrada dos equipamentos pesados —, filtro e bateria. Esse é o resíduo que precisa de coleta de resíduos Classe I com cadeia documental completa.

A flotação é o processo de separação do minério em que reagentes químicos fazem as partículas úteis aderirem a bolhas de ar. O xantato — coletor mais usado — e os espumantes podem conferir toxicidade ao reagente quando ele vence. Por isso o resíduo de beneficiamento entra no escopo do auditor.

A cadeia documental que o auditor IRMA exige

O auditor independente não inspeciona só o pátio. Ele pede a trilha documental que conecta o resíduo gerado ao destino final licenciado — e, no Brasil, essa trilha tem nomes específicos.

O MTR — Manifesto de Transporte de Resíduos — registra cada movimentação, emitido no SINIR, o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. O CDF — Certificado de Destinação Final — comprova que o destinador tratou ou deu fim ao resíduo. O CADRI — Certificado de Movimentação de Resíduos de Interesse Ambiental — autoriza, em estados como São Paulo, o envio do resíduo perigoso ao destino aprovado.

Some-se o RAPP — Relatório Anual de Atividades Potencialmente Poluidoras, prestado ao IBAMA — e, quando há análise de composição, o laudo com ensaio por XRF (fluorescência de raios X) ou lixiviação. O auditor cruza inventário, MTR, CDF e licença do destinador. Se um elo falta, o critério não é atendido. Conferir a licença do destinador vira requisito de auditoria.

Como a coleta certificada sustenta a pontuação

A Seven Resíduos atua no elo que o capítulo de waste mede. A operação não audita o IRMA nem gere a barragem de rejeito — isso é da mineradora e do auditor de terceira parte. O papel é organizar a evidência da destinação do resíduo industrial.

Na prática: coletar e transportar o resíduo perigoso e não perigoso da mina e do beneficiamento, emitir MTR no SINIR, garantir CDF de cada lote, encaminhar CADRI quando o estado exige e fazer o sourcing do destinador licenciado correto para cada classe — re-refinador autorizado pela ANP para OLUC, coprocessamento CONAMA 499 ou destinador de Classe I conforme o laudo.

O auditor IRMA chega e encontra a coleta de resíduos Classe I documentada de ponta a ponta. É a diferença entre defender um número alto e perder pontos por falta de papel. A mesma lógica vale quando o resíduo precisa ser contabilizado como emissão de carbono na categoria 5 do Escopo 3.

Riscos de não ter a cadeia documental

Sem a trilha documental, cinco riscos se acumulam. Perda de nível: um capítulo de waste fraco derruba a pontuação do site inteiro, levando uma operação de IRMA 75 para Transparency. Exclusão pelo comprador: montadora, fabricante de eletrônico ou banco usa o IRMA na due diligence e descarta a origem sem nível adequado.

Sanção: a destinação irregular de resíduo perigoso enquadra-se no art. 54 da Lei 9.605, a Lei de Crimes Ambientais, com multas calibradas pelo Decreto 6.514 que vão de cem mil a dezenas de milhões de reais, aplicadas por CETESB ou IBAMA. Lacuna de dado: a diretiva europeia de sustentabilidade, no módulo de uso de recursos e economia circular (CSRD ESRS E5), e a divulgação de natureza no padrão TNFD exigem dado primário de resíduo que não existe sem rastreabilidade. Passivo de pátio: resíduo acumulado sem destino reduz score e pode travar a renovação de licença.

Caso típico: a operação que se prepara para a auditoria

Voltando à operação hipotética. Diante dos três sinais, a área de meio ambiente faz o inventário e encontra um quadro modal: a maior parte do volume está em OLUC de frota, lodo de tratamento e refratário; o maior risco regulatório, no reagente de flotação vencido e nas lâmpadas de mercúrio, ambos tipicamente Classe I.

Antes da organização da cadeia, parte do resíduo seguia para destinos sem CDF e o inventário não batia com os MTR. Depois de estruturar a coleta certificada, o resíduo passa a ter classificação por laudo, destinador licenciado conferido e CDF arquivado por lote. O resultado típico não é financeiro — é o capítulo de waste deixar de ser o ponto fraco e o site sustentar o nível pretendido diante do comprador. Sem nome de empresa, cidade ou números fechados de propósito: o ponto é o padrão, não o caso.

Cinco etapas para fechar o capítulo de waste

A preparação costuma seguir cinco etapas. Um: inventário de todo resíduo industrial da mina e do beneficiamento, por origem e classe NBR 10004. Dois: classificação por laudo onde a composição não é óbvia — reagente, lodo metálico, refratário cromo-magnesita.

Três: sourcing do destinador licenciado correto, com licença verificada e válida. Quatro: coleta e transporte com MTR no SINIR e CDF retornado por lote. Cinco: dossiê consolidado — inventário, laudos, MTR, CDF, CADRI e licenças — pronto para o auditor IRMA e para o módulo CSRD ESRS E5 do cliente. A mesma estrutura serve à coleta rastreada de lâmpada com mercúrio e ao pneu OTR de mineração.

Quem precisa olhar para isso agora

Quatro perfis sentem a pressão primeiro. Mineração metálica que fornece para cadeia automotiva ou de baterias, onde o comprador já referencia o IRMA. Pelotização e sinterização, com refratário e particulado em volume. Beneficiamento com flotação intensiva, onde o reagente vencido é o resíduo de maior risco.

E o fornecedor mineral de cadeia siderúrgica, que sente o IRMA a montante e o padrão de aço responsável a jusante — relação detalhada no texto sobre aço sustentável e ResponsibleSteel. Quem exporta também olha o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) e o sistema brasileiro de comércio de emissões (SBCE) da Lei 15.042, conectados ao pós-COP30 e à destinação certificada.

Perguntas frequentes

A Seven Resíduos atende o capítulo de waste do IRMA? Sim. Coleta e transporta o resíduo industrial da mina e do beneficiamento, emite MTR no SINIR, garante CDF e faz sourcing de destinador licenciado. Não audita o IRMA nem gere o rejeito — organiza a evidência de destinação que o auditor analisa.

O IRMA cobra só o rejeito de mineração? Não. O capítulo de waste cobre resíduo industrial: OLUC, reagente de flotação vencido, lâmpada de mercúrio, refratário, lodo e EPI contaminado. O rejeito de processo tem capítulo próprio de tailings, separado e com exigências distintas.

Qual nível de IRMA o comprador costuma exigir? Varia. Alguns aceitam IRMA Transparency como porta de entrada; outros pedem IRMA 50 ou 75. Quanto mais crítica a cadeia — baterias e automotivo, por exemplo — maior o nível de desempenho que o comprador tende a esperar do site.

A Seven faz a auditoria IRMA? Não. A auditoria do site é de terceira parte independente, sem controle da indústria. A Seven organiza a cadeia documental do resíduo industrial que o auditor analisa dentro do capítulo de waste & materials.

Reagente de flotação vencido é Classe I? Em geral sim, conforme a composição. Xantato, espumante e modificadores podem conferir toxicidade. O laudo e a classificação pela NBR 10004 definem a classe, e a rota correta é o destinador licenciado de Classe I.

Conclusão

O IRMA transformou a pergunta. Não é mais “a mina gere o rejeito?”, e sim “a operação prova onde cada resíduo industrial terminou?”. O capítulo de waste & materials mede papel: inventário, MTR, CDF, licença do destinador. Sem isso, o nível cai e o comprador recua.

Se a sua operação recebeu sinal de comprador, pré-auditoria ou cobrança de dado primário, vale conversar antes da auditoria chegar. A Seven Resíduos pode mapear o resíduo industrial da mina e do beneficiamento e montar a cadeia documental que sustenta o capítulo de waste. Fale com a equipe para um diagnóstico do resíduo da sua operação — começar pelo inventário é sempre o melhor caminho.

> Referências externas: IRMA Standard for Responsible Mining, Lei 12.305 — PNRS, Lei 9.605 — Crimes Ambientais, CONAMA 499 — coprocessamento, ABNT NBR 10004.

Mais Postagens

TODAS AS POSTAGENS

Aclimação

Bela Vista

Bom Retiro

Brás

Cambuci

Centro

Consolação

Higienópolis

Glicério

Liberdade

Luz

Pari

República

Santa Cecília

Santa Efigênia

Vila Buarque

Brasilândia

Cachoeirinha

Casa Verde

Imirim

Jaçanã

Jardim São Paulo

Lauzane Paulista

Mandaqui

Santana

Tremembé

Tucuruvi

Vila Guilherme

Vila Gustavo

Vila Maria

Vila Medeiros

Água Branca

Bairro do Limão

Barra Funda

Alto da Lapa

Alto de Pinheiros

Butantã

Freguesia do Ó

Jaguaré

Jaraguá

Jardim Bonfiglioli

Lapa

Pacaembú

Perdizes

Perús

Pinheiros

Pirituba

Raposo Tavares

Rio Pequeno

São Domingos

Sumaré

Vila Leopoldina

Vila Sonia

Aeroporto

Água Funda

Brooklin

Campo Belo

Campo Grande

Campo Limpo

Capão Redondo

Cidade Ademar

Cidade Dutra

Cidade Jardim

Grajaú

Ibirapuera

Interlagos

Ipiranga

Itaim Bibi

Jabaquara

Jardim Ângela

Jardim América

Jardim Europa

Jardim Paulista

Jardim Paulistano

Jardim São Luiz

Jardins

Jockey Club

M'Boi Mirim

Moema

Morumbi

Parelheiros

Pedreira

Sacomã

Santo Amaro

Saúde

Socorro

Vila Andrade

Vila Mariana

Água Rasa

Anália Franco

Aricanduva

Artur Alvim

Belém

Cidade Patriarca

Cidade Tiradentes

Engenheiro Goulart

Ermelino Matarazzo

Guaianases

Itaim Paulista

Itaquera

Jardim Iguatemi

José Bonifácio

Mooca

Parque do Carmo

Parque São Lucas

Parque São Rafael

Penha

Ponte Rasa

São Mateus

São Miguel Paulista

Sapopemba

Tatuapé

Vila Carrão

Vila Curuçá

Vila Esperança

Vila Formosa

Vila Matilde

Vila Prudente

São Paulo

Campinas

Sorocaba

Roseira

Barueri

Guarulhos

Jundiaí

São Bernardo do Campo

Paulínia

Rio Grande da Serra

Limeira

São Caetano do Sul

Boituva

Itapecerica da Serra

Hortolândia

Lorena

Ribeirão Pires

Itaquaquecetuba

Valinhos

Osasco

Pindamonhangaba

Piracicaba

Rio Claro

Suzano

Taubaté

Arujá

Carapicuiba

Cerquilho

Franco da Rocha

Guaratinguetá

Itapevi

Jacareí

Mauá

Mogi das Cruzes

Monte Mor

Santa Bárbara d'Oeste

Santana de Parnaíba

Taboão da Serra

Sumaré

Bragança Paulista

Cotia

Indaiatuba

Laranjal Paulista

Nova Odessa

Santo André

Aparecida

Atibaia

Bom Jesus dos Perdões

Cabreúva

Caieiras

Cajamar

Campo Limpo Paulista

Capivari

Caçapava

Diadema

Elias Fausto

Embu das Artes

Embu-Guaçu

Ferraz de Vasconcelos

Francisco Morato

Guararema

Iracemápolis

Itatiba

Itu

Itupeva

Louveira

Mairinque

Mairiporã

Piracaia

Pirapora do Bom Jesus

Porto Feliz

Poá

Salto

Santa Isabel

São Pedro

São Roque

Tietê

Vinhedo

Várzea Paulista

Vargem Grande Paulista

Jandira

Araçariguama

Tremembé

Americana

Jarinu

Soluções ambientais A Seven oferece serviços de Acondicionamento, Caracterização, Transporte, Destinação e Emissão de CADRI para Resíduos.
Endereço: Rua Vargas, 284 Cidade Satélite Guarulhos – SP
CEP 07231-300

Tratamento de resíduos, transporte e descarte. Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios.

Conte conosco
"Soluções ambientais para nossos clientes se dedicarem apenas à seus negócios"

28.194.046/0001-08 - © Seven Soluções Ambientais LTDA